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Serie A 2015/2016

Está de regresso o melhor do futebol italiano. A 114ª edição da Serie A está mesmo aí à porta e o Planeta Desportivo preparou um análise exaustiva às 20 equipas que participam na prova. Já tínhamos saudades. Saudades do drama, da emoção e da polémica. Em nenhuma outra liga do Mundo se vive o futebol com tanta paixão. 24 horas por dia, 7 dias por semana, a única coisa que se fala em Itália por estes dias é em futebol. Quem fica, quem vai, quem chega, quem vai jogar naquela e na outra posição. Até a bola começar a rolar, a euforia não passa.

E há muitas razões para estar entusiasmado com esta nova temporada da Serie A. Depois de anos a apertar o cinto, os clubes italianos abriram os cordões à bolsa e investiram. Mais de 450 milhões de euros foram gastos neste defeso, 329 dos quais por Juventus, Roma, Inter e Milan. E ainda há mais alguns negócios na calha. É certo que a Serie A perdeu os três pilares da Juventus: Pirlo, Vidal e Tévez. Mas manteve Paul Pogba e Felipe Anderson. Chegaram Jovetic, Dzeko, Mandzukic, Kondogbia e Bacca. Não faltarão razões para assistir aos jogos. A "campioníssima" Juventus enfrenta mais um obstáculo na procura pelo penta. Roma e Lazio mantêm o pé no acelerador, com os Giallorossi a investirem forte no mercado e os Biancocelesti a apostarem na continuidade. Milan e Inter fizeram de tudo para esquecer uma época historicamente má e devolver o melhor futebol do Mundo à cidade de Milão. E depois há sempre as surpresas que, neste campeonato, podem surgir de qualquer lado. Sampdoria e Génova foram as equipas sensação da época passada. Este ano, é o Torino que se perfila como a equipa a seguir com atenção. Por todos estes motivos e mais alguns, a Serie A 2015/16 promete ser a mais equilibrada e bem disputada desde o início do século XXI. Aqui fica a nossa análise às 20 equipas em competição.


JUVENTUS F.C.

Principais entradas: Paulo Dybala (Palermo), Mario Mandzukic (Atlético Madrid), Simone Zaza (Sassuolo), Sami Khedira (Real Madrid), Daniele Rugani (Empoli), Alex Sandro (Porto) e Neto (Fiorentina).

Principais saídas: Arturo Vidal (Bayern Munique), Angelo Ogbonna (West Ham), Carlos Tévez (Boca Juniors), Andrea Pirlo (NYC FC), Simone Pepe (Chievo), Romulo (Verona) e Alessandro Matri.

Quem consegue parar a Vecchia SignoraA Juventus parte para a nova temporada com um objectivo bem delineado: o penta. Depois de quatro Scudettos consecutivos, em Turim só se pensa no quinto. Depois de uma época de (quase) sonho, conseguirá a Juventus resistir a três saídas de peso? Quando Antonio Conte abandonou o comando técnico da equipa um dia depois do início dos trabalhos, o domínio da Juventus sobre o futebol italiano parecia em perigo. Massimiliano Allegri pegou na equipa, para desagrado dos adeptos, e a ameaça vinda de Roma era cada vez mais real. Um ano depois, a mudança só trouxe coisas boas. A equipa cresceu com Allegri, tornou-se mais madura, mais cerebral. O Scudetto foi conquistado com uns confortáveis 17 pontos de vantagem para o 2º classificado. A isso juntou-se a Taça de Itália e a presença na final da Liga dos Campeões. Se a perda de Conte foi um teste à capacidade de reacção do clube, esta época começa com a promessa de novas e maiores dificuldades. As ausências de Andrea Pirlo, Arturo Vidal e Carlos Tevez deixam buracos do tamanho do Mundo que qualquer equipa teria dificuldade em preencher.

Este é território novo para a Juventus, mais do que quando ficou sem Conte. Trata-se de um novo começo, com caras novas, um mudar de pele como tão bem definiu Allegri. É impossível substituir Pirlo, Vidal e Tévez. São jogadores únicos, a única solução é mudar. Beppe Marotta não perdeu tempo e começou a reforçar o plantel bem cedo. Mario Mandzukic e Paulo Dybala terão a responsabilidade de substituir os golos de Tévez. Começaram bem ao marcar os dois tentos dos Bianconeri na conquista da Supper Coppa de Itália. Para reforçar o meio-campo chegou Sami Khedira, mais uma grande contratação a custo zero de Marotta. São tudo boas soluções, jogadores com qualidade e créditos firmados. Mas são diferentes. Isso vai obrigar a um trabalho árduo por parte de Allegri. A primeira vítima das mudanças será a defesa a três. Allegri deverá abandonar definitivamente as últimas marcas que restam da passagem de Conte, adoptando a tempo inteiro o 4-3-1-2. Este sistema já tinha revelado as suas vantagens no ano passado, mostrando-se muito melhor adaptado ao futebol das competições europeias. 

Claudio Marchisio, depois de anos a estudar com o mestre, vai seguir-lhe as pisadas e deverá ocupar a vaga deixada por Pirlo na posição mais recuada do meio-campo, sem grande diminuição de qualidade. Khedira, assim que recupere da lesão que o afastará dos primeiros meses da competição, ocupará o lugar ao seu lado. Pogba vai ter ainda mais responsabilidades, na ausência de Pirlo e Vidal. O internacional francês será obrigado a assumir um papel de liderança, coisa que já mostrou estar determinado em fazer ao assumir a camisola 10, com toda a herança que ela traz consigo. Falta uma peça neste puzzle, uma peça há muito pedida por Allegri. Um trequartista para jogar nas costas dos avançados, sejam eles Mandzukic, Dybala, Morata ou Zaza. Enquanto essa peça não chega, a Juventus reforçou mais uma posição, a de defesa esquerdo, com a contratação de Alex Sandro. Patrice Evra fez um excelente trabalho na época passada, mas todos sabiam que não iria ser solução a longo prazo. Olhando para os nomes, é difícil apontar uma falha no plantel da Juventus. Esta continua a ser a equipa que todos querem bater, a grande favorita à vitória final. Será que conseguirão voltar a pegar na adversidade e transformá-la em oportunidade?

Gazzetta dello Sport
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A.S. ROMA

Principais entradas: Mohamed Salah (Chelsea), Edin Dzeko (Manchester City), Iago Falque (Génova), Wojciech Szczesny (Arsenal), Antonio Rudiger (Estugarda) e Norbert Gyomber (Catania).

Principais saídas: Alessio Romagnoli (Milan), Andrea Bertolacci (Milan), Mapou Yanga-Mbiwa (Lyon), Federico Viviani (Verona), Jose Holebas (Watford) e Seydou Doumbia (CSKA).

É agora ou nunca. Já são dois anos consecutivos de promessas e ameaças não concretizadas. Este é o ano em que os Giallorossi têm mesmo que incomodar a Juventus. Agora a sério, fazê-los tremer e, se conseguirem o Scudetto pelo caminho, perfeito. Rudi Garcia entra na 3ª temporada aos comandos da equipa romana. Até aqui o clube não olhou a despesas para dar ao treinador francês aquilo que ele queria. No entanto, o 2º lugar teima em ser o destino final. Apesar de terem alcançado o mesmo resultado que há dois anos, a época passada acabou por ser desapontante. A Roma deveria ter lutado pelo título, deveria ter contestado o monopólio da Juventus. Pelo contrário, os Bianconeri conquistaram o seu quarto título consecutivo com relativa facilidade. À entrada para a época 2015/16, a Roma sente a pressão de fazer mais e investiu bastante para que este seja o ano das conquistas.

O mercado de transferência não podia ter corrido melhor aos Giallorossi. Começaram o verão a resolver (finalmente) a disputa por Radja Nainggolan. O belga, que foi a melhor unidade da equipa durante a época passada, é agora jogador da Roma a título definitivo. Segui-se a contratação de Wojciech Szczesny para a baliza, abordando uma das lacunas do plantel. Até aqui, tudo bem, mas tudo coisas relativamente suaves em termos mediáticos. Seguiram-se as bombas, todas para o ataque. Iago Falque, Mohamed Salah e Edin Dezko. Um tridente ofensivo totalmente renovado que se junta a outros talentos como Adem Ljajic, Gervinho, Iturbe e, claro, Totti. Do meio-campo para frente, a Roma tem soluções para dar e vender e todas de grande qualidade. Uma das questão imediatas será o papel de Totti. Com a contratação de Dzeko para ser o ponta-de-lança mais fixo, perderá Totti o seu lugar no onze inicial? A acontecer, isso talvez nem seja mau de todo. A influência de Totti poderá continuar a sentir-se a partir do banco e dentro do balneário. Se houver necessidade, ele poderá ser a arma (muito pouco) secreta para Rudi Garcia lançar em alguns jogos mais complicados. 

