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La Liga 2014/2015

 
Grandes jogadas, grandes golos, grandes defesas. Afición ao rubro. Técnicos felizes ou desesperados. Vitórias sofridas e derrotas inesperadas. Os jogadores mais mediáticos do Planeta. Não é à toa que a competição é apelidada desde a década de 90' como a Liga das Estrelas. Terminada a competição é tempo de Balanço. Eleger os melhores e os piores. Quem confirmou as expectativas e quem desiludiu. Tudo sobre a La Liga 2014-15 no Planeta Desportivo.

A Liga Espanhola voltou a ser emocionante. Se na temporada passada o Atlético de Madrid festejou no Camp Nou na última jornada, este ano os papéis inverteram-se com os blaugrana a festejar no Calderón na penúltima ronda. Em ambos os casos com muito fair-play por parte do público adversário, e consequentemente derrotado. O futebol é (ou deveria ser) muito isto. Saber ganhar. Saber perder. Reconhecer a superioridade quando ela existe e é vincada em campo. E é por aí que começamos o Balanço da Liga Espanhola 2014-15, pelo Campeão, o Barcelona.

O CAMPEÃO

O conjunto de Luis Enrique foi um vencedor justo. Começou a temporada com uma segurança defensiva assinalável. Os blaugrana não sofreram qualquer golo nas oito primeiras jornadas da competição (sete vitórias e um empate, no La Rosaleda). O primeiro a conseguir ultrapassar a barreira catalã foi Cristiano Ronaldo, de penalty, no 'El Clásico' de 25 de Outubro ganho pelos merengues, naquele que foi o jogo de estreia de uma das peças fundamentais da máquina de Luis Enrique, um atacante uruguaio com nome de mítico futebolista espanhol, Luis Suárez. Mas já lá iremos.

Luis Enrique chegou a Barcelona com uma aura de desconfiança sobre a sua pessoa. O trabalho no seu anterior clube, o Celta de Vigo, foi meritório sem ser extravagante. Com ele trouxe Rafinha, um prodígio técnico da cantera blaugrana, elemento essencial na temporada galega. Mas apesar do bom começo, as nuvens negras cedo surgiram sobre o técnico asturiano. A derrota no 'El Clásico' do Bernabéu, o facto de ter sido surpreendido em casa pela sua anterior equipa (vitória do Celta por 0-1 no Camp Nou), a difícil vitória em Almería e no Mestalla, bem como o empate no reduto do Getafe, aliados à uma regularidade exibicional inexistente, deixaram o técnico asturiano com a posição fragilizada. A derrota no Anoeta, no início de 2015 foi a gota de água. Uma onda de contestação, interna e externa, com supostos conflitos com a estrela da equipa, Lionel Messi, levaram a uma semana de intensas especulações acerca da sua saída e do jogador (quem acabou por sair foi Zubizarreta, mas por outros motivos), que apenas terminaram com a vitória sobre o campeão Atlético de Madrid e consequente boa exibição. A partir desse momento o Barcelona tornou-se imparável e apenas perdeu pontos na recepção ao Málaga (jogo inteiramente dominado pelos blaugrana), na deslocação a uma fortaleza chamada Sánchez Pizjuán (empate a dois golos) e na última jornada, frente ao Deportivo, já com o título no bolso.  Luis Enrique deixou de lado a rotatividade na frente de ataque (passou a fazê-lo apenas na zona intermediária e do meio campo) e o futebol ofensivo, aquele que a afición do Camp Nou tanto gosta, surgiu de forma regular. O tiki-taka, tão famoso naquelas bandas, foi substituído por uma linha defensiva um pouco mais recuada, que convidava os adversários a subir no terreno, o que levava a uma exploração da velocidade do seu trio de ataque quando a bola era recuperada. Trio esse sempre bem servido pelo fabuloso Rakitic e pelo mágico Iniesta.

E a forma do seu trio de ataque demoníaco foi sem dúvida o ponto que fez a diferença em relação aos seus adversários. A 'MSN' (Messi, Suárez e Neymar) apontou em conjunto um total de 81 golos na prova, divididos entre os 43 de Messi, os 22 de Neymar e os 16 do uruguaio. Apenas o Real Madrid acabou a temporada com mais golos marcados do que o tridente ofensivo blaugrana! Um número incrível e que demonstra de forma cabal o quão forte e incisivo foi o jogo ofensivo do Barcelona. Aliás, se somarmos o total da competições, o melhor trio de ataque do Século XXI bateu o recorde espanhol de golos numa só temporada, com um total de 120 tentos apontados, superando os 118 golos do tridente merengue, Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Gonzalo Higuaín, obtidos na temporada de 2011-12. Se com Neymar e Messi o ataque catalão já era tremendo, a chegada e o entrosamento gradual de Suárez no esquema de Luis Enrique, tornou a zona mais adiantada do jogo blaugrana um autêntico quebra-cabeças para as defensivas adversárias. Messi, com as suas habituais diagonais ziguezagueantes, Neymar com os movimentos interiores e Suárez a jogar maioritariamente sem bola, desorientaram completamente os esquemas montados pelos técnicos rivais para anular o conjunto de Luis Enrique.

As vitórias no Camp Nou sobre o Real Madrid em Março e sobre o Valência em Abril, encontros em que o Barcelona não foi de todo superior ao adversário, foram o impulso definitivo para o título, que ficou praticamente confirmado no momento em que Diego Alves (Valência) parou a grande penalidade de Cristiano Ronaldo no Bernabéu, e foi selado com a vitória no Calderón, na penúltima jornada. O jogo da consagração, na última ronda, permitiu ao clube despedir-se de forma conveniente de um dos jogadores mais marcantes da sua história, Xavier Hernández i Creus, mais conhecido como Xavi Hernández. Um momento bonito. Um dos mais emblemáticos da temporada. A despedida de um dos três jogadores espanhóis mais importantes de sempre, lado a lado com Gento e Luis Suárez Miramontes. Alguém que personificou uma época no clube. Mais de uma década de qualidade de passe e inteligência no terreno de jogo, que terminou com um total de vinte e quatro títulos conquistados ao serviço do clube (podem ser vinte e cinco se os blaugrana vencerem a Liga dos Campeões), distribuídos por: 8 campeonatos de Espanha (98-99, 04-05, 05-06, 08-09, 09-10, 10-11, 12-13 e 14-15), 6 Supertaças Espanholas (05-06, 06-07, 09-10, 10-11, 11-12 e 13-14), 3 Copas del Rey  (09-10, 11-12 e 14-15), 3 Ligas dos Campeões (05-06, 08-09 y 10-11), duas Supertaças Europeias (09-10 e 11-12) e 2 Mundiais de Clubes (09-10 e 11-12). Sem margem para dúvida, um dos grandes!

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AS DIVERSAS BATALHAS

Os grandes adversários do Barcelona na luta pelo título espanhol foram as duas maiores equipas da capital. O Real Madrid, apesar de um início de temporada atribulado (derrotas no Anoeta e no Bernabéu frente aos colchoneros) arrancou para uma incrível série de vitórias, sendo apenas travado no primeiro jogo de 2015, na deslocação ao Mestalla. Seguiram-se mais quatro vitórias até que chegou um dos momentos mais humilhantes da temporada, quando na visita ao Calderón os merengues foram vergados por uns contundentes 4-0. A derrota pesada, aliada a uma exibição deplorável, fizeram soar os alertas na capital. O empate frente ao Villarreal, bem como a derrota no San Mamés, a duas jornadas da visita ao Camp Nou, encontro que os merengues perderam por 2-1, ditaram o afastamento irremediável da liderança, apesar da esperança que o empate catalão em Sevilha ainda trouxe para os blancos. Porém, o empate caseiro frente ao Valência deitou tudo a perder. Pelo terceiro ano consecutivo o trofeu de campeão nacional fugiu do museu do Real Madrid. Tal facto, aliado ao afastamento da Liga dos Campeões perante a Juventus, ditou a saída de Ancelotti do comando técnico do clube, lugar que irá pertencer a Rafa Benítez.

