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Mundial de Rugby - Inglaterra 2015

O fim de um dos maiores eventos a nível mundial terminou com a vitória da Nova Zelândia; Dados, questões, momentos e as maiores memórias do melhor Mundial de sempre.

Infelizmente o Mundial de Rugby terminou... muito rugby, ensaios, placagens, jogadas aconteceram durante toda a prova... muitas lágrimas, suor, algum sangue foram deixados no Reino Unido... festejas, desilusões, gritos de apoio, silêncio ensurdecedor, hakassipi taus, entre tantos outros momentos. Este foi um Mundial de surpresas e de "quedas", de heróis e vilões, saints and siners, rugby positivo e rugby calculista. O Planeta Desportivo elaborou o seu rescaldo e análise da prova rainha do Rugby Union.

O Melhor Mundial de Sempre? | RugbyWorldCup
Let The Games Begin | RugbyWorldCup

A DESILUSÃO

Não existe outra candidata e vencedora possível para este "título" como a Inglaterra. Organizadora da prova, "mãe" do Rugby, um clash de gerações, no mínimo, interessante (Ford, Robshaw, Haskell, Mike Brown ou Nowell) e com um público todo a puxar por eles, conseguiram a pior prova de sempre na sua história. As derrotas contra o "vizinho" do lado, País de Gales, e com a antiga colónia, Austrália, deitaram por terras as aspirações para tentar chegar, pelo menos, aos 1/4's de final. Com 133 pontos marcados (os 60 pontos ao Uruguai foram o jogo com mais pontos) e 75 sofridos (a Austrália conseguiu "infligir" 33 pontos), não foi o pior mundial deles em termos de stats... então o que correu mal? No jogo de abertura com as Ilhas Fiji, tiveram momentos de "rasgo" que iam balançando com minutos de desespero perante as investidas de Nadolo, e não só. A vitória no 1º jogo foi assegurada, sabendo que na semana seguinte iriam defrontar o País de Gales (última vez que se encontraram foi para as Seis Nações com uma vitória da selecção da Rosa por 21-16 em Cardiff), num jogo importante para passarem - uma derrota não os atirava para fora do Mundial, mas obrigava-os a ganhar à Austrália. Jogo muito "partido", mal jogado em alguns momentos e sem a "chama" necessária... mesmo no final do jogo, a Inglaterra teve a hipótese de uma penalidade que lhes poderia - ninguém pode dizer se Ford metia os três pontos ou não - dar o empate... Chris Robshaw, numa tentativa de dar dar a vitória à sua Majestade, pede "alinhamento"... que perderam no chão e permitiram que o País de Gales gerisse até ao minuto final a bola a seu belo prazer. Estado de alerta, nervosismo a tomar conta dos jogadores ingleses e a Austrália na expectativa... no jogo frente aos wallabies, Stuart Lancaster não conseguiu "tirar" o melhor dos seus jogadores e saiu pela porta pequena do Mundial de Rugby, com uma derrota por contundentes 33-13. Primeira vez na história inglesa que tal "crime" acontecia, o adeus ao Mundial em fases de grupo, com todos os adeptos sem reacção e opinião... Terá errado Lancaster nas suas escolhas para o Mundial (as únicas que criticamos é a não inclusão de Luther Burrell e Danny Cipriani nos 31)? Foi na liderança dentro de campo que a equipa quebrou, com Robshaw a não saber liderar ? Ou o rugby amorfo, penoso e demasiado estático é que foi regra durante esta prova? Muitas questões, mas a desilusão estava consumada... nem a vitória frente ao Uruguai serviu - e nunca serviria - para "limar" a dor causado pela eliminação. A Rosa caiu no ano em que se celebra os 600 anos da Batalha de Agincourt, não conseguindo dar sequência aos feitos dos seus antepassados... de se recriarem, saberem usar as suas melhores armas e conseguir partir para o desafio com olhos nos olhos. Menção desonrosa para a Irlanda, que conseguiu estar entre o pior e o melhor... rugby pouco dinâmico e inérgico (não pode dizer que não consegue fazer melhor, pois tem os jogadores suficientes para dar jogo de alto gabarito ao público), com o comportamento dentro de campo frente à Argentina reprovável, já que não souberam lutar contra os pumas ou representar com qualidade o rugby europeu. Joe Schmidt tem de rever rapidamente quais os seus objectivos para os seus comandos, que se verá privado de P. O'Conell a partir deste ano... será o fim do rugby vencedor irlandês, que tem dominado nos últimos 5 anos a Europa?

Bye Bye your Majesty | The Guardian
No Sexton, No Show | Irish Rugby

 O jogo do início do "adeus" inglês:

A(S) SURPRESAS(S)