Contudo, houve um sector esquecido (para já) neste investimento: a defesa. Saíram Holebas, Yanga-Mbiwa e Romagnoli quase nem se chegou a sentar. Confirmada está a contratação de Antonio Rudiger. Fala-se ainda em Lucas Digne para lateral esquerdo, talvez a posição mais debilitada no plantel da Roma, depois da decepção que foi Ashley Cole na época passada. Alessandro Florenzi partirá desde o princípio do campeonato como a aposta para o lado direito da defesa, o que nos parece uma opção bastante válida de Rudi Garcia, tendo em conta as excelentes exibições que o jovem italiano já rubricou nessa posição. Ainda faltam uns pequenos ajustes, mas esta equipa da Roma parece estar mais apetrechada do que nunca para atacar o Scudetto. Esperemos que o esforço não volte a ser curto.

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S.S. LAZIO

Principais entradas: Sergej Milinkovic-Savic (Genk), Ricardo Kishna (Ajax), Wesley Hoedt (AZ Alkmaar) e Ravel Morrison (custo zero).

Principais saídas: Luis Cavanda (Trabzonspor), Pereirinha (Atlético Paranaense), Cristian Ledesma, Michael Ciani (Espanyol), 

A contratação de Stefano Pioli foi recebida com agrado pela massa adepta dos Biancocelesti. A Lazio vinha de uma época tumultuosa e, dada a reputação de Pioli, o treinador italiano poderia ser a influência certa para mudar o estado psicológico do clube. No entanto, o que aconteceu superou as expectativas de todos, adeptos e os próprios intervenientes. A Lazio chocou a Serie A ao terminar a temporada no 3º lugar e apurando-se para a Liga dos Campeões. Estavam longe de pensar nessa possibilidade no início da temporada, mas, depois de uma entrada em falso, os resultados foram aparecendo e a equipa Laziale transformou-se numa das melhores e mais agradáveis de ver no campeonato italiano. A surpresa provocada pelos Biancocelesti vai além das vitórias e da posição na tabela. Apresentaram um futebol dinâmico, bonito, que produziu 71 golos e alguns dos melhores jogos do ano. É claro que agora têm que viver com o peso das expectativas. Sem saídas significativas, o plantel manteve grande parte da sua espinha dorsal, por isso, é pedido, no mínimo, uma repetição do ano passado. Mas isso é mais fácil dizer do que fazer.

Das peças fundamentais, a Lazio não perdeu nehuma e conseguiu segurar as suas pérolas, nomeadamente Felipe Anderson, Antonio Candreva e Lucas Biglia. Este trio, juntamente com Stefan De Vrij, formam o núcleo duro da equipa e a sua manutenção garante que não irão existir muitas mudanças. As contratações de Sergej Milinkovic-Savic e Ricardo Kishna são uma aposta no futuro, com um olho no presente. No entanto, ainda fica a faltar uma alternativa a Miroslav Klose. O ponta-de-lança alemão continua a desafiar o senso comum aos 37 anos. Contudo, chegará a altura de render a guarda e Filip Djordjevic ainda não mostrou o suficiente para ser encarado como alternativa. O lado negativo de apostar na continuidade é perder o factor surpresa. Já ninguém vai ser surpreendido por esta Lazio. Os adversários vão estar muito mais bem preparados. A concorrência está mais forte e os Biancocelesti ainda vão ter que lidar com as exigências físicas, caso se apurem para a fase de grupo da Liga dos Campeões. O que terá mais peso? O crescente entendimento entre uma equipa que se mantém praticamente intocável de uma época para outra? Ou o fardo das expectativas? Perguntas que a Lazio irá responder neste campeonato. 

Quanto a nós, achamos que o plantel tem qualidade suficiente para repetir o ano passado, mas mais do que isso é exigir demais. O importante é não entrar em loucuras com o dinheiro da Liga Milionária. Fazer crescer o clube aos poucos e criar uma base estável para construir o futuro deve ser o principal objectivo da Lazio a curto prazo.

Gazzetta dello Sport
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S.S.C. NAPOLI

Principais entradas: Allan (Udinese), Vlad Chiriches (Tottenham), Mirko Valdifiori (Empoli), Elseid Hysaj (Empoli) e Pepe Reina (Bayern Munique).

Principais saídas: Walter Gargano (Monterrey), Duvan Zapata (Udinese), Miguel Britos (Watford) Gokhan Inler (Leicester).

Se dúvidas houvessem, elas dissiparam-se mal Rafa Benítez pôs um pé fora da porta. O ambiente no balneário orientado pelo treinador espanhol não era o melhor. Marek Hamsik criticou a sua inflexibilidade. O próprio presidente Aurelio Di Laurentiis disse que nunca tinha visto a equipa trabalhar tanto com Benítez como o faz agora. As críticas a Benítez são sempre seguidas por um elogio ao novo homem do leme, Maurizio Sarri, como quem só agora experimentou o que há de melhor e não quer voltar atrás. A sua dedicação, a sua atenção ao detalhe, estão a surpreender os jogadores do Nápoles. Christian Maggio chegou mesmo a apelida-lo de maníaco. É um treinador que exige 100% de esforço aos seus jogadores e não deixa nada ao acaso. A chegada de Sarri marca um ponto de viragem na filosofia do Nápoles, até aqui a equipa que não olhava a despesas para competir pelo Scudetto. Gastou milhões em alguns dos melhores jogadores da Europa, contratou um treinador conceituado e resultados nem vê-los. Ok, uma supertaça de Itália, mas, face ao investimento feito, isso é o mesmo que nada. Agora, De Laurentiis quer fazer diferente. Apostou num treinador italiano, oriundo da região, e reforçou a equipa com o que de melhor a Serie A tem para oferecer.

Com Sarri vieram Mirko Valdifiori e Elseid Hysaj, jogadores que deram nas vistas no Empoli. À procura de aplicar um sistema semelhante ao que utilizava no clube da Toscana, Sarri precisava de um organizador de jogo a partir de trás, que garantisse uma rotação contínua do jogo, ao mesmo tempo que controlasse os equilíbrios defensivos. Nada melhor que o homem já moldado pelo próprio Sarri para esse papel. Valdifiori foi um dos destaques da passada edição da Serie A, liderando várias estatísticas, como passes completos, oportunidades criadas e key passes. É um distribuidor de jogo nato. Já mereceu, por isso, comparações com Andrea Pirlo e percebe-se o porquê. O ADN é o mesmo, a mesma forma de pensar. Ao seu lado, Valdifiori vai ter a protecção de outra contratação astuta por parte do Nápoles, o brasileiro Allan. Allan surpreendeu na época passada ao serviço da Udinese, particularmente no jogo contra a Juventus, onde anulou Paul Pogba. É um médio incansável que faz sentir a sua presença em todo o campo, a todos os momentos do jogo. Do outro lado, com outra liberdade, vai aparecer Marek Hamsik, numa função mais recuada do que aquela que desempenhava com Benítez. O trio da frente do 4-3-1-2 de Sarri ainda está em aberto. Insigne será o trequartista, jogando nas costas de Higuaín e (provavelmente) Gabbiadini. O plantel tem várias soluções de qualidade (Callejon, Mertens), dando liberdade a Sarri para mudar e manter níveis altos de competitividade dentro do plantel. Os negócios do Nápoles não ficarão por aqui. Inler já saiu, De Guzman e Zuniga deverão seguir o mesmo caminho. De Laurentiis já confessou que está a preparar uma surpresa para os adeptos. Falhada a tentativa de contratação de Maksimovic ao Torino, não será de espantar que a surpresa seja um defesa. Se Sarri conseguir emendar o sector recuado, com o que tem ou com novas contratações, o Nápoles poderá ser um caso sério nesta Serie A.

@TransfersCalcio
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A.C.F. FIORENTINA

Principais entradas: Mario Suárez (Atlético Madrid), Gilberto (Botafogo), Davide Astori (Cagliari), Nikola Kalinic (Dnipro) e Luigi Sepe (Empoli).

Principais saídas: Stefan Savic (Atlético Madrid), Juan Vargas, Mario Gomez (Besiktas), David Pizarro, Alberto Aquilani (Sporting), Neto (Juventus) e Alessandro Diamanti (Watford).

É palpável o optimismo que paira em redor da Fiorentina à entrada para a edição 2015/16 da Serie A. Sete vitórias em nove amigáveis, incluindo triunfos sobre Barcelona e Chelsea, têm esse efeito. Se havia alguém que precisava de uma grande pré-temporada, era Paulo Sousa. O treinador português tem a tarefa complicada de suceder a Vincenzo Montella. Em três anos sob orientação de Montella, a equipa Viola atingiu resultados bastante positivos, registando três quartos lugares consecutivos, uma presença na final da Coppa Italia e outra na semi-final da Liga Europa. Para além do fantasma de Montella, Paulo Sousa terá que lidar com a desconfiança dos adeptos, que partem com um pé atrás em relação ao português devido ao seu passado como jogador da Juventus. Para já, terá como objectivo começar melhor que na época passada. Nos primeiros 11 jogos, a Fiorentina conquistou apenas 3 vitórias e não fosse uma excelente segunda volta teria ficado de fora dos lugares europeus. O quarto lugar alcançado ainda é mais impressionante se tivermos em conta as condicionantes. A Fiorentina perdeu Juan Cuadrado para o Chelsea, esteve sem Giuseppe Rossi por lesão prolongada e nem Mario Gomez fez esquecer o italiano, facturando apenas por 4 vezes no campeonato.