O técnico italiano ficará associado a um dos momentos mais importantes da história do Real Madrid, com a conquista da 'La Décima'. Contudo, a temporada não correu de feição a Carletto. Os títulos, esses grandes pormenores, escaparam-lhe por entre os dedos. Apenas conquistou a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes, competições menores tendo em conta a grandeza do Real Madrid. As lesões de alguns dos seus jogadores mais influentes, casos de Modric, James Rodríguez e Benzema, condicionaram a segunda metade da temporada, já que os seus respectivos substitutos não apresentaram uma qualidade correspondente aos jogadores lesionados. A escassez de rotatividade do plantel na primeira metade da temporada (ficou a sensação que a tentativa de bater o recorde mundial de vitórias consecutivas influenciou em demasia as escolhas de Ancelotti) deixou alguns elementos visivelmente fatigados. O caso de Kroos foi o mais evidente. O alemão, peça-chave durante os primeiros meses, baixou bastante de rendimento na segunda metade da temporada, o que juntamente com o afastamento de Modric, deixou o meio campo merengue órfão de capacidade física, algo fundamental para o esquema de Ancelotti. Sistema esse que pecou pela insistência no 'juego de bandas', algo que com as características dos avançados disponíveis (Benzema e Chicharito) tornou o futebol do Real Madrid bastante previsível. Contudo, não podemos esquecer que estamos a falar do melhor ataque do campeonato, muito à custa do faro goleador de Cristiano Ronaldo. Mas em contrapartida, da quinta melhor defesa da competição.

Mais a sul, nas margens do Manzanares, o campeão não foi capaz de revalidar o título. Um bi-campeonato que já foge ao Atlético de Madrid desde o período 1949-51. O conjunto de Simeone, com algumas mudanças no onze base, fruto das transferências milionárias de alguns elementos, reforçou-se com vários jogadores de qualidade mas ficou arredado da luta pelo primeiro lugar bem cedo. Apesar de não ter perdido nenhum dos jogos frente ao grande rival, os colchoneros foram deixando pontos preciosos pelo caminho, sendo que a partir da jornada 12, estabilizaram naquela que seria a sua posição final, o terceiro posto. Posição que Simeone, depois do empate caseiro frente a um dos rivais directos, o Valência, fez questão de assumir que era o grande objectivo da temporada para o clube. "Ojalá que cuando termine la Liga nos encontremos en ese lugar que el club quiere y nosotros también queremos, que es el tercer puesto". 

O conjunto da capital voltou a conseguir o apuramento para a Champions League. Será o terceiro ano consecutivo que a maior competição europeia de clubes irá contar com os colchoneros, feito inédito na história do clube. Simeone e os seus pupilos voltaram a apostar na combatividade e especializaram-se numa componente bastante importante e por vezes decisiva no futebol moderno, as bolas paradas ofensivas, jogada que hoje em dia traz sempre o nome do clube à baila. Somaram setenta e oito pontos, menos doze do que na temporada anterior, mas com a quarta melhor média de sempre na história do clube. Em termos individuais a temporada não foi famosa. A equipa valeu sempre pela sua solidez colectiva, mas, a destacar alguém terá de ser o francês Griezmann. O avançado resgatado aos bascos da Real Sociedad esteve em grande forma e acabou a Liga Espanhola como terceiro melhor marcador (a par de Neymar) com vinte e dois golos apontados, sendo eleito pelos adeptos como o jogador do ano do clube. Em suma, uma temporada positiva, com um troféu conquistado (Supertaça Espanhola) e que deixou bem vincado o crescimento sustentado do clube.

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Na luta pelo playoff de acesso à Liga dos Campeões a luta foi intensa entre o Valência e o Sevilha. Os che, comandados pelo português Nuno Espírito Santo cumpriram o objectivo primordial (seria um fracasso a ausência do clube face ao investimento efectuado no reforço do plantel) e asseguraram a quarta posição a dez minutos do fim do campeonato, quando Paco Alcácer marcou o golo que deu a vitória à equipa na deslocação ao terreno do Almería. O conjunto de NES, que foi um osso muito duro de roer frente aos adversários mais cotados - perdeu algo injustamente no duplo confronto com o Barcelona, venceu e empatou com o Real Madrid, tal como no duplo duelo com o Atlético - foi uma equipa que apresentou duas faces distintas durante a competição. Ora minimalista, como a comunicação social espanhola chegou a apelidar, ora empolgante e ofensiva. Com Diego Alves intratável na baliza, a dupla de centrais mais consistente do futebol espanhol e as zonas laterais bem ocupadas com Barragán e com o prodígio Gayá, os che acabaram a temporada como a terceira defesa menos batida da competição. Na zona de meio campo, Parejo e André Gomes formaram uma parelha de grande qualidade técnica e muito intensa (principalmente o português), enquanto no ataque, as opções foram variando, mas onde se destacou o tridente Feghouli, Piatti (sempre que esteve disponível) e Alcácer. Sem dúvida uma temporada muito positiva para o Valência, que foi inclusivamente a equipa que melhorou mais em relação à campanha de 2013-14, aumentando em vinte e oito pontos a sua pontuação. A curiosidade em relação à próxima temporada é grande, principalmente no que diz respeito aos reforços que a dupla Lim-Mendes poderá fazer aterrar na Comunidade Valenciana.

Já o Sevilha voltou a protagonizar uma temporada de enorme qualidade com Emery ao comando. Alicerçado em três factores fundamentais: a fortaleza do Sánchez Pizjuán, a rotatividade implementada pelo técnico basco e pela grande qualidade de algumas peças-chave. A sequência invencível da equipa nos jogos caseiros foi impressionante. Um total de trinta e quatro partidas sem conhecer o sabor da derrota no somatório de todas as competições (mais de um ano) permitiram ao conjunto andaluz chegar à 35ª jornada da prova como única equipa invicta em casa na competição. A derrota frente ao Real Madrid em nada veio beliscar o extraordinário trajecto da equipa, que demonstrou invariavelmente uma grande determinação, para além de um futebol bastante ofensivo, com combinações constantes nos flancos e muito envolvimento da zona média. O facto de existir bastante qualidade nas segundas linhas permitiu a Emery gerir da melhor forma o esforço físico dos seus atletas, factor que se revelou determinante na recta final da competição, bem como na conquista europeia do clube. O título da Liga Europa (o segundo consecutivo e o quarto no seu historial) irá permitir aos andaluzes disputar a Liga dos Campeões na próxima temporada. Um feito para o futebol espanhol, que contará com cinco equipas na maior prova europeia de clubes. Em termos de qualidade dos seus elementos, os nomes de Trémoulinas, Aleix Vidal, Krychowiak, Banega, Vitolo e Carlos Bacca foram sem dúvida aqueles que mais se destacaram durante a temporada. O lateral francês fez esquecer Alberto Moreno com a sua capacidade de apoio ao ataque, aliada a uma resistência física fora do comum. Sobre Vidal já muito se falou, inclusivamente aqui no blog. Tremenda segunda metade de temporada do (agora) lateral catalão, uma adaptação feliz de Emery (mais uma), e que valeu ao jogador uma convocatória de Del Bosque. Krychowiak e Banega preencheram o meio campo da equipa. O polaco com a sua capacidade física e o argentino, recuperado mentalmente por Emery, com toda a sua qualidade de passe e capacidade de temporizar o jogo. Na frente, Vitolo e Bacca. Se o espanhol foi o elemento mais desequilibrador no 1x1, o colombiano desequilibrou constantemente o marcador a favor do Sevilha com os seus golos. Bacca facturou por vinte vezes na Liga Espanhola e ajudou o clube a bater o recorde de golos apontados numa só temporada. O Sevilha alvejou as redes adversárias com sucesso por 119 ocasiões no total das competições, mais seis vezes do que em 2007-08. Terminaram no quinto posto com setenta e seis pontos, um máximo histórico para um quinto classificado na Liga Espanhola.


Sobre o sexto classificado, o Villarreal, dedicamos algumas palavras mais abaixo no artigo. A luta pelo sétimo posto, o último de acesso à Liga Europa, foi intensa. Athletic, Málaga, Celta de Vigo, Espanyol e mesmo o Rayo Vallecano, lutaram até ao fim pela última vaga europeia. O feliz contemplado foi o Athletic. Os leones, depois de um arranque terrível (chegaram a estar na 18ª posição durante duas jornadas) foram capazes de atingir o objectivo mínimo da época, que passava pelo apuramento para as competições europeias. Alicerçados em Laporte, San José, Mikel Rico e o matador Aduriz, os comandados de Valverde tornaram-se, a partir da jornada 26, um sério candidato à Europa quando subiram ao oitavo posto. Porém, a distância pontual para o Málaga parecia insuperável. A queda de forma dos boquerones na recta final permitiu a aproximação dos leones, e a duas jornadas do final, a ultrapassagem final. Tremenda a capacidade de superação de uma equipa que pelo meio perdeu o seu grande desequilibrador, Muniain. Valeu Iñaki Williams a Valverde. O jovem basco, que surgiu no plantel principal na segunda metade da temporada, foi o grande agitador da equipa na ausência de Muniain. E claro, os dezoito golos de Aduriz não podem ser retirados da equação, de tão decisivos que foram. Nota ainda para Iraola. O jogador basco abandonou o Athletic ao fim de uma ligação de quatorze anos. Completou 510 jogos oficiais pelo clube, o quarto jogador com mais partidas na história da equipa basca. A homenagem proporcionada pelo clube e adeptos, no último jogo da Liga, foi bonita e de grande simbolismo.

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Atrás do Athletic ficou uma das equipas que praticou o futebol mais atractivo do campeonato, o Celta de Vigo. O conjunto galego apostou em Berizzo para substituir Luis Enrique e a aposta foi certeira, já que Berizzo acabou a época com mais dois pontos do que o técnico asturiano. O ex-adjunto de Bielsa construiu um onze muito equilibrado, com Sergio Álvarez na baliza, Hugo Mallo e Cabral (entre outros) na zona defensiva, o dinâmico Augusto Fernández no miolo, sempre bem acompanhado pelo refinado dinamarquês Krohn-Dehli (de saída para o Sevilha). O ataque foi sem dúvida a zona mais em foco na formação de Vigo. Muito por culpa de Nolito, alvo de uma análise em Setembro último. O extremo espanhol voltou a protagonizar uma temporada acima da média (melhor extremo esquerdo espanhol da Liga) com os seus golos, assistências e diagonais ziguezagueantes. Apontou treze golos e fez onze assistências, contribuindo directamente para vinte e quatro dos quarenta e sete golos da equipa na prova. Juntamente com Orellana, Larrivey, Charles e Santi Mina, trouxeram dinamismo e explosão a zona ofensiva da equipa. Apesar do bom futebol o lugar europeu ficou adiado. As boas exibições do início e final de época, contrastaram com a sequência negativa que o clube atravessou após a estrondosa vitória no Camp Nou. Ao todo foram onze jornadas sem conhecer o sabor da vitória. Sequência que impossibilitou a almejada classificação. Porém, na retina de todos que acompanharam a Liga com regularidade, ficaram os belos espectáculos proporcionados e que todos esperam ver repetidos na próxima temporada.

O Málaga terminou de forma inglória uma temporada que, ainda assim, se pode considerar positiva. O conjunto orientado por Javi Gracia permaneceu em zona europeia durante vinte e quatro semanas, mas no fim, terminou a época na nona posição da tabela classificativa. Com Kameni em grande forma, Rosales muito dinâmico na lateral direita, Camacho e Darder como pêndulos do meio campo, e os canteranos Samu García, Samu Castillejo e Juanmi na zona atacante, os boquerones praticaram, por vezes, um futebol bastante ofensivo, e que deliciou as bancadas do La Rosaleda. Pecaram pela irregularidade. Foram uma equipa capaz do melhor e do pior. Venceram o Valência em casa e o Barcelona no Camp Nou. Trucidaram o Rayo Vallecano naqueles que foram os melhores quarenta e cinco minutos de toda a temporada. Por outro lado, saíram goleados da deslocação ao terreno do Levante e permitiram ao Elche celebrar a vitória que garantiu matematicamente a manutenção aos ilicitanos em pleno La Rosaleda. Contudo, o projecto do clube é meritório. Com as finanças no vermelho, a austeridade apoderou-se da contas dos boquerones. A aposta na formação foi um passo inevitável. E ao que parece, um passo com futuro.

Por último, o Espanyol. Uma formação que, tal como a grande maioria dos clubes de menor nomeada do campeonato espanhol, vive dias complicados financeiramente. Com Sergio González no comando técnico os catalães, na sua primeira experiência como técnico de Primeira Divisão, os periquitos viveram momentos distintos na temporada que agora terminou. Se na primeira metade o clube permaneceu na parte baixa da classificação, sem dar mostras de ter capacidade para muito mais, a paragem natalícia funcionou na perfeição para revitalizar a moral das tropas catalãs. Com um trio de ataque letal - constituído por Sergio Garcia, Stuani e Caicedo, autores de trinta e cinco dos quarenta e sete golos marcados pelo Espanyol na Liga - sempre bem servidos pela flecha Lucas Vázquez, os periquitos apresentaram um futebol bastante intenso, que lhes permitiu atingir o melhor registo pontual e classificativo das últimas quatro temporadas. A presença na final da Copa del Rey também esteve quase a ser uma realidade, mas Aduriz e o seu Athletic trocaram as voltas à afición catalã.

A luta pela permanência durou até ao momento em que Diogo Salomão empatou a partida que opôs o Barcelona ao Deportivo no Camp Nou, a cerca de dez minutos do final. Por essa altura, já o Córdoba tinha confirmado a descida à Liga Adelante há várias semanas e o Almería perdia frente ao Valência. Os califas protagonizaram mesmo a pior volta de sempre na história da Liga Espanhola. Conquistaram apenas dois pontos, factor revelador de que o projecto escolhido pela direcção não foi o mais adequado. O Almería, apesar das melhorias evidentes com Sergi no comando técnico, era a equipa com o calendário mais complicado teoricamente e como tal, a descida não foi uma surpresa. Surpreendente foi o Granada. A equipa esteve praticamente despromovida, mas com Sandoval conseguiu uma manutenção histórica, muito graças a El-Arabi, que resolveu aparecer justamente quando foi necessário. O Depor, mesmo com uma segunda volta demasiado fraca para uma formação com o seu estatuto (quatorze jogos sem vencer), irá permanecer na Liga Espanhola e afasta assim a ideia do 'elevador', apelido pelo qual é conhecido nos últimos anos, devido às subidas e descidas constantes de divisão. Em relação à outra equipa que irá acompanhar o Córdoba e o Almería ainda existem dúvidas. O Eibar ficou na antepenúltima posição, mas os problemas financeiros do Elche podem trazer novidades. A última decisão foi desfavorável aos ilicitanos, que prometeram recorrer da mesma. Aguardaremos por novidades.

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EQUIPA REVELAÇÃO

Rayo Vallecano - Paco Jémez foi o expoente máximo de uma temporada de grande nível e sem sobressaltos por parte da formação da capital. O técnico espanhol construiu uma equipa quase de raiz (apenas com sete elementos da campanha anterior), com muitos jogadores emprestados e outros adquiridos a um custo quase irrisório devido aos graves problemas financeiros que a formação atravessa, mas competitiva. Mérito total para Jémez, que com muito menos recursos do que os seus opositores, continuou sempre fiel ao seu estilo e vincou uma posição de destaque no futebol do país vizinho. A filosofia da equipa esteve sempre bem definida. Uma equipa pequena que joga como um grande. Posse, pressão, ataque. Paco Jémez sempre se mostrou irredutível em relação a mudanças de estilo. “Es mi manera de ver el fútbol y, como todas las fórmulas, es válida. Mientras yo sea el entrenador del Rayo jugaremos así. El día que el club crea que se puede hacer de otra manera, tendrán que traer a otro”. Alicerçado em três elementos fundamentais - Trashorras, a extensão do treinador no terreno de jogo e o jogador com mais passes efectuados na Liga pelo segundo ano consecutivo (2556, 78 por jogo), Bueno, o avançado mais móvel mas também o mais goleador (dezassete golos), e em Kakuta, emprestado pelo Chelsea, que foi o elemento mais desequilibrador da equipa, e que acabou a temporada com cinco golos e sete assistências - o futebol do Rayo Vallecano foi um dos mais agradáveis de seguir em Espanha. Tudo isto apesar do conjunto de Vallecas ter terminado a temporada com mais derrotas do que vitórias (19 vs 15). O facto de ter somado apenas quatro empates (estiveram trinta e uma jornadas sem dividir pontos com o adversário) reflecte de certo modo a estratégia da equipa. Se poderiam ceder ao pragmatismo e tentar conquistar pontos nas deslocações ao recinto dos grandes? Sem dúvida, mas isso não faz parte da estratégia do técnico espanhol. "Yo le digo a mis jugadores: ‘¡Los empates no valen absolutamente para nada!’. Si el partido acaba en empate acabo más jodido que si he perdido. El año pasado empatamos cuatro partidos y el anterior tres. Los jugadores lo saben: el día que nosotros empatemos 12 partidos bajamos a Segunda. Es matemática pura. Si empatamos 12 quiere decir que nos quedan 26 para ganar o perder. De esos 26 tendríamos que ganar como mínimo 10 o 12 para que las cuentas nos salgan. Yo quiero ganar o perder. En los dos años que llevo aquí solo han ganado más partidos que el Rayo el Barça, el Madrid, el Atlético, el Sevilla, el Valencia, la Real y el Athletic. Los siete grandes" disse Jémez em Novembro. Adorado por muitos, insuportável para outros tantos, um pouco 'loco' para todos, Jémez é o expoente máximo do romantismo no futebol. O jogar para vencer, independentemente do adversário e das armas que o mesmo dispõe. Para a nova temporada adivinha-se nova razia no plantel (apenas dez jogadores estão garantidos neste momento), mas na temporada 2014-15, Paco Jémez foi o melhor treinador da Liga Espanhola.