O homem que mudou a temporada da Fiorentina foi também o principal protagonista da maior telenovela do defeso: Mohamed Salah. Um verdadeiro filme de mafiosos, com direito a traições e tentativas de sabotagem. Salah entrou a todo gás na Fiorentina, vindo do Chelsea por empréstimo. Os seus 9 golos em 26 jogos foram essenciais para o sucesso da equipa. No entanto, mal entendidos e cláusulas escondidas inviabilizaram a continuidade do Egípcio em Florença. Pior que isso. Foi reforçar a concorrência. Fechando os olhos ao triste episódio Salah, a Fiorentina teve um verão bastante positivo. Os bons resultados da pré-época têm sido acompanhados por bom futebol e as novas contratações dão esperanças aos adeptos. David Astori chegou do Cagliari para substituir Savic. Mário Suárez, envolvido na transferência do Montenegrino para o Atlético Madrid, reforça o meio-campo, sendo um claro upgrade em relação a Pizarro. Gilberto dará uma nova opção para as laterais, enquanto que Luigi Sepe é uma aposta segura entre os postes. No entanto, o sector que poderá diferenciar a equipa Viola das outras é o ataque. Com Rossi de regresso, a Fiorentina ganha outro poder de fogo. O italiano junta-se a dois jogadores de elevado potencial, Khouma Babacar e Federico Bernardeschi. Depois de Babacar o ter sido na época passada, Bernardeschi tem tudo para ser a grande revelação da temporada. O jovem italiano impressionou na pré-época e será uma forte aposta de Paulo Sousa. Tendo em conta tudo isto, as perspectivas são animadoras para a Fiorentina. A equipa melhorou no papel e, no campo, está a praticar um futebol diferente do de Montella, mas agradável ainda assim. Mais vertical, mais rápido e mais imprevisível. Depois de três anos a bater à porta, será agora que a Fiorentina entra finalmente no top-3 e se qualifica para a Liga dos Campeões?

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GENOA C.F.C.

Principais entradas: Issa Cissokho (Nantes), Olivier Ntcham (Manchester City), Ezequiel Muñoz (Palermo), Goran Pandev (Galatasaray), Samir Ujkani (Palermo), Diogo Figueiras (Sevilha), Panagiotis Tachtsidis (Verona) e Diego Capel (Sporting).

Principais saídas: Andrea Bertolacci (Milan), Giannia Fetfatzidis (Al Ahli), Iago Falque (Roma), Aleandro Rosi (Frosinone), Marco Borriello, Facundo Roncaglia (Fiorentina), Mbaye Niang (Milan) e Maxime Lestienne (PSV).

A pergunta que todos fazem em Génova é: poderão as duas equipas da cidade repetir a proeza da época passada? Olhando objectivamente para as peripécias do verão, os sinais não são bons, nem para Génova, nem para Sampdoria. Os Grifone entram no seu 9º ano consecutivo na Serie A sob a gestão de Enrico Preziosi. Nesses nove anos, a equipa adquiriu alguns dos traços da personalidade do seu presidente, principalmente a imprevisibilidade. Desde o regresso ao topo da pirâmide em 2007/08, o Génova tem alternado entre momentos altos e baixos. A época passada foi um dos altos, com um fantástico 6º lugar, três pontos à frente dos rivais da cidade. Só perderam o lugar europeu para a Sampdoria na secretaria. Jogadores como Iago Falque, Andrea Bertolacci e Diego Perotti foram essenciais para o sucesso de uma equipa que, para além dos resultados, apresentou um futebol agradável com ideias progressistas.

Contudo, a imprevisibilidade de Preziosi voltou a atacar e o clube foi transformado numa placa giratória. Falque e Bertolacci foram vendidos. Perotti está com um pé de fora. Volta a cair nos braços de Gian Piero Gasperini a responsabilidade de fazer milagres. Uma coisa não devemos esquecer: as perspectivas no início da época passada não eram muito diferentes das de agora. Tinham partido e chegado mais de duas dezenas de jogadores. Não é nada de novo para Gasperini. Desta vez esteve perto do seu limite. O próprio admitiu que ponderou procurar uma nova aventura. No entanto, decidiu ficar e trabalho não lhe falta. Terá que ser ele a encaixar as caras novas no seu 3-4-3, coisa que não é assim tão fácil fazer de um momento para o outro. As principais mudanças serão no ataque. Goran Pandev chegou para reforçar o sector e Leonardo Pavoletti vai ter uma oportunidade para conquistar a titularidade, depois de uma excelente recta final na temporada passada. Mas tudo depende da permanência ou não de Diego Perotti. O argentino é o jogador que leva esta equipa para outros patamares. Com tantas mudanças e sem Mattia Perin até Outubro, o Génova pode perder alguns pontos nas primeiras jornadas, o que, feitas as contas no final, pode inviabilizar uma repetição da época passada.

Gazzetta dello Sport
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U.C. SAMPDORIA

Principais entradas: Fernando (Shakhtar), Ervin Zukanovic (Chievo), Niklas Moisander (Ajax), Mattia Cassani (Parma), Edgar Barreto (Palermo) e Antonio Cassano (Parma).

Principais saídas: Pedro Obiang (West Ham), Stefano Okaka (Anderlecht), Sergio Romero (Manchester United), Samuel Eto'o (Antalyaspor), Gonzalo Bergessio (Atlas), Alfred Duncan (Sassuolo).

Massimo Ferrero tornou-se numa figura de culto da Serie A na época passada. A paixão com que vive cada momento da sua Samp, até os maus, é contagiante e ele ajudou a criar à volta do clube um ambiente de entusiasmo que já não se sentia há muito tempo. A primeira coisa que soube fazer foi escolher o treinador. Com Sinisa Mihajlovic, a Sampdoria cresceu, graças à dedicação e atenção ao detalhe do seu treinador. Depois de muito trabalho no campo de treinos, o sérvio criou uma máquina de bem defender. A campanha não podia ter começado melhor. Oito jogos seguidos sem perder deram a ideia que a Sampdoria podia discutir a Liga dos Campeões. A equipa perdeu um pouco o ritmo, principalmente depois da saída de Manolo Gabiaddini para o Nápoles. Ainda assim, terminaram num honroso 7º lugar, que acabou por lhes dar acesso à Liga Europa, devido aos problemas de licenciamento dos rivais do Génova. O entusiasmo não podia ser maior à volta do clube. Ferrero já falava em Scudetto daqui a dois anos. Tudo parecia bom demais para ser verdade.

Chegou o verão e com ele um reality check. Mihajlovic saiu para o Milan. Com ele levou Alessio Romagnoli. Quer levar também Roberto Soriano. Pedro Obiang e Sergio Romero mudaram-se para a Premier League, enquanto Stefano Okaka foi vendido ao Anderlecht, naquela que foi uma das transferências mais bizarras do defeso. Mihajlovic foi substituído por Walter Zenga, uma escolha que não maravilhou os adeptos. Apesar de guardarem boas memórias de Zenga enquanto jogador da Samp, a sua última experiência como treinador na Serie A não deixa boas indicações. A aventura no Palermo em 2009/10 durou apenas 13 jogos. Ao contrario do que aconteceu na época passada, a Sampdoria vai-se agarrar muito ao seu ataque. Éder e Muriel mantêm-se no plantel e terão a companhia do regressado Antonio Cassano. O meio-campo também mudou de figura com as contratações de Fernando e Edgar Barreto. Soriano poderá estar de saída para o Milan. Na defesa, só Matías Silvestre resiste. É uma equipa muito diferente daquela que deu tantos problemas aos grandes na época passada. A diferença já se fez notar na humilhante derrota em casa contra o Vojvodina por 4-0, num jogo a contar para a pré-eliminatória da Liga Europa. Depois desse desaire europeu, que quase pôs fim prematuramente ao reinado de Zenga, as primeiras jornadas do campeonato serão de extrema importância para a Sampdoria. Um mau começo pode atirar a equipa para uma espiral de sofrimento. Se tudo correr bem, os Bluecerchiati podem ambicionar a um lugar tranquilo no meio da tabela. Repetir a época passada não passa de um sonho.

Gazzetta dello Sport
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F.C. INTERNAZIONALE MILANO

Principais entradas: Martin Montoya (Barcelona), Miranda (Atlético Madrid), Jeison Murillo (Granada), Geoffrey Kondogbia (Mónaco), Stevan Jovetic (Manchester City), Jonathan Biabiany (Parma).

Principais saídas: Xherdan Shaqiri (Stoke City), Zdravko Kuzmanovic (Basileia), Joel Obi (Torino), Hugo Campagnaro, Jonathan, Mateo Kovacic (Real Madrid).