Elche - Tremenda segunda volta por parte do conjunto de Fran Escribá. Depois de terminar o ano de 2014 como lanterna vermelha da competição os ilicitanos transformaram-se por completo e asseguraram a manutenção a três jornadas do final, obtendo mesmo um incrível décimo terceiro lugar na tabela classificativa no final da prova. Muito mérito para o técnico da equipa - que mesmo com os problemas financeiros que assolam o clube, a mudança directiva a que o Elche foi sujeito durante a temporada e as divisões no balneário devido ao facto de alguns jogadores 'da casa' terem aceite uma melhoria salarial pese embora a debilidade nas finanças do clube - conseguiu manter o rumo bem definido e dar uma grande alegria aos indefectíveis adeptos que marcaram presença de forma constante no Martínez Valero, assegurando a segunda permanência consecutiva na Liga Espanhola. O clube jogará na La Liga pela terceira temporada consecutiva, algo que já não acontecia desde a década de 70'. Para tal, muito contribuiu o seu avançado de referência, Jonathas. O brasileiro foi, a par do guardião polaco Tyton, o melhor elemento da equipa com os seus golos e assistências. Foram quatorze as vezes que Jonathas conseguiu alvejar com sucesso as redes adversárias, um número que merece todo o destaque possível e que atraiu já os observadores de vários emblemas de renome no panorama europeu. Apesar das dificuldades, Escribá foi capaz de criar um núcleo base de jogadores com quem decidiu ir à luta, composto por Damián Suárez, Lombán, Enzo Roco, Fajr, Pasalic e Pedro Mosquera (quando esteve disponível), para além dos dois elementos já citados. E foram estes os grandes obreiros da manutenção. Uma permanência obtida com apenas onze vitórias e oito empate (dezanove derrotas), com destaque para os cinco triunfos fora de portas (recorde do clube), mas sobretudo para os três pontos conquistados no San Mamés, as duas vitórias sobre o Rayo Vallecano e o triunfo no La Rosaleda. Porém, o jogo mais emblemático da temporada do Elche foi a recepção ao Deportivo na jornada 34. Um encontro encarado como uma final por parte dos comandados de Escribá e em que o conjunto da casa sufocou por completo os galegos e despachou o adversário directo na luta pela permanência com uns contundentes 4-0 (maior vitória do clube na Liga Espanhola desde 1966-67), assegurando praticamente a manutenção. Em suma, uma temporada extremamente positiva, tendo em conta todos os factores de negativos e de tensão que envolveram o dia a dia do clube. Contudo, o Verão será quente em Alicante. As dívidas ao fisco podem relegar o clube para a Liga Adelante. O presidente já afirmou que estará tudo regularizado a tempo e horas. A primeira decisão foi negativa, mas o clube promete recorrer. Os indefectíveis adeptos assim o esperam.

10 Revelações da Liga Espanhola

elconfidencial
diarioinformacion
 

EQUIPA CONFIRMAÇÃO

Villarreal - Mais uma temporada fantástica do Submarino Amarillo. Novamente com Marcelino no comando técnico, o Villarreal ofereceu aos adeptos do futebol positivo alguns dos melhores momentos da época em Espanha. Com uma equipa muito organizada em todas os sectores, um estilo de jogo atractivo e muito entretido - que consiste em combinações constantes entre os jogadores e uma fixação pelo futebol de posse, mas sem descurar os contra ataques rápidos - Marcelino apurou a equipa da Comunidade Valenciana para as competições europeias pelo segundo ano consecutivo, para além de ter chegado às meias finais da Copa del Rey (eliminado pelo vencedor, o Barcelona) e atingido os oitavos de final da Liga Europa, onde também foi eliminado pelo vencedor, o Sevilha. O técnico promoveu a rotatividade do plantel durante a temporada, mas, talvez por não dispor de tanta profundidade como por exemplo Emery na Andaluzia, a equipa quebrou na altura crucial (Fevereiro/Março). Mas não sem antes obter duas sequências incríveis e históricas para o clube: dezoito jogos oficiais seguidos sem perder (dez na La Liga), até à primeira visita ao Camp Nou, no início de Fevereiro, em jogo a contar para a Liga Espanhola (3-2), e uma sequência absolutamente fabulosa de vinte e oito encontros oficiais consecutivos sempre a marcar, até que o Rayo Vallecano de Paco Jémez travou o Submarino a meio de Fevereiro em Vallecas (2-0). A partir daqui a equipa cedeu. A lesão do seu pêndulo e líder, Bruno Soriano, os problemas físicos do seu extremo mais desequilibrador Cheryshev, bem como a descida de forma do seu elemento-mais do ataque, o prodígio Vietto, ditaram um quebra abrupta de rendimento, levando uma formação que se encontrava na luta pelo playoff de acesso à Champions League a apontar baterias para o sexto lugar. O Submarino Amarillo acabou mesmo a temporada com uma sequência negativa de nove jogos sem vencer, partidas onde só foi capaz de marcar por duas vezes, ambas de bola parada, até à vitória sobre o Elche, a duas jornadas do fim, na estreia de Joel Campbell a marcar ao serviço do clube. Tudo, e seguindo a lei de Murphy, depois da lesão grave do guardião Asenjo, uma das figuras fundamentais da boa campanha da equipa, juntamente com Mario Gaspar, Gabriel Paulista (na primeira metade da época), Musacchio, Manu Trigueros, e os três elementos já referidos em cima, sem dúvida os mais preponderantes do esquema de Marcelino. Mas contudo, e apesar de um último terço menos exuberante, a distinção é totalmente merecida. Em várias alturas da temporada, o Villarreal foi, a par do Rayo Vallecano e do Celta de Vigo, a formação que melhor futebol praticou na Liga Espanhola.

CINCO CONFIRMAÇÕES

Rubén Pardo (Real Sociedad)

'La perla de Zubieta'. Um dos melhores jogadores a sair do centro de formação do clube basco nos últimos anos. Apelidado pela revista FourFourTwo como o novo Xabi Alonso, é ainda relativamente jovem (22 anos) mas joga como um veterano. Qualidade de passe (curto ou longo), noção de posicionamento acima da média, e uma aptidão para a marcação de bolas paradas, fazem de Rubén Pardo um dos melhores jogadores da Liga Espanhola fora das equipas grandes. Já ultrapassou os 100 jogos aos serviço do clube, mas esta temporada, e principalmente após a chegada de Moyes, cimentou a sua influência na equipa e confirmou todas as credenciais que fizeram dele uma das maiores promessas do futebol espanhol. Mais maduro no aspecto defensivo, alinhou em vinte e oito partidas durante a temporada, encontros onde apontou um golo (belo remate de fora da área no La Rosaleda) e assistiu os seus companheiros em seis ocasiões, para além de ter criado vinte e sete ocasiões de golo iminente. Já foi associado ao Real Madrid, Liverpool e Manchester United. O clube tenta agora renovar o seu vínculo, que termina em 2016. Talvez a presença de um treinador que confia plenamente nas suas capacidades como David Moyes seja o suficiente para convencer o jogador a renovar contrato com o clube do coração.