Vindo de uma das piores épocas na sua história recente, o Inter quer recuperar a chama e voltar a lutar pelo Scudetto. Os Nerazzurri terminaram a edição de 2014/15 da Serie A na 8ª posição com 55 pontos, a sua pior classificação desde 1998/99. Como tal, Roberto Mancini e o novo dono do clube, Erik Thohir, atacaram o mercado de transferências em força e construíram um dos planteis mais equilibrados do campeonato. Isto era o que eu tinha planeado escrever, até o Inter resolver estragar tudo e vender Mateo Kovacic ao Real Madrid. Vamos por partes. O investimento começou ainda na janela de inverno, com as aquisições de Lukas Podolski e Xherdan Shaqiri. Nenhum dos dois já se encontra no clube, contudo as suas contratações marcaram uma mudança na estratégia. Thohir estava disposto a abrir os cordões à bolsa para investir na equipa. Durante o verão, chegaram Miranda, Jeison Murillo, Martin Montoya, Stevan Jovetic e Geoffrey Kondogbia. Tudo o que o Inter precisava. Uma nova dupla de centrais de qualidade reconhecida, um lateral direito, um parceiro para Mauro Icardi e um médio todo-o-terreno. A equipa começava a tomar forma e os adeptos gostavam do que viam. 

Num rasgo (raro) de genialidade, Mancini decidiu adaptar Mateo Kovacic ao papel de regista, à la Pirlo, querendo que a construção de jogo dos Nerazzurri passasse pela cabeça e pelos pés do croata. Ele não só se adaptou sem dificuldades, como foi uma das melhores unidades da equipa na pré-temporada. As perspectivas não podiam ser melhores. Com Kovacic no papel de construtor de jogo, protegido por Kondogbia e Medel e Hernanes nas costas de Icardi e Jovetic, o Inter parecia capaz de assustar a Juventus. Só que a realidade abateu-se sobre os adeptos, e com força. Mateo Kovacic foi vendido ao Real Madrid por um valor a rondar os 35 milhões de euros. Poucos dias antes do começo do campeonato, o Inter ficou sem o homem que tinha sido identificado pelo próprio treinador como o cérebro da equipa e um dos melhores jogadores à sua disposição. Quaisquer que sejam os motivos por trás desta transferência, a saída de Kovacic é uma forte pancada nas aspirações do Inter, que vinha tendo um verão marcado pelo entusiasmo em redor das novas contratações.

Agora mais do que nunca, Roberto Mancini vai ter que mostrar jogo de cintura. Vamos ver que solução desencanta o treinador italiano. À primeira vista, não existe ninguém no plantel do Inter que ofereça o mesmo à posição que Kovacic. Há sempre a alternativa de ir ao mercado ou alterar o sistema, mas a tão poucos dias do início do campeonato, é arriscado. Excepto o dérbi de Milão à 3ª jornada, os primeiros jogos são acessíveis e isso poderá dar alguma margem de manobra a Mancini. No entanto, se a equipa quer atacar a Liga dos Campeões, precisa de responder com prontidão a este novo problema criado por ele próprio. Teremos um novo Inter ou mais do mesmo?

Gazzetta dello Sport
Corriere dello Sport

TORINO F.C.

Principais entradas: Afriyie Acquah (Hoffenheim), Davide Zappacosta (Atalanta), Daniele Baselli (Atalanta), Danilo Avelar (Cagliari), Andrea Belotti (Palermo), Joel Obi (Inter).

Principais saídas: Matteo Darmian (Manchester United), Omar El Kaddouri (Nápoles).

Nas últimas duas temporadas, o Torino tem surpreendido tudo e todos com o seu bom futebol e bons resultados a acompanhar. Na última temporada, os Granata resistiram às saídas dos seus dois craques, Alessio Cerci e Ciro Immobile, e superaram as expectativas. Terminaram na 9ª posição da tabela, à frente do Milan, à qual juntaram uma excelente prestação na Liga Europa e uma vitória no Derby della Mole, 20 anos depois. Na Liga Europa, o Torino chegou aos 16-avos de final, eliminado pelo Zenit. Antes tinha eliminado o Athletic, tornando-se na primeira equipa italiana a vencer no San Mamés (por 3-2 na 2ª mão). A campanha europeia em nada abalou o registo interno, com o Torino a manter-se sempre no meio da tabela, chegando até a ameaçar os lugares europeus a certa altura. Fabio Quagliarella foi um dos maiores contribuidores para a equipa, com os seus 13 golos. A não esquecer os dois laterais, Matteo Darmian e Bruno Peres, que atormentaram defesas, ao mesmo tempo que garantiam solidez atrás. No entanto, a maior fatia do mérito deve ser dado a Giampiero Ventura. Aconteça o que acontecer no verão, comece a equipa bem ou mal o campeonato (como foi o caso no ano passado), Ventura encontra sempre um caminho. Manteve a aposta no seu 3-5-2 e deu-se bem. A equipa fica mais equilibrada neste sistema, garantindo uma defesa compacta, mas, ao mesmo tempo, grande facilidade para colocar muita gente no ataque.

Apesar da boa temporada, Ventura sabia que algumas posições precisavam de ser melhoradas e identificou os seus alvos. O que se seguiu foi provavelmente o mais eficiente ataque ao mercado feito por uma equipa italiana neste defeso. Depois da saída de Darmian para o Manchester United, o Torino contratou Davide Zappacosta. Já que estavam em negociações com a Atalanta, aproveitaram para levar também Daniele Baselli, jogador que chegou a ser dado como certo no Milan. Em poucos dias, o Torino garantiu dois dos melhores jogadores jovens do futebol italiano por pouco mais de 10 milhões de euros. Não se ficaram por aqui. Adquiriram o resto do passe de Marco Benassi ao Inter, contrataram Danilo Avelar ao Cagliari, Afriyie Acquah ao Hoffenheim e Joel Obi ao Inter. Nos últimos dias, garantiram também os serviços de Andrea Belotti, mais um jovem italiano com grande potencial. Fica à vista de todos qual é o projecto de Ventura. Construir uma equipa com base em jogadores jovens e com grande potencial. De saída, para além de Darmian, só El Kaddouri em fim de contrato. No entanto, Maksimovic e Bruno Peres estão a ser bastante cobiçados e poderão ser vendas de última hora. Lutar por um lugar europeu está perfeitamente ao alcance deste plantel, liderado por um treinador experiente como Ventura. Lazio, Nápoles, Inter, Fiorentina, Milan. A concorrência é feroz. Mas não se pode cometer o erro de desprezar o Torino de Giampiero Ventura, outra vez.

Gazzetta dello Sport
Gazzetta dello Sport

A.C. MILAN

Principais entradas: Carlos Bacca (Sevilha), Luiz Adriano (Shakhtar), José Mauri (Parma), Alessio Romagnoli (Roma), Andrea Bertolacci (Roma) e Rodrigo Ely (Avellino).

Principais saídas: Michael Essien, Sulley Muntari, Daniele Bonera, Giampaolo Pazzini (Verona), Adil Rami (Sevilha), Stephan El Shaarawy (Mónaco).

2015/16 marca o início de uma nova era no AC Milan. Depois de vários anos a tentar construir equipas com o desperdício dos outros, à base de jogadores a custo zero e emprestados, a equipa de Milão decidiu voltar a querer ser um player no mercado de transferências. Apostou e forte. 30 milhões em Carlos Bacca, mais 8 milhões em Luiz Adriano, 50 milhões direitinhos para os cofres da Roma, nas contratações de Andrea Bertolacci e Alessio Romagnoli. Foram mais de 80 milhões de euros investidos para dar ao novo treinador, Sinisa Mihajlovic, uma equipa à altura das expectativas do Milan. Nenhuma das novas aquisições simboliza tanto a nova atitude da direcção comandada por Silvio Berlusconi - agora com o apoio ($) do empresário tailandês Bee Taechaubol - como Romagnoli. Foi um romance que durou todo o verão, mas que finalmente se resolveu a favor do Milan. Os Rossoneri queriam o jogador, fizeram tudo para o ter e garantiram as seus serviços. Desembolsaram 25 milhões de euros, mas têm o que queriam.

Existe, contudo, um problema com esta mudança repentina de abordagem. O jogadores contratados por estas somas astronómicas terão que lidar com as expectativas desmedidas dos adeptos. Tal poderá acontecer com Romagnoli. Ele tem várias características que fazem os tifosi rossoneri sonhar. É italiano, é jovem (20 anos) e foi comparado com Alessandro Nesta. Romagnoli é, sem dúvida, uma das promessa do futebol italiano, com tudo para ser o próximo grande central da Serie A. Terá a vantagem de já conhecer o treinador e saber o que ele quer. Aliás, Romagnoli foi um desejo expresso por Mihajlovic desde a primeira hora. E o sérvio não é um treinador fácil. Enquanto os outros terão de se adaptar ao seu feito e maneira de pensar, Romagnoli já sabe com o que contar. Ele deu nas vistas numa defesa da Sampdoria que jogava num bloco baixo. Em Milão, ele não vai ter esse luxo. Vai ter que jogar em cima da linha do meio-campo, com margem zero para o erro. O resto da defesa do Milan é um gigante ponto de interrogação. Mèxes cumpre, mas perde a cabeça muito facilmente. Alex não passa de um tipo grande e lento, com pouco sentido posicional. Gabriel Paletta é a opção mais fiável, mas está de saída do clube. A situação nas laterais não é melhor. Por tudo isto, será demais pedir a Romagnoli que transforme sozinho a defesa do Milan, já há muitos anos o seu sector mais debilitado. Romagnoli é um passo na direcção certo, mas não é o remédio para todos os males dos Rossoneri.