Vitolo (Sevilha)

Foi, a par de Reyes, o grande desequilibrador do Sevilha. Aos vinte e cinco anos, o extremo natural de Las Palmas confirmou as expectativas e potencialidades que demonstrou na sua  primeira temporada ao serviço dos andaluzes. Extremo moderno (pode alinhar como avançado) joga de cabeça levantada e procura bastantes vezes os movimentos interiores, de forma a permitir o overlap do lateral ou as combinações com o pivot ofensivo. Alinhou em vinte e oito encontros (vinte e cinco como titular) e ofereceu três golos aos seus companheiros de equipa, para além de ter feito o gosto ao pé em seis ocasiões. A boa temporada valeu-lhe o reconhecimento do seleccionador e a respectiva convocatória para a La Roja. Ele que no encontro frente ao Villarreal, a contar para a Liga Europa, apontou o golo mais rápido de sempre da competição, quando abriu o activo no El Madrigal aos 13,21 segundos de um jogo que os andaluzes venceram por 1-3.

Juanmi (Málaga)

Uma das mais recentes pérolas da formação dos boquerones, Juan Miguel Jiménez López já fazia história na Liga Espanhola com dezassete anos de idade, quando na estreia ao serviço do Málaga apontou dois golos, tornando-se o mais jovem de sempre a bisar na competição como estreante. Após algum impasse na carreira, motivados pela presença de jogadores de grande nível para a posição, explodiu definitivamente na última temporada. Apontou oito golos (melhor marcador da equipa), apesar da lesão no ombro que motivou uma paragem de dois meses. Del Bosque, atento, convocou Juanmi para a La Roja, fazendo do jogador o sétimo nascido e criado em Málaga a ter o privilégio de envergar a camisola da selecção nacional, depois de Migueli, Esteban, Juanito, Fernando Hierro, Isco e Camacho. Actua predominantemente como segundo avançado e é dono de uma grande agilidade para além de um poder de drible acima da média, bem como uma aceleração fulminante. Já foi associado ao Atlético de Madrid, mas ao que tudo indica vai continuar às ordens de Javi Gracia.

Mikel San José (Athletic)

Grande temporada do jogador navarro ao serviço dos leones. A melhor da sua carreira em termos estatísticos. O polivalente jogador passou de um bom defesa central a um excelente médio defensivo, fortíssimo no jogo aéreo na capacidade de desarme. O campeão europeu de sub-21 em 2011, juntamente com Javi Martínez, De Gea, Mata, Thiago, etc, (foi também vencedor da competição no escalão de sub-19) encontrou o caminho das redes adversárias por cinco ocasiões, e demonstrou sempre ser umas das melhores armas nas bolas paradas da equipa. A falta de velocidade é compensada com a sua forte noção de posicionamento defensivo e Del Bosque, mais uma vez, voltou a demonstrar toda a sua atenção, ao convocar San José para os compromissos do fim de Março, bem como para o duplo confronto da La Roja, com a Costa Rica (amigável) e Bielorrússia (qualificação para o Euro 2016). Com contrato até 2018 e uma clausula de rescisão de 35 milhões de euros, somente uma proposta irrecusável poderá tirar do San Mamés o jogador que marcou o primeiro golo oficial do novo recinto dos leones, em Setembro de 2013, frente ao Celta de Vigo.

Mario Gaspar (Villarreal)

Determinante na manobra ofensiva do Submarino Amarillo. O lateral espanhol protagonizou a sua melhor temporada ao serviço do clube que já representa a nível sénior desde os dezassete anos. A prova disso é o facto do seu nome ter passado a figurar nas shortlists dos grandes clubes, cada vez que um lateral direito está em vias de ser transferido. A associação ao Barcelona, Real Madrid e Liverpool durante a época são a prova cabal de tal afirmação. Muito inteligente e disciplinado na abordagem defensiva, ganhou um novo impulso na vertente ofensiva, incorporando-se com naturalidade na manobra de ataque do conjunto de Marcelino. Os três golos apontados na Liga Espanhola (cinco no total das competições), todos obtidos dentro da área adversária, demonstram a sua aptidão atacante. Com contrato até 2019, já foi referido pelo Planeta Desportivo em Novembro último como um dos jogadores a seguir na prova. O tempo fez questão de provar que a aposta estava correcta.

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EQUIPA DESILUSÃO

Real Sociedad - Temporada muito aquém das expectativas por parte dos txuri-urdin. Começou mal, com a eliminação na pré-eliminatória de acesso à Liga Europa frente ao Krasnodar, e continuou intermitente, com o conjunto basco a nunca conseguir justificar os pergaminhos que a levaram ao sétimo lugar em 2013-14. A politica de contratações não pareceu a mais adequada. Apesar da grande temporada de Rulli no lugar de Bravo, a saída de Griezmann deixou o ataque basco órfão de um goleador que Finnbogasson não foi capaz de ser. As lesões também não ajudaram e afectaram aquele que é o seu elemento mais desequilibrador, Carlos Vela. A saída de Jagoba Arrassate no início de Novembro, após a derrota no Anoeta frente ao Málaga, foi a última tentativa da direcção da Real Sociedad para trazer estabilidade a um conjunto que penava pelo fundo da tabela classificativa. Os bascos estavam na antepenúltima posição na altura do despedimento, com apenas uma vitória conquistada em dez jornadas. Curiosamente uma vitória caseira sobre o Real Madrid. A opção recaiu sobre David Moyes, técnico escocês com uma carreira marcada pela ineficácia na substituição de Alex Fergunson e por uma passagem meritória pelo Everton. Pelo meio Asier Santana dirigiu a equipa na recepção ao Atlético de Madrid e venceu. Aliás, este foi o core business da equipa basca. Com a chegada de Moyes os txuri-urdin passaram a apostar tudo nos encontros disputados no Anoeta e foi através dos bons resultados obtidos em casa que a salvação chegou, apesar de nem sempre o futebol apresentado ter sido o mais atractivo. Algo perfeitamente natural tendo em conta o facto de Moyes ter chegado com a temporada a decorrer. A Real Sociedad venceu quatro dos cinco primeiros classificados da Liga no seu reduto (apenas o Valência saiu vivo do Anoeta, com uma igualdade a uma bola). Mas o principal problema da equipa foram os jogos fora de portas. O conjunto de Moyes só conseguiu ser melhor do que o último classificado, o Córdoba, na prestação como forasteiro. Apenas duas vitórias, ambas na área de Madrid: a primeira na 27ª jornada, no terreno do Getafe, pela margem mínima e a segunda na jornada de encerramento da competição, em Vallecas. O timoneiro escocês permanecerá, ao que tudo indica, no comando técnico dos txuri-urdin e com margem de manobra suficiente para construir uma equipa à sua imagem. As nuvens negras parecem estar a afastar-se de San Sebastián. Mas não apagam a prestação negativa ao longo da temporada.

Eibar - Uma das minhas personal favourites. Confesso que senti alguma tristeza por ver os armeros de volta à Liga Adelante. Uma formação que cumpriu escrupulosamente os requisitos para pertencer ao núcleo duro do futebol espanhol merecia permanecer na piscina dos grandes. Mas como no futebol o que conta geralmente é o que se passa no terreno de jogo, o Eibar só pode ser considerado uma desilusão. Mas apenas por ter subido demasiado as expectativas. Os bascos, vencedores da Liga Adelante na temporada transacta, aterraram na La Liga depois de um Verão complicado, em que tiveram que batalhar para assegurar os parâmetros necessários para disputar a competição. O esforço foi recompensado e no dia 24 de Agosto o Ipurua recebeu a Real Sociedad para o primeiro jogo de sempre do clube na Liga Espanhola. O golo de Javi Lara à passagem do minuto 45' levou ao delírio a afición basca e catapultou a equipa treinada por Garitano para uma primeira volta absolutamente incrível. Os armeros terminaram a primeira metade da competição como a melhor equipa por entre as formações bascas, ocupando um fabuloso oitavo lugar. Mas a partir de Janeiro a queda foi abrupta. A saída de um dos seus esteios defensivos, Raúl Albentosa, rumo ao Derby County, bem como o fim do efeito surpresa (os adversários perceberam qual a melhor estratégia para anular a combatividade basca) levaram a uma sequência extremamente negativa, que culminou com o décimo oitavo posto e consequente despromoção. O conjunto de Garitano somou apenas oito pontos em cinquenta e sete possíveis. Um registo demasiado medíocre. As questões financeiras de alguns conjuntos (Elche e Getafe), que podem implicar uma despromoção na secretaria, ainda deixam o clube com uma réstia de esperança na manutenção. Em sofrimento enquanto a decisão final não é conhecida. Mais um Verão de luta portanto.