Do meio-campo para a frente, Mihajlovic aposta no seu sistema preferido, o 4-3-1-2, com Kesuke Honda a aparecer nas costas dos dois ponta-de-lanças, Carlos Bacca e Luiz Adriano. Com todo o burburinho em redor de Romagnoli, tem sido posta um pouco de parte aquela que foi uma das melhores aquisições da Serie A. Carlos Bacca tem tudo para ser o homem-golo do Milan. A sua velocidade já fez moça na pré-época. O colombiano tem 29 anos. É uma aposta para o agora. Com médios como Bertolacci, Honda e Bonaventura, a bola vai-lhe chegar com qualidade e os golos vão aparecer. Parte como um dos grandes candidatos a Capocannonieri. Com todo este investimento, a equipa terá que atingir a Liga dos Campeões obrigatoriamente. O regresso à principal competição do futebol europeu é certamente um dos objectivos da direcção, tanto do ponto de vista monetário, como do desportivo. Reforçaram-se para isso. Resta saber se foi suficiente para apagar anos de incompetência, quase negligência, no mercado.

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U.S. CITTÀ DI PALERMO

Principais entradas: Oscar Hiljemark (PSV), Edoardo Goldaniga (Juventus), Abdelhamid El Kaoutari (Montpellier), Matheus Cassini (Corinthians), Uros Djurdjevic (Vitesse) e Aleksandar Trajkovski (Zulte Waregem).

Principais saídas: Paulo Dybala (Juventus), Andrea Belotti (Torino), Edgar Barreto (Sampdoria), Samir Ujkani (Génova), Ezequiel Muñoz (Génova).

O regresso do Palermo à Serie A não podia ter sido mais tranquilo. Desde o sinal de partida se percebeu que o plantel era demasiado talentoso para cair na luta pela manutenção. A equipa orientada por Beppe Iachini começou bem, chegou a ameaçar os lugares europeus, até que caiu de forma na segunda volta, ajeitando-se confortavelmente no meio da tabela. O verão não deu tempo aos Rosanero para festejarem o objectivo cumprido. A Juventus veio e levou a jóia da equipa: Paulo Dybala. O argentino estabeleceu-se com um dos melhores jogadores jovens da Serie A e foi essencial para a boa performance do Palermo no regresso à Serie A. O seu parceiro no crime, Franco Vazquez, ainda mora no Renzo Barbera, por isso nem tudo está perdido. Mas a pergunta a que Beppe Iachini não poderá fugir neste início de temporada é: como substituir um talento como Dybala?

Olhando para a pré-época do Palermo, Iachini estava decidido em apostar num tridente ofensivo, com Vazquez nas costas dos dois avançados, Andrea Belotti e o adaptado Robin Quaison. E quando tudo parecia correr pelo melhor, com o sueco a adaptar-se bem ao seu novo papel, o Palermo perdeu mais uma arma do ataque. Andrea Belotti mudou-se para o Torino e deixou um grande buraco para Iachini tapar. Das novas contratações, Aleksandar Trajkovski e Matheus Cassini não dão confiança. O macedónio marcou apenas 3 golos em 22 jogos na época passada pelo Mechelen da Bélgica, enquanto que o brasileiro tem muito potencial, mas ainda mal fez 19 anos e nem sequer é um homem com as características certas para o papel. Ainda há tempo para o Palermo se reforçar até ao fecho do mercado, mas esta é uma situação que irá pesar bastante nas performances da equipa, principalmente nas primeiras jornadas. Ao contrário do ataque, o meio-campo do Palermo aparece muito reforçado para a nova temporada. Edgar Barreto foi a única saída, mas a sua experiência foi substituída por juventude e irreverência. Depois de vencer o Europeu de Sub-21, Oscar Hiljemark reforçou o Palermo e poderá conquistar um lugar no onze com rapidez. Gaston Brugman e Ahmad Benali são também opções de qualidade à disposição de Iachini. A defesa também deu um passo em frente, com a aquisição de El Kaoutari e o regresso de Aljac Struna, que esteve emprestado ao campeão da Serie B, Carpi. Não fosse a saída de Dybala e diríamos que todos os sinais apontavam para uma melhoria significativa do Palermo. Agora, quem sabe como a equipa irá reagir à perda de dois avançados num tão curto espaço de tempo. Isso não chegará para colocar os Rosanero em apuros, mas é mais do que suficiente para evitar que lutem pela Europa.

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U.S. SASSUOLO

Principais entradas: Gregoire Defrel (Cesena), Karim Laribi (Bolonha) e Alfred Duncan (Sampdoria).

Principais saídas: Matteo Brighi (Bolonha), Simone Zaza (Juventus), Raman Chibsah (Frosinone), Jasmin Kurtic (Atalanta) e Saphir Taider.

Todos os verões, desde que chegou à Serie A, o Sassuolo procurou proteger as suas jóias da cobiça alheia. Este ano não resistiram mais e viram Simone Zaza partir para a Juventus. No entanto, Zaza é o mais facilmente substituível do trio maravilha, completado por Domenico Berardi e Gianluca Sansone. Enquanto que Zaza se mudou para a Juventus, a co-propriedade de Berardi decidiu-se a favor do Sassuolo, que pagou 10 milhões de euros pelo extremo, ficando a Juventus com opção de compra em 2016. Um negócio perfeito para todas as partes envolvidas. O Sassuolo não perde aquele que é indiscutível o seu melhor jogador, Berardi vai gozar de mais uma temporada para se desenvolver num papel principal (e não em minutos reduzidos, como seria o caso em Turim) e a Juventus fica ainda com um controlo alargado sobre o futuro do jogador. Foi praticamente uma extensão da co-propriedade por outros meios, uma vez que esta prática passa este ano a ser proibida na Serie A. Um loop-hole encontrado por Marotta.

Para o lugar de Zaza, o Sassuolo adquiriu Gregoire Defrel ao Cesena. Olhando para os números, Defrel marcou 9 golos, apenas dois a menos que Zaza, numa equipa de qualidade bastante inferior ao Sassuolo. Zaza é um bom jogador, mas inconstante. Em muitos jogos na época passada ficou a impressão que, dentro do trio maravilha, era ele que ia à boleia dos outros dois. Berardi e Sansone são os génios, Zaza deixava-se ir na onda. Defrel mostrou no Cesena o estrago que pode fazer, jogando praticamente sozinho, Podemos imaginar o que vai fazer a ser servido por Berardi e companhia. Laribi chegou do Bolonha e é outro jogador que pode ajudar a fazer esquecer Zaza rapidamente. Portanto, o ataque Neroverdi continua tão forte como nas passadas edições da Serie A e, numa equipa treinada por Eusebio Di Francesco, isso é sempre o mais importante. O meio-campo também aparece reforçado. Perderam Kurtic e Taider, mas capturaram Alfred Duncan por empréstimo da Sampdoria. Grande negócio para o Sassuolo, que encontrou um jogador bastante completo, com capacidade para ser influente em todas as fases do jogo. Incompreensível como a Sampdoria deixa fugir um talento como Duncan para um adversário directo, mas o Sassuolo agradece. Na defesa, os Neroverdi podem contar com a dupla experiente de Paolo Cannavaro e Francesco Acerbi, enquanto que na direita mora um dos melhores laterais do futebol italiano a jogar fora dos grandes: Sime Vrsaljko. Chegou a ser cobiçado por Juventus e Nápoles. A sua permanência poderá ser o melhor "reforço" do Sassuolo para esta temporada. Como se pode constatar, a equipa é boa e pouco mudou em relação à época passada. O entendimento entre jogadares - e dos jogadores em relação ao sistema de Di Francesco - aumentou. Têm tudo para serem uma agradável surpresa. Mas falta sempre qualquer coisa. Falta terem um estádio a que possam chamar casa. Jogar 30 quilómetros ao lado não é a mesma coisa. Pedir Europa é exigir demais. Um lugar no meio da tabela é o mais provável. Uma coisa é garantida: o Sassuolo vai continuar a ser um estandarte do bom futebol na Serie A.

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HELLAS VERONA F.C.

Principais entradas: Federico Viviani (Roma), Filip Helander (Malmo), Giampaolo Pazzini (Milan) e Souprayen (Dijon). 

Principais saídas: Rafael Marques (Coritiba), Francesco Benussi (Carpi), Javier Saviola (River Plate), Nico Lopez (Granada) e Panagiotis Tachtsidis (Génova).

O dilema que aflige o Hellas Verona é exactamente contrário ao dos seus vizinhos e rivais do Chievo. Ao Verona não faltam golos, nem criatividade, nem fantasia. Não falta um Capocannonieri com 38 anos. Não faltam extremos desiquilibradores, nem médios criativos. Falta, acima de tudo, solidez defensiva, problema que começa no meio-campo, onde não há um homem que garanta o equilíbrio nas transições, e se estende ao sector mais recuado. É fácil, por isso, entender a reacção negativa dos adeptos à contratação de Giampaolo Pazzini. Não é que Pazzini seja um mau jogador, nem que não seja necessário. Apesar de a idade não lhe parecer afectar, vai saber bem a Luca Toni ter alguém com quem possa partilhar o fardo de vez em quando. Contudo, o Verona não é um clube que tinha dinheiro para andar a esbanjar. Tem o quinto orçamento mais pequeno da Serie A, apenas atrás dos "pequeninos" Carpi, Frosinone e Empoli e dos rivais da cidade, Chievo. O que os adeptos se perguntam é se o dinheiro investido no salário de Pazzini, que não deve ser assim tão pouco, não seria melhor aplicado num médio de características defensivas ou num defesa central fiável.

No início da época passada, os Gialloblu tinham a complicada tarefa de sobreviver sem Juan Iturbe e Romulo. Conseguiram-no graças a um veteraníssimo Luca Toni, responsável por 22 dos 49 golos marcados pela equipa (45%), tornando-se no Capocannonieri mais velho da história da Serie A. Mas o colectivo ficou aquém. A equipa nunca conseguiu encontrar um nível de consistência aceitável, alternando entre vitórias impossíveis e derrotas desmoralizadoras. Só por duas vezes em toda a temporada o Verona registou duas vitórias consecutivas, da 2ª para a 3ª e da 31ª para a 32ª jornada. Toni não chegou aos 22 golos sozinho. Teve o apoio essencial de Emil Halfredsson e Jacopo Sala no meio-campo, de Juanito Gomez na ala. Do outro lado do terreno, não há ninguém para ajudar Rafael. Andrea Mandorlini continua sem ter um trinco à sua disposição. Viviani é um reforço muito interessante para o meio-campo, se se mantiver afastado das lesões. A dupla de centrais continua a mesma, permeável e lenta. Vangelis Moras e Rafa Marquéz podiam dominar o espaço aéreo, mas quando a bola rola pelo chão a conversa é outra. Souprayen deu nas vistas na pré-época e pode ser lançado às feras logo na primeira jornada. Helander é outra das soluções a que Mandorlini poderá ter que recorrer durante a temporada. Ainda assim, parece pouco face às dificuldades que o sector revelou na época passada. A equipa tem jogadores muito interessantes (Sala, Halfredsson, Gomez) e consegue praticar um futebol agradável, mas, quando as coisas correm mal, correm mesmo muito mal. O meio da tabela da Serie A é uma autêntica selva e as equipas que vagueiam nessa zona melhoraram os seus planteis. É difícil ver o Verona bater o 13º lugar da época passada e uma crise de lesões ou de confiança pode mesmo colocá-los em dificuldades.

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A.C. CHIEVO VERONA

Principais entradas: Lucas Castro (Catania), Massimo Gobbi (Parma), Simone Pepe (Juventus), Paul-Jose M'poku (Cagliari) e Cacciatore (Sampdoria).

Principais saídas: Ervin Zukanovic (Sampdoria), Dejan Lazarevic (Antalyaspor), Ezequiel Schelotto (Inter) e Francesco Bardi (Espanyol).

Ninguém pode acusar o Chievo Verona de querer dar um passo maior do que a perna. A equipa ficou mais do que satisfeita por ter garantido a manutenção na época passada e a ambição dos Gialloblu continua a ser a mesma, nada mais do que isso. Se lhes oferecessem a oportunidade de garantir o 14º lugar da temporada transacta ainda antes de começar, aceitavam sem pensar duas vezes. Esta é a mentalidade de um clube que não pretende passar do sítio onde se encontra. Houve um tempo em que o Chievo era o Carpi ou o Frosinone. A sua presença na Serie A era saudada pelos adeptos do futebol e temida pelos poderes estabelecidos do Calcio. Toda essa aura de esperança se perdeu no conservadorismo da abordagem que têm ao jogo. O Chievo mantém-se na Serie A pelo sétimo ano consecutivo, mas ninguém é capaz de relembrar com carinho um único momento desses anos. Isto porque as sucessivas manutenções têm sido alcançadas com base num futebol defensivo, mais do que isso, negativo e aborrecido. A época 2014/15 foi o expoente máximo do futebol que o Chievo pretende praticar todos os anos. 4ª melhor defesa do campeonato, com 41 golos sofridos. Pior ataque, com 28 golos marcados. Desde 2007 que uma equipa não garantia a manutenção com tão poucos golos marcados. Os jogos que envolveram o Chievo produziram um total de 69 golos, um mínimo desde 2005. Não é futebol agradável de se ver, deixem que vos diga. Não se pode deixar de respeitar o exímio trabalho de um veterano como Dario Dainelli ou de um jovem promissor como Zukanovic. A defesa do Chievo é agressiva, encurta espaço e controla como ninguém as suas costas. Nenhum deles é particularmente rápido. O segredo está no posicionamento, permitindo-lhes, com facilidade extrema, colocar os adversário em fora de jogo. Há que dar mérito a isso. Mas há muito mais no futebol do que o posicionamento defensivo. O Chievo é uma equipa unidimensional, por opção própria, e isso já é mais difícil de defender.

No entanto, pode haver esperança pela sobrevivência do bom futebol numa das metades de Verona. Ela não chega pelo colectivo, chegam através de um só jogador. Joseph M'poku é uma das melhores contratações do verão, um verdadeiro achado para o Chievo, mas é também uma aquisição que não se encaixa de maneira nenhuma na filosofia da equipa. O belga deu nas vistas, e de que maneira, numa equipa do Cagliari em ruínas. Ele tem velocidade, técnica e potência. Um jogador completo e extremamente perigoso no ataque que vai complementar muito bem o trabalho de Alberto Paloschi. Mas será suficiente uma individualidade, por muito boa que ela seja, para mudar uma maneira de uma equipa abordar o jogo? O Chievo vai continuar a defender bem e vai provavelmente voltar a garantir a manutenção, até poderá melhor marginalmente a sua posição na tabela classificativa, mas uma coisa é certa: com esta forma de pensar, apenas tentando manter o status quo, o Chievo nunca passará disto: uma equipa que luta para não descer.

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EMPOLI F.C.

Principais entradas: Lukas Skorupski (Roma), Andrea Costa (Parma), Luca Bittante (Fiorentina), Raffaele Maiello (Nápoles), Marco Zambelli (Brescia) e Ronaldo (Pro Vercelli).

Principais saídas: Mirko Valdifiori (Nápoles), Elseid Hysaj (Nápoles), Davide Bassi (Atalanta) e Francesco Tavano (Avellino).

É difícil suceder a Maurizio Sarri. Essa é a missão de Marco Giampaolo. O 15º lugar ocupada na tabela classificativa conta muito pouco sobre o futebol que se jogou no Carlo Castellani na época passada. Futebol positivo, atractivo, que mostrou ao mundo um punhado de jogadores jovens e com enorme potencial. Como tudo na vida, o sucesso tem duas faces. O Empoli experimentou a face negra do sucesso este verão. Primeiro perdeu Sarri para o Nápoles. O antigo treinador ainda fez o favor de levar consigo Mirko Valdifiori e Elseid Hysaj. Daniele Rugani ingressou na equipa principal da Juventus e Simone Verdi regressou ao Milan, findado o seu período de empréstimo. São perdas enormes, às quais se acrescenta ainda a de Francesco Tavano. Apesar de já não ser um factor dentro das quatro linhas, era uma voz importante no balneário. É hercúlea a tarefa que Giampaolo tem pela frente. Fazer esquecer o futebol do Empoli de Sarri é quase impossível. Nem sequer deve tentar igualar ou copiar. O melhor que tem a fazer é implementar as suas próprias ideias e esperar que este plantel ainda seja suficiente para garantir a manutenção.

Apesar de tudo, o Empoli ainda conseguiu segurar alguns dos seus diamantes. Max Tonelli ainda lá está, Riccardo Saponara também e estes dois jogadores oferecem muita qualidade à equipa. O clube contratou pouco e barato, mas fez algumas aquisições cirúrgicas que devem ajudar a minimizar o impacto das perdas. Skorupski chega da Roma para ocupar o lugar deixado vago por Sepe na baliza, o brasileiro Ronaldo foi o escolhido para seguir as pisadas de Valdifiori e Andrea Costa é um central experiente que formará uma dupla sólida com Tonelli. Continua a faltar um goleador. É fantástico o que Massimo Maccarone ainda consegue fazer aos 35 anos, mas começa a ser curto para a Serie A, onde um golo pode fazer a diferença entre a manutenção e a descida de divisão. Resta esperar que Saponara preserve a sua veia goleadora.

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UDINESE CALCIO

Principais entradas: Ali Adnan (Rizespor), Gaspar Iniguez (Argentinos Juniors), Duvan Zapata (Nápoles), Marquinho (Roma) e Iturra (Granada).