CINCO DESILUSÕES

Guillermo Ochoa (Málaga)

Chegou ao La Rosaleda com uma cotação bastante alta depois de uma tremenda prestação no Mundial do Brasil. Mas terminada a temporada, já poucos se lembram dos reflexos felinos com que 'Memo' nos brindou nos relvados sul-americanos. Perdeu a luta pela titularidade para o 'loco' Kameni e não alinhou qualquer minuto na prova. Apenas deu um ar da sua graça na Copa del Rey, competição em que alinhou como titular em seis ocasiões, sofrendo o mesmo número de golos. Muito pouco para um dos nomes fortes do mercado de Verão em Espanha. A sua continuidade no clube é uma incógnita. Os rumores acerca de uma transferência sucedem-se. Ele que reencarnou Gordon Banks no Mundial do Brasil.

Borja Viguera (Athletic)

De melhor marcador da Liga Adelante para uma passagem quase invisível pelo Athletic. É desta forma que podemos definir o último ano de Borja Viguera. O avançado basco, que na temporada 2013-14 apontou vinte e cinco golos ao serviço do Deportivo Alavés, chegou ao San Mamés com fama de goleador mas não foi capaz de fazer jus às credenciais que trouxe. Apesar da concorrência do Prémio Zarra da temporada, o matador Aduriz, Borja Viguera não demonstrou capacidade para ser um substituto à altura do número 20 dos leones, algo inconstante em termos físicos (contraiu algumas lesões musculares). Viguera alinhou em vinte partidas (dez como titular e dez como suplente utilizado), mas apenas encontrou o fundo das redes adversárias numa ocasião, apesar dos 958 minutos que dispôs no conjunto de Ernesto Valverde. Paupérrimo.

Álvaro Negredo (Valência)

O poderoso avançado espanhol não foi feliz no seu regresso a Espanha. Aquele que Emery exigiu à direcção na sua passagem pelo Almería (“En Segunda nos enfrentábamos cada 15 días al rival que el Castilla dejaba. Entonces, en esa coincidencia, yo analicé y vi los 42 partidos que jugó Negredo. Así que cuando ascendimos a Primera, le dije al presidente que era una apuesta segura”) teve uma passagem discreta pelo quarto classificado da Liga Espanhola. Os problemas físicos e a aposta de Nuno Espírito Santo em Paco Alcácer relegaram Negredo para o banco de suplentes. Figura de segundo plano nos che, perdeu inclusivamente o comboio da La Roja. Alinhou em trinta partidas, mas mais de metade fê-lo como suplente utilizado. Apontou cinco golos em 1530 minutos disputados na competição. Números pouco relevantes para um jogador avaliado em 22 milhões de euros pelo portal Transfermarkt.

Gerard Deulofeu (Sevilha)

“Tiene cualidades increíbles, pero carece de otras. Ponle en un uno contra uno… Pero si le haces jugar en equipo todo se complica. No tiene madurez ni capacidad de sacrificio todavía”. Foi desta forma que Unai Emery definiu Deulofeu em entrevista recente ao The Guardian. Mas a incompatibilidade entre ambos começou há mais tempo. Em Janeiro, quando o extremo emprestado pelo Barcelona demonstrava a sua insatisfação nas redes sociais, Emery ripostou: "Esto es como una escalera para subir. Si se para, se puede caer. Lo bueno es que hay una consciencia en él de continuar, de ser constante...". Em suma, uma temporada muito inconstante por parte do extremo, quando tudo indicava que poderia ser umas das figuras da equipa da Andaluzia e que esta seria a temporada da sua explosão definitiva. Somou apenas 782 minutos, divididos em dez encontros como titular e sete como suplente utilizado. Marcou somente um golo, na vitória pela margem mínima sobre a Real Sociedad na quinta jornada. Pelo meio assistiu os seus companheiros em cinco ocasiões. As suas qualidades estão intactas, como foi possível comprovar nos compromissos recentes da La Rojita. Porém, não foi capaz de se afirmar no vencedor da Liga Europa. A continuidade no Sánchez Pizjuán foi descartada em Março pelo técnico: “Queremos que mejore conceptos grupales y que amplíe su juego no sólo en acciones individuales sino también defensivas y en conceptos de asociación ofensiva”. O regresso a Barcelona é o cenário que se segue. Resta perceber se conseguirá convencer Luis Enrique ou seguirá para um novo empréstimo, o terceiro da sua curta carreira.

Alfred Finnbogasson (Real Sociedad)

Chegou a San Sebastián com o rótulo de goleador, depois da conquista do galardão para melhor marcador da Eredivisie com vinte e nove golos, ao serviço do Heerenveen. Contudo, o avançado islandês não foi capaz de cumprir a tarefa de substituir Antoine Griezmann. O peso dos oito milhões de euros que a sua transferência custou aos cofres dos txuri-urdin, bem como a instabilidade no comando técnico da equipa, resultaram num período de adaptação demasiado grande, e significou uma temporada muito aquém das expectativas. Marco van Basten, por altura da transferência, teceu palavras bastante elogiosas sobre Finnbogasson: "I would compare [Finnbogason] to Ruud van Nistelrooy, Klaas-Jan Huntelaar and Jon Dahl Tomasson. He's cool, he has vision and a fine nose for goal. He could become a phenomenon.". Mas a realidade foi muito diferente. Apenas dois golos apontados na Liga Espanhola em vinte e cinco aparições, divididas em seis encontros como titular e dezanove como suplente utilizado. Totalizou apenas 785 minutos na prova. Mesmo com a concorrência de Agirretxe e Carlos Vela, exigia-se mais ao goleador islandês. Não é portanto uma surpresa o facto de Moyes e a direcção do clube estarem neste momento a tentar colocar o jogador num clube do campeonato francês, holandês ou inglês. Todos eles aparentam ser competições à medida das características de Finnbogasson.

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MELHOR ONZE

Claudio Bravo (Barcelona)

Melhor guarda redes da temporada em Espanha. Prémio Zamora da competição. Apenas dezanove golos sofridos em trinta e sete aparições. Só não foi titular na jornada da consagração, frente ao Deportivo, encontro esse em que Luis Enrique, de forma surpreendente, deu a titularidade a Masip em detrimento de Ter-Stegen. E a concorrência do tremendo guardião germânico só traz ainda mais mérito à prestação e consequente solidez de Claudio Bravo. Depois de várias temporadas ao serviço da Real Sociedad e das excelentes exibições com que brindou os espectadores no Mundial do Brasil, Bravo chegou a Barcelona com a difícil missão de fazer esquecer Víctor Valdés, e hoje, poucos se recordam do portero espanhol em Camp Nou. Grandes defesas, recordes de imbatibilidade (754 minutos sem sofrer golos, recorde da competição, batendo assim uma marca que datava de 1978), vinte e três clean sheats, e uma constante sensação de tranquilidade foram o apanágio da temporada de El Condor. Se durante a primeira metade da competição, o camaronês Kameni fez por merecer o estatuto de melhor guardião da prova, as (demasiadas) falhas do portero do Málaga na segunda fase da época permitiram, aos olhos do Planeta Desportivo, a ultrapassagem de Bravo (Kameni tem tanto de guardião felino como de 'loco' e isso custou pontos importantes ao boquerones). Decisivo nas alturas chave (quem não se recorda do penalty defendido a Parejo durante a visita do Valência a Camp Nou?), com um total de setenta e uma defesas, o que nos traz uma percentagem de 78,9% de remates defendidos, Claudio Bravo foi, indiscutivelmente, o melhor, mas acima de tudo o mais regular do campeonato espanhol numa posição de abundante qualidade.