Principais saídas: Allan (Nápoles), Naldo (Sporting), Douglas Santos (Atlético MG), Gabriel Silva (Carpi), Simone Scuffet (Como), Zeljko Brkic (Carpi).

A Udinese é um dos modelos de referência no futebol italiano. Num campeonato tão errático e que se caracteriza pela gestão irracional, a estratégia da equipa Bianconeri sempre foi tida com uma das mais progressistas da Serie A. Sempre a descobrir os próximos grandes talentos, contudo a nunca fazer uso total deles. O inúmeros craques que passaram pela equipa saíram antes de puderem construir um legado. E assim a Udinese vem andado, sempre com jogadores de qualidade, mas nunca montando uma equipa para alargar horizontes e ambicionar por algo mais. A época passada foi um aviso sério à navegação. A pior classificação desde o campeonato de 1992/93. O clube não está a lidar bem com a ausência de Francesco Guidolin, ele que teve um papel essencial na descoberta e desenvolvimento daqueles craques. A Udinese começou muito bem, com 16 pontos conquistados nas primeiras oito jornadas, mas, depois da pausa de Inverno, tudo começou a correr mal. Andrea Stramaccioni culpou todo o mundo, menos ele próprio. Agora foi despromovido a analista de TV, merecidamente. Stramacioni nunca esteve à altura do hype que se fez por sua causa. A Udinese versão 2014/15 será relembrada pelo caos táctico, falta de visão estratégica e mau ambiente no balneário.

Para o seu lugar chegou Stefano Colantuono, também ele despedido a meio da temporada pela Atalanta, esta já uma demissão não tão compreensível. Colantuono era o treinador que há mais tempo permanecia no comando de uma equipa na Serie A. Foram cinco anos sentado no banco dos Orobici. Percebe-se o porquê da aposta da Udinese. Colantuono é um treinador com créditos firmados na Serie A e que tem tudo para revitalizar o 3-5-2 dos Bianconeri. Marcar golos foi uma das grandes dificuldades na época transacta. Para lá dos 24 marcados por Di Natale e Cyril Thereau, os restantes três avançados do plantel fizeram apenas um tento. Apesar de ter sido o melhor marcador da equipa com 14 golos, Di Natale ficou abaixo da quinzena de golos pela primeira vez desde 2009/10. Para resolver esse problema, chegou Duvan Zapata. O ponta-de-lança colombiano chega por empréstimo de dois anos do Nápoles e promete formar uma dupla aterradora com Di Natale. No entanto, ao mesmo tempo que se tapa um buraco, surge outro. No sentido contrário foi Allan. O médio brasileiro foi um dos poucos pontos positivos da Udinese na época passada. Ainda está para se ver quem vai ocupar o lugar do brasileiro. Ali Adnan é também um excelente contratação que vai dar vida ao lado esquerdo do meio-campo Bianconeri. Um renovado Stadio Friuli merece acolher o bom futebol. Com uma equipa reforçada e um novo treinador, a Udinese tem tudo para fazer uma campanha mais tranquila, sem embarcar em grandes sonhos.

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ATALANTA B.C.

Principais entradas: Jasmin Kurtic (Sassuolo), Marten de Roon (Heerenveen), Gaetano Monachello (Mónaco), Boris Radunovic (FK Rad), Davide Bassi (Empoli).

Principais saídas: Yohan Benalouane (Leicester City), Davide Zappacosta (Torino), Daniele Baselli (Torino), Giuseppe Biava.

Apesar de uma época aquém das espectativas, a Atalanta ataca a nova temporada com praticamente a mesma equipa. Há mudança, mas não pela positiva. O enfraquecimento do plantel é visível a olho nú. Antecipa-se mais uma temporada de sofrimento para os adeptos de La Dea. Foi por três pontos que a Atalanta evitou a descida de divisão na época passada, uma posição que em nada reflete a valia do plantel. A equipa teve momentos altos e baixos, produzindo em alguns jogos momentos fenomenais de futebol, mas faltou qualquer espécie de consistência, de controlo emocional. O episódio de German Denis é o melhor exemplo da constante tensão que rodeava a equipa. Jogar à frente de uma das mais aguerridas massas adeptas da Serie A não é fácil e isso reflectiu-se nos resultados. Os Orobici estabeleceram um novo recorde negativo, com 8 derrotas em 10 jogos em casa. Stefano Colantuono foi demitido em Março, depois de quase cinco anos à frente dos destino da Atalanta. Para o seu lugar chegou Edy Reja, que trouxe uma abordagem mais sistematizada e uma pequena melhoria nos resultados, principalmente nos jogos fora, de onde veio sem qualquer derrota (uma vitória e cinco empates).

O mercado não correu de feição à Atalanta. Duas das maiores figuras da época passada e produtos da formação, Baselli e Zappacosta, mudaram-se para Turim. Saíram também dois centrais experientes, Benalouane e Biava: Maxi Moralez parece ser o próximo na calha, com uma proposta dos Emirados Árabes Unidos. Das entradas, apenas Kurtic e Monachello se devem perfilar como soluções, tendo o primeiro entrada directa no onze titular. O plantel que se encontra à disposição de Edy Reja não deixa os adeptos dormir descansados. É fácil perceber as razões económicas por trás destas decisões. Esperemos que não hipotequem a permanência na primeira divisão.

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CARPI F.C. 1909

Principais entradas: Nicolas Spolli (Catania), Andrea Lazzari (Fiorentina) Luca Marrone (Juventus), Gabriel Silva (Udinese), Wallace (Chelsea), Zeljko Brkic (Udinese).

Principais saídas: Gabriel (Milan), Roberto Inglese (Chievo), Aljas Struna (Palermo).

O pequeno Carpi vai pela primeira vez na sua história ombrear com os gigantes da Serie A. Chamam-lhe o clube dos milagres. Suportado por uma pequena comunidade que não chega aos 70 mil habitantes, o Carpi já sobreviveu a uma bancarrota, a um terramoto e a várias dezenas de anos de irrelevância. É que ao contrário do que se pode pensar, os Biancorossi não apareceram agora. Têm uma história com 106 anos. Estes foram os anos que demoraram a chegar à Serie A. Fundada em 1909, a equipa da Emilia-Romanha é apenas um ano mais recente que o Inter. Durante mais de cem anos, os Biancorossi nunca conseguiram chegar aos patamares superiores do futebol italiano. Quando o clube parecia entrar numa fase de ascensão, foi deitado abaixo por uma bancarrota, declarada no ano de 2000. A despromoção automática à Série D obrigou a recomeçar tudo do zero. Aqui deu-se o primeiro milagre.

Com um novo nome, o Carpi FC 1909 deu início a um processo de renovação que culminou numa ascensão meteórica pela pirâmide do Calcio. Entre 2009 e 2013, o Carpi passou da 5ª Divisão para a Serie B e só passaram dois anos na antecâmara da Serie A. O segundo milagre é ainda mais inspirador. No dia 22 de Maio de 2012, o Carpi viajou até à Campania para disputar um jogo a contar para os Playoffs da Lega Pro contra o Sorrento. Os Biancorossi venceram na casa do adversário, deixando as coisas bem encaminhadas para o jogo da 2ª mão. Mas quando regressaram a Carpi encontraram uma cidade destruída por um sismo de magnitude 5.9 na escala de Richter. No meio do caos, com milhares de pessoas desalojadas, e com coisas mais importantes em que pensar do que no futebol, o Capri perdeu o jogo decisivo contra o Pro Vercelli e falhou a primeira subida à Serie B na sua história. Esse contratempo foi a motivação necessária para completar o processo de transformação do clube. Um grupo de empresários locais da industria da moda (entre eles, Stefano Bonacini, dono da Gaudi) investiu no clube e deu início a um projecto "low cost" e responsável financeiramente. Por essa altura, chegaram três jovens com potencial para o ataque, Jerry Mbakogu, Roberto Inglese e Kevin Lasagna. Em Setembro de 2014, Fabrizio Castori pegou na equipa e ela explodiu. Chegaram ao Natal com uma vantagem de nove pontos sobre a concorrência. O título nunca esteve em questão.

Mantendo aquela que é a filosofia do clube, o Carpi vai atacar a sua primeira presença na Serie A com um orçamento minúsculo de 3 milhões de euros, metade do que ganham as maiores estrelas do futebol italiano. Não se deixem enganar. A equipa reforçou-se. No total, vão se apresentar com 15 caras novas. Nove delas são empréstimos e as restantes chegaram a custo zero. Incrível. Veremos se será suficiente para sobreviver ao ambiente sufocante que se sente na metade inferior da tabela da Serie A. Kamil Wilczek terá a grande responsabilidade de substituir Roberto Inglese e reformular um tridente ofensivo que deu muito trabalho às defesas da Serie B. A defesa foi particularmente reforçada com a experiência de Benussi, Gabriel Silva, Brkic e Spolli. Em Lucas Marrone e Wallace, o Carpi tem dois jovens com enorme potencial e que podem usar o pequeno clube para projectarem as suas carreiras para outro nível. Jerry Mbakogu é a grande figura da equipa. Já o foi na época passada, marcando 15 golos e formando um trio atacante temível com Kevin Lasagna e Roberto Inglese. Vai precisar de se adaptar à ratice das defesas da Serie A, mas a sua capacidade goleadora virá sempre ao de cima. As esperanças do Carpi dependem quase exclusivamente daquilo que o nigeriano conseguir fazer com a pouca posse de bola que vai ter durante os jogos. Não nos pudemos esquecer que este é um dos clubes mais pequenos de sempre a disputar a Serie A. A manutenção será uma tarefa quase impossível.