Juanfran (Atlético de Madrid)

Mais uma temporada de grande consistência por parte do lateral espanhol. Se no flanco oposto Simeone teve bastante dificuldade em decidir qual seria o dono da posição (Siqueira, Jesús Gámez, Ansaldi e o jovem Lucas foram apostas de Cholo no decorrer da prova) a zona lateral direita da defesa colchonera teve um nome de referência, Juanfran. Mas não podemos deixar de referir desde já que esta foi uma das posições de mais difícil eleição. A concorrência era de peso. Dani Alves fez uma segunda metade de temporada a um nível bastante elevado, assumindo-se como um dos esteios do campeão com a sua disponibilidade defensiva e participação ofensiva, bem como Mario Gaspar, que manteve também uma regularidade impressionante, mas que acabou por ser prejudicado pelo mau momento que o Submarino Amarillo atravessou nos últimos meses da prova. Mas tal como na escolha do guardião, a opção recaiu pela regularidade e nesse aspecto Juanfran foi a escolha óbvia. Intransponível por vezes, Juanfran é, aos trinta anos de idade, o melhor lateral direito espanhol da actualidade. Alinhou em trinta e cinco partidas na competição (titular em trinta e quatro) e em nenhuma delas foi substituído por Simeone, cumprindo integralmente os noventa minutos de jogo. Com a sua apetência atacante (formou com Arda uma dupla muito combativa no flanco direito colchonero) assistiu os seus companheiros em quatro ocasiões, para além de ter criado trinta e duas ocasiões claras de golos que foram desperdiçadas. A fiabilidade não tem preço e como tal, o Atlético de Madrid tem Juanfran seguro com um contrato que finda em 2018.

Otamendi (Valência)

Melhor defesa central da temporada no futebol espanhol. El Mohicano protagonizou uma época fabulosa ao serviço do Valência de Nuno Espírito Santo, assumindo-se como o líder da defensiva che. Dominador pelo ar (apesar de ser relativamente baixo é dono de um impulsão fora do comum), muito forte na antecipação, não se mostrou inibido em demonstrar a sua excelente capacidade técnica na saída de bola, algo que faz como poucos no futebol mundial. Depois de uma curta passagem pelo futebol brasileiro, Otamendi voltou à Europa e afirmou-se como uma das grandes referências mundiais na posição que ocupa, suscitando o interesse de algumas das melhores formações do Velho Continente. Protagonizou exibições a roçar a perfeição nos encontros frente às grandes potencias da Liga, 'secando' por completo os grandes nomes atacantes do futebol espanhol. Com uma noção impecável do que é o posicionamento defensivo, uma percentagem de acerto nos passes longos a rondar os 80% e uma rapidez de fazer inveja a qualquer extremo que se preze, o central argentino também fez questão de fazer a diferença no plano ofensivo. Marcou seis golos em trinta e cinco aparições pelos che, um registo nunca antes alcançado por um defesa central do Valência numa edição da Liga Espanhola. Foi expulso apenas uma vez, na deslocação do Valência ao San Mamés, naquela que foi uma decisão tremendamente injusta por parte do árbitro do encontro. Formou com Mustafi a dupla de defesas centrais mais consistente e fiável da competição. Uma temporada memorável para Otamendi e que foi premiada com a presença na Copa América ao serviço da grande favorita à vitória final, a Argentina.

Piqué (Barcelona)

O melhor Piqué está de volta. Fabulosa prestação do defesa central espanhol na temporada que agora terminou. Quase intransponível pelo ar, fez uso da sua soberba capacidade no tackle para dominar junto à relva. Desarmes de elevada dificuldade, muita rapidez na reacção e um sem número de bloqueios e coberturas aos seus colegas da linha defensiva blaugrana fizeram do espanhol o esteio defensivo do conjunto catalão. Para além da contribuição defensiva, Piqué foi o primeiro construtor de jogo da equipa de Luis Enrique, com a sua soberba capacidade de passe (foi raro vermos aquele Piqué displicente e desconcentrado de outros anos), terminado a temporada com uma percentagem de 89% de acerto. Titular em vinte e seis encontros, número algo reduzido devido à rotatividade implementada pelo técnico asturiano na zona defensiva e no meio campo do Barcelona, Piqué apontou cinco golos na Liga Espanhola, sempre na sequência de lances de bola parada (pontapés de canto e livres laterais). Poucas faltas cometidas (vinte e quatro, menos de uma por jogo), raras foram as vezes em que foi admoestado pela equipa de arbitragem (apenas seis cartões amarelos na prova), números que sustentam o quão limpo foi Piqué durante última campanha. Não será exagero afirmar que é um dos cinco melhores do Mundo na sua posição. E se mantiver o nível que apresentou durante a temporada 2014-15, afirmar-se-á como um dos mais importantes jogadores da história do clube. Títulos e notoriedade não lhe faltam. A regularidade terá de ser a sua grande conquista.

Marcelo (Real Madrid)

Um dos melhores do Real Madrid 2014-15. Fantástica prestação do lateral brasileiro, principalmente na manobra ofensiva dos merengues. O defensor mais utilizado por Carlo Ancelotti durante a temporada foi incansável na condução e na criação de desequilíbrios, com os seus cruzamentos e dribles. Durante alguns encontros pareceu mesmo talhado para ser um número dez de grande qualidade, tal a forma como assumiu o jogo e as rédeas da produtividade ofensiva merengue. Sempre muito dinâmico, foi responsável por sete passes para golo durante a competição, para além de ter gerado cinquenta ocasiões que foram desperdiçadas pelos seus companheiros. Números incríveis para um lateral. A aptidão ofensiva criou e vai continuar a criar alguns problemas na recuperação defensiva. Não é segredo que o lado esquerdo da defesa merengue é o mais explorado pelos rivais. É o preço a pagar pela contribuição atacante. Contudo, foi o segundo defesa merengue com mais tackles bem sucedidos, superado apenas por Carvajal. Tudo na temporada em que ultrapassou Uli Stielik como segundo estrangeiro com mais jogos ao serviço dos merengues. Porém, ainda está muito longe de outro lateral brasileiro com grande tendência para atacar, Roberto Carlos, que vestiu a camisola do Real Madrid por 527 vezes.

Krychowiak (Sevilha)

Uma das contratações do ano em Espanha! O médio polaco aterrou na Andaluzia proveniente do futebol francês e justificou plenamente a aposta do director desportivo do clube, Ramón Rodríguez Verdejo, conhecido no mundo do futebol como Monchi, um dos pilares do projecto vencedor a nível europeu do Sevilha. Referido em Novembro último como um dos jogadores a seguir na competição, não desiludiu. Pelo contrário. Superou mesmo as expectativas de todos e assumiu-se como o grande pilar do meio campo de Emery. Muito poderoso fisicamente, é o primeiro a construir o jogo da equipa. Alia a tremenda capacidade posicional a um timming preciso na hora de abordar os lances, aéreos ou junto à relva. Determinante na trajectória fantástica do Sevilha, que culminou com a conquista da Liga Europa, terminou a temporada com uma percentagem de 81% de acerto de passe, um número bastante elevado para um médio defensivo possante. A sua importância ficou visível na recepção ao Real Madrid. O médio polaco esteve cerca de sete minutos a receber assistência junto à linha lateral devido a uma lesão na face e foi nesse período que os merengues se adiantaram no marcador (bis de Ronaldo). A sua ausência criou de imediato um desequilíbrio defensivo que o meio campo ofensivo dos blancos aproveitou da melhor forma. Foi um dos elementos mais utilizados por Emery durante a campanha, com trinta e duas presenças (dois golos). O polaco é, neste momento, um dos melhores do Mundo na sua posição. A clausula de trinta milhões de euros traz uma relativa tranquilidade ao clube, face ao interesse de vários emblemas de topo do futebol europeu, como o Arsenal e PSG.

Dani Parejo (Valência)

A melhor temporada da sua carreira. Parejo formou com André Gomes uma dupla de grande qualidade, principalmente na vertente técnica. Grande qualidade de passe (84,5% de acerto), e forte na condução, Dani Parejo foi capaz de demonstrar outra qualidade: a capacidade de marcar golos com regularidade. Fez balançar as redes adversárias em doze ocasiões durante a época, igualando o registo do mítico Vicente como médio com mais golos na Liga Espanhola ao serviço do Valência numa só temporada. Ficou apenas a um golo do grande Mendieta, que em 1999-00 chegou aos treze tentos na prova. "El Valencia no tiene un delantero de 20 goles, pero tiene a un centrocampista de doce: Dani Parejo." escreveu a imprensa valenciana recentemente, vincando a apetência do médio espanhol. Mas a sua importância no conjunto de Nuno Espírito Santo vai muito para além dos golos. A forma como temporiza os tempos de jogo (algo que a afición e alguns adeptos nem sempre compreendem, principalmente os fãs do futebol vertiginoso) foi fundamental na época che, permitindo à equipa descansar com bola. Exímio na conversão das bolas paradas, assistiu os seus companheiros por cinco vezes, para além de ter criado quarenta e duas jogadas de perigo para a baliza adversária, nas trinta e quatro vezes que foi chamado pelo técnico português. Com contrato até 2016, tem sido associado a vários clubes de renome, sendo o nome do Atlético de Madrid o mais referido como capaz de bater a cláusula de 25 milhões de euros. O clube quer renovar, mas para já, o jogador ainda não aceitou as condições propostas pelos che.

James Rodríguez (Real Madrid)

"Ha estado a un nivel increíble. James, aunque juega en un grande [el Madrid], me ha sorprendido para bien porque es mejor jugador de lo que podía esperar. Sabíamos que era bueno, pero me gusta todo de él. El toque preciso de su pierna izquierda, la visión de juego y también el trabajo que hace para el equipo”. A citação pertence a Paco Jémez e define de forma perfeita o jogador colombiano e a sua temporada de estreia ao serviço dos merengues. Treze golos e treze assistências (17 e 17 respectivamente no somatório da temporada) foram o melhor cartão de visita de James Rodríguez depois de um Verão marcado pelo prémio de melhor marcador do Mundial do Brasil. Apontou alguns dos melhores tentos da época (na deslocação ao terreno do Granada ou no Riazor por exemplo) e, para além de toda a sua contribuição ofensiva, com os seus passes sempre 'redondos' (87,2% de acerto), mostrou-se bastante comprometido com a vertente defensiva da equipa, sacrificando-se em prol dos seus companheiros, demonstrando muita capacidade de trabalho na recuperação de bola, algo inesperado diga-se. A lesão que sofreu (bem como a de Modric)  foi um duro revés na temporada merengue, já que o colombiano era uma peça-chave na circulação de bola dos blancos e na criação de ocasiões claras de perigo (77). Contudo, o seu regresso, aliado ao bom entendimento que manteve com Cristiano Ronaldo, permitiu ao Real Madrid continuar a sonhar com o título. Foi insuficiente é certo. Mas os seus vinte e três permitem ao adepto comum pensar que estamos na presença de um dos melhores jogadores do Mundo nos próximos anos.

Neymar (Barcelona)

Uma das figuras do melhor trio de ataque do futebol mundial. O companheiro preferido de Messi. Na sua segunda temporada no futebol europeu, Neymar deu definitivamente o salto qualitativo que poderá fazer do fantasista brasileiro o sucessor natural do duo Ronaldo-Messi na luta regular pela Bola de Ouro. O seu empresário disse recentemente que o brasileiro irá vencer o Bola de Ouro em 2016. Exagero? Talvez. Desconcertante no drible, dono de uma fabulosa aceleração, Neymar é hoje um jogador muito mais maduro em relação ao menino franzino que chegou à Europa proveniente do Santos. A chegada de Suárez permitiu ao brasileiro subir exponencialmente de rendimento com as suas diagonais, tabelas, e finalizações de grande classe. É por esta altura um dos mais excitantes jogadores de futebol ao nível dos grandes clubes e os números provam-no. Faz mais de três dribles por jogo, o que obriga os adversários a recorrer à falta constantemente. Apontou vinte e dois golos na Liga (trinta e oito no total das competições), todos obtidos dentro da grande área adversária, com excepção do livre directo apontado de forma irrepreensível no Sánchez Pizjuán. Marcou em 55% dos jogos do Barcelona na prova. Deu sete golos aos seus colegas de equipa. Criou mais de cinquenta ocasiões claras de golo que foram desperdiçadas. Participou em trinta e três encontros, vinte e nove deles como titular. Desde a derrota no Anoeta, em Janeiro, fez sempre parte do onze inicial e foi substituído apenas quatro vezes, o que diz muito sobre a importância do brasileiro para a tremenda temporada do Barcelona de Luis Enrique.

Cristiano Ronaldo (Real Madrid)

Uma temporada de números estratosféricos. Pichichi da Liga pela terceira vez (a segunda consecutiva) CR7 chegou ao extraordinário registo de quarenta e oito golos em trinta e cinco aparições (43% dos golos da equipa) e está agora na sexta posição da tabela dos melhores marcadores da história da Liga Espanhola com 225 golos. Fez seis hattricks, um poker, um repoker e marcou em 71% dos encontros do clube na competição, para além de ter sido o jogador com o maior índice de intervenção directa nos golos de uma equipa, já que somou quinze assistências ao seu registo goleador, perfazendo um total de sessenta e três tentos obtidos graças à sua participação. Tremendo. Ronaldo alcançou um sem número de recordes e registos fabulosos, numa temporada em que ultrapassou inclusivamente Di Stéfano no segundo lugar da lista de melhores marcadores da história do clube. Letal de cabeça (já não se viam doze golos de cabeça numa só temporada desde Alfonso do Betis em 1996-97), letal na marcação de grandes penalidades, letal na forma como se antecipa aos defensores contrários para dar o toque final nas jogadas dos merengues, Ronaldo é hoje, mais do que um génio, um matador. Um jogador que persegue marcas históricas com um apetite voraz. Um jogador que, ao invés de ser mais um desequilibrador no 1x1 procura desequilibrar os resultados a seu favor com os seus golos. Foi, a par de Aduriz, o jogador que mais vezes abriu o activo nos jogos em que participou (treze vezes). Em suma, Ronaldo é neste momento o mais profícuo avançado do futebol mundial dos últimos anos e na temporada que findou voltou a demonstrar que a sua veia goleadora está viva. Bem viva.

Lionel Messi (Barcelona)

O melhor jogador do campeonato. Um génio que progride com a bola colada à chuteira. Daqueles que deixam no ar a ideia que fintam sem esforço. Ultrapassam um, dois, três, quatro se for necessário. Pela linha ou pelo meio. O jogador mais determinante do título obtido pelos blaugrana chegou aos quarenta e três golos na Liga Espanhola em trinta e oito presenças (trinta e sete como titular). Obteve oito 'bis' e cinco 'hattricks', num total de 39% dos golos da equipa. Porém, os críticos apontavam a sua intermitência. Que já não era decisivo. Que era uma sombra do que já foi. Que o Messi de antigamente estava morto e enterrado e que o actual era apenas uma amostra do mágico argentino quatro vezes Bola de Ouro. Puro engano. A intervenção do médico Giuliano Poser, que mudou a dieta de Messi, foi fundamental para trazer de volta o genial argentino. O Barcelona começou a ganhar o campeonato a partir do momento em que Messi recuperou a melhor forma física e mental, depois da suposta tensão vivida com Luis Enrique por altura da derrota do Anoeta. A partir dessa altura, Messi arrancou em definitivo para uma temporada sensacional com os seus golos, assistências (dezoito) e criação de jogadas de perigo para o adversário de uma forma constante. Um jogador novo. Entusiasmado e entusiasmante. Na época em que se tornou no melhor marcador da história da Liga Espanhola, ultrapassando o mítico Telmo Zarra, La Pulga foi tudo o que os adeptos esperavam dele. Foi aquele jogador que funciona quase como um seguro de vida. Quando um jogo precisava de um rasgo de genialidade lá aparecia Messi com a sua rapidez, agilidade, mas sobretudo inteligência. Perceber qual o melhor momento para reter o esférico ou soltar para um companheiro em melhor posição. E com isso ganhar jogos. E títulos. E o reconhecimento mundial de que estamos na presença de um dos melhores.

Campeão: Barcelona
Vencedor Copa del Rey: Barcelona
Vencedor Supertaça: Atlético de Madrid
Liga dos Campeões: Real Madrid, Atlético de Madrid, Valência (Playoff) e Sevilha (Vencedor da Liga Europa)
Liga Europa: Villarreal e Athletic
Equipas Despromovidas: Córdoba, Almería e Eibar
Melhor Marcador: Cristiano Ronaldo (Real Madrid) - 48 Golos
Melhor Assistente: Lionel Messi (Barcelona) - 18 Assistências
Melhor Jogador para o PD: Lionel Messi (Barcelona)
Melhor Jovem Jogador para o PD (Sub-21): José Gayá (Valência)
Melhor Ataque: Real Madrid (118 Golos)
Pior Ataque: Córdoba (22 Golos)
Melhor Defesa: Barcelona (21 Golos)
Pior Defesa: Córdoba e Rayo Vallecano (68 Golos)
Revelação para o PD: José Gayá (Valência)
Desilusão para o PD: Alfred Finnbogasson (Real Sociedad)
Confirmação para o PD: Vitolo (Sevilha)
Melhor Treinador para o PD: Paco Jémez (Rayo Vallecano)



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