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FROSINONE CALCIO

Principais entradas; Nicola Leali (Juventus), Aleandro Rosi (Génova), Modibo Diakite (Cagliari), Daniele Verde (Roma), Raman Chibsah (Sassuolo), Samuele Longo (Inter).

Principios saídas: Raffaele Schiavi (Catania), Manuel Pamic.

Numa cidade localizada nos subúrbios de Roma com pouco mais de 45 mil habitantes e onde a taxa de desemprego ronda os 20%, não há muito mais para fazer do que seguir a equipa de futebol local. Apesar de nunca ter estado no mais alto patamar do futebol italiano antes, o Frosinone promete envergonhar os vizinhos muito mais prestigiados, Lazio e Roma. O Stadio Matusa pode ser pequeno, pode levar só 10 mil pessoas, mas é certo que estará sempre cheio, semana após semana. Tal como o Capri, a história do Frosinone é uma de sonho, que fala ao coração de qualquer adepto de futebol. Tanto Carpi como Frosinone partem como favoritos à descida de divisão, mas na linha da frente da simpatia que recolhem dos adeptos neutros. Ninguém esperava a promoção, nem sequer os próprios líderes do projecto. O objectivo passava pela manutenção. No entanto, um bom início de temporada catapultou a equipa para os primeiros lugares e os jogadores acreditaram. Muitos esperaram uma queda, a inevitabilidade do pequeno Frosinone ser ultrapassado pelos favoritos Bolonha e Vicenza. Mas os Canarini não tiraram o pé do acelerador e continuar a somar pontos, pontos esses que acabaram por ser suficientes para garantir o segundo lugar e a promoção automática.

Roberto Stellone será um dos mais jovens treinadores na edição deste ano da Serie A. Com 38 anos, o antigo ponta-de-lança do Nápoles e Torino estreia-se na principal divisão do futebol italiano como técnico. O seu 4-4-2 compacto, assente acima de tudo numa visão colectiva do jogo, foi uma das chaves do sucesso, talvez a maior. Numa altura em que a posse parece ser tudo no futebol, Stellone diz que a bola não lhe interessa muito, interessa-lhe mais os espaços. Não se espera muito em termos de resultados, mas o Frosinone de Stellone vai ser uma das equipas mais interessantes de seguir nesta edição da Serie A. O sucesso da equipa deve-se a uma dupla dinâmica no ataque. Daniele Ciofani e Federico Dionisi marcaram 27 golos entre os dois. Com 29 e 27 anos respectivamente, Ciofani e Dionisi são jogadores experientes, com várias passagens por clubes respeitáveis. Ciofani é a extensão de Stellone em campo. Há quem veja nele as mesmas características que tinha o seu actual treinador enquanto jogador. Aos trinta anos, Ciofani vai fazer finalmente a sua estreia na Serie A, depois de 137 golos marcados entre a Serie C2 e a Serie B. Ciofani tem um grande espírito de sacrifício, aguentando, muitas vezes sozinho, a marcação directa dos centrais adversários. Forte fisicamente e feroz no último terço, ele é o homem ideal para ser o ponto focal do ataque directo do Frosinone. Vamos vê-lo muitas vezes a subir às alturas e amortecer bolas para os seus colegas, sempre com propósito, sempre com movimentos pensados. Futebol directo, mas organizado. É assim o Frosinone de Stellone.

Luca Paganini também merece atenção. O jovem de 21 anos pode jogar como ponta-de-lança, mas tem sido mais utilizado na ala esquerda, onde a sua velocidade e capacidade de drible já deram nas vistas. A estes três jogadores interessantes, os Canarini juntaram duas promessas do futebol italiano, Samuele Longo e Daniele Verde. Com todas estas armas no ataque, o Frosinone quer dar espetáculo na sua época de estreia. Nicola Leali até pode mascarar algumas das deficiências defensivas da equipa. Chibsah vai ser um trabalhador incansável no meio-campo. Mas, para uma equipa tão jovem, até a manutenção pode ser um objectivo demasiado ambicioso. Na época passada, a média de idades do Frosinone (26.4) só foi superada pelo Carpi (24.4). Contudo, a sua principal fraqueza pode também ser a sua força. Se todo o potencial se concretizar, os adeptos dos Canarini vão puder voltar a sorrir.

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BOLOGNA F.C. 1909

Principais entradas: Antonio Mirante (Parma), Luca Rossettini (Cagliari), Erick Pulgar (Universidade Católica), Lorenzo Crisetig (Inter), Luca Rizzo (Sampdoria), Franco Brienza (Cesena).

Principais saídas: José Crespo (Córdoba), Rolando Bianchi, Diego Perez.

A viagem de regresso do Bolonha à Serie A foi rápida, mas nada fácil. Uma derrota por 2-1 no terreno do Frosinone afastou os Rossoblu do 2º lugar, posição que seguraram durante grande parte da temporada. O desaire precipitou a saída do treinador Diego López, com Delio Rossi a ser o escolhido para suceder ao uruguaio. Mas já não havia tempo para recuperar o lugar que dava promoção directa à Serie A. Em vez disso, o Bolonha foi obrigado a disputar os playoffs e quase se viu eliminado pelo Pescara na final, não fossem as estranhas regras do torneio. Depois de um empate a zero na primeira mão, o Pescara viajou até ao Renato Dall'Ara para arrancar novo empate, desta feita a uma bola. Com mais golos marcados fora, é o Pescara promovido, certo? Errado. Então houve prolongamento? Também não. O factor de desempate nos playoffs da Serie B é a posição na liga e não os golos fora. O Bolonha acabou a época regular em quarto, enquanto que o Pescara foi sétimo. O empate beneficiou o Bolonha que viu assim terminar o seu exílio de um ano da Serie A.

Contudo, o regresso ao escalão mais alto do futebol italiano traz algumas recordações menos felizes. A despromoção na temporada 2013/14 pôs a nu as dificuldades financeiras do clube. Um estádio que, apesar de lindíssimo, é do tempo de Mussolini, um plantel maioritariamente composto por jogadores emprestados e uma queda abrupta nas receitas colocaram em apuros a direcção de Albino Guaraldi. O clube viu-se mesmo obrigado a vendar a sua principal estrela, Alessandro Diamanti, ao Guangzhou Evergrande a meio da temporada, algo que prejudicou bastante as probabilidades de permanência na Serie A. Em Outubro do ano passado, um consórcio americano liderado por Joey Saputo, dono dos Montreal Impact da MLS, adquiriu o clube e pagou os seus mais de 23 milhões de euros em dívida. Apesar de tudo, o Bolonha continua a ser um investimento apetecível. É um dos clubes com mais história no Calcio italiano e que se encontra numa cidade cheia de vivacidade e juventude.

Quanto aquilo que se pode esperar dentro do campo, o Bolonha vai ter dificuldades em suprir algumas das saídas, com muitos jogadores importantes a terminarem o seu período de empréstimo. Karim Laribi e Gianluca Sansone são dois exemplos. Eles foram unidades essenciais no ataque, marcando 8 e 7 golos respectivamente na época passada. Já Matuzalem era o patrão do meio-campo e o principal garante de equilíbrio. O Bolonha tentou reforçar-se recorrendo à experiência, sobretudo no sector recuado. Luca Rossettini chegou do Cagliari e junta-se a Daniel Gastadello para formar uma das duplas de centrais mais experientes da Serie A. Antonio Mirante, que tem sido um dos melhores guarda-redes do futebol italiano dos últimos anos, é também uma excelente aquisição para a baliza dos Rossoblu. Falta saber se o meio-campo terá a criatividade suficiente para criar oportunidades de golo. Muito do que é o trabalho criativo irá recair nos ombros de outro veterano, Franco Brienza. Será ele que deverá aparecer nas costas dos avançados, Robert Acquafresca e Mattia Destro, a contratação bomba dos Gialloblu. Apesar dos seus 36 anos, Brienza é sempre um jogador influente na manobra ofensiva de todos os clubes por onde passa. Foi-o mais uma vez na época transacta, ao serviço do Cesena. Terá energia para mais uma? Apesar de acreditar que este plantel do Bolonha é digno da história do clube, é difícil apostar na manutenção, olhando para a matéria prima à disposição de Delio Rossi. No entanto, das três equipas promovidas, o Bolonha é aquela que está mais apetrechada para aguentar os rigores da Serie A.

Gazzetta dello Sport
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Planeta Desportivo: Serie A 2015/2016
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