A questão das equipas que mais surpreenderam neste mundial é sempre uma difícil. Podemos ir para o Japão, com a não só categórica vitória ante a África do Sul mas também pela excelente prova realizada; a Argentina com um rugby de enorme virtuosismo, com o verdadeiro pulsar do espírito latino mas agora mais organizado e equilibrado; a Austrália, que para muitos, não seria uma candidata séria ao trono Mundial ou, pelo menos ao Top-3; ou a Geórgia, que apesar de não se ter apurado para a fase seguinte, deu excelentes indicações de um futuro muito risonho para os lelos. Em mundiais de Rugby, é sempre complicado termos de escolher uma surpresa... a maioria delas não passa da fase-de-grupos, pois as equipas de tier 1 (Nova Zelândia, Austrália, Argentina, África do Sul, Inglaterra, Irlanda, entre outras) costumam apurar-se, mesmo nas piores condições possíveis. Ninguém poderá nos criticar se optarmos pelo Japão, uma selecção que levantou qualquer adepto (mesmo os adversários) e fez-nos perceber que os jogos entre pequenos e grandes está assim tão vincado. No jogo de abertura frente a uma bi-campeã mundial, a África do Sul, todos pensavam o mesmo... vitória dos Boks, mesmo que jogassem q.b., algo que têm vindo a fazer neste último ano. Para além disso somar o facto do Japão só ter averbado uma vitória em vinte e quatro jogos em Mundias (foi em 1991 frente ao Zimbabwé) com 1259 pontos sofridos (um recorde!)... isto significava, para muitos, uma vantagem clara para a África do Sul. Mas o jogo não vive de sondagens ou pré-favoritismos... o jogo vive daqueles 80 minutos e da forma como quem está envolvido o enfrenta... a 19 de Setembro de 2015, na primeira jornada do Mundial de Rugby, os japoneses em estilo samurai "quebraram" barreiras e deram uma vitória por 34-32 já com o jogo para lá da hora regulamentar... a vibração e paixão que "jorrava" das bancadas era contagiante, Eddie Jones o homem do leme, sorria perante a História do Japão no Rugby, um seleccionador que já sabia o que era ganhar aos sul-africanos (durante os anos que comandou a Austrália, entre 2001-2005) e colocar as suas equipas a jogar bom rugby. Nas "asas" de Goromaru (o arrier esteve impressionante na arte da placagem e do pontapé), na "fortaleza" Leich (o asa consolidou de tal forma os seus avançados que foram sempre o osso mais duro de roer) ou com o "fantasista" Ono (o médio de abertura só tem classe nas mãos e pés), o Japão soube mudar a sua história no rugby... 3 vitórias em 4 jogos, uma derrota "demasiado" pesada frente à Escócia (não espelhou a realidade do jogo) tirou-os dos quartos-de-final (a Escócia podia ter dado a borla se tivesse perdido frente à Samoa no último jogo... que quase aconteceu), mas o rugby positivo - por vezes algo anárquico - e inteligente imposto por Eddie Jones valeu-lhes o título de Surpresa do Mundial. Palavra de Mérito para a Argentina: podíamos ir até à Escócia e dar-lhes esta palavra (em 2011 tinham falhado pela 1ª vez na sua história o apuramento para os quartos-de-final) pelo apuramento para os quartos e a derrota ao cair do pano frente à toda poderosa Austrália, assim como por ter sido a única selecção europeia a espalhar bom rugby durante a prova; Mas o "dia" é da Argentina, que nos deixou "loucos" pelo estilo mágico, explosivo, rápido e "louco" dos pumas. Daniel Hourcade levou-os ao nível seguinte (apesar de não ter sido o melhor resultado de sempre, já que em 2007 atingiram o "bronze") em termos de rugby jogado. Vale a pena reverem os jogos da Argentina (especialmente frente à Irlanda e Nova Zelândia) e perceberem o porquê da qualidade dos sul-americanos... um tango de Rugby que até deixou Maradona louco... Bravo!

Arygato, Japão | L'Equipe
Pumas al Ataque | Olé

Japão e o ensaio da surpresa:

O MOMENTO

Talvez o segmento onde poderemos ter um maior debate entre todos nós...qual ou que tipo de grande momento do Mundial de Rugby? Terá sido um momento de viragem, como quando Aaron Smith marca aquele ensaio que vira o jogo frente à Argentina logo no primeiro jogo dos All Blacks frente aos Pumas? Ou o momento da queda, quando Chris Robshaw arrisca a penalidade para alinhamento invés de ir aos postes? Também poderia ter sido um momento de domínio, quando a Argentina marca o seu 2º ensaio em dez minutos frente à Irlanda nos quartos-de-final? O momento  Qual foi o momento deste Mundial? É quase impossível escolher um momento que nos tenha surpreendido/agarrado/entristecido/compelido neste mundial. A vitória do Japão no último momento foi aquele momento que nos diz que tudo é possível quando acreditamos nas nossas capacidades... Leich olhou para os 14 que partilhavam aquele relvado consigo e decidiu ir ao alinhamento... deu ensaio... Japão eufórico... África do Sul sem reacção... o mundo de rugby com as mãos na cabeça e ao saltos, tudo ao mesmo tempo. E porque não o momento da polémica, quando Craig Joubert assinala uma penalidade a favor dos australianos, que estavam a perder por por dois pontos a 60' segundos do final, e que Bernard Foley (nervos de "ferro") encaixa. Foi talvez o momento mais complicado para a equipa de arbitragem deste Mundial, com a World Rugby (entidade máxima do Rugby) a abrir um inquérito a C. Joubert. Claro que podemos ir até ao momento mais triste (e perdoem-nos esta definição) que aconteceu no jogo entre a Irlanda França, com a lesão de Paul O'Connell e o encerar de carreira a nível internacional do lendário capitão dos irlandeses. Há claro o momento Carter, ou seja, quando precisas que alguém consiga decidir o jogo seja da forma que for... Daniel Carter tanto na meia-final como na final, "fabricou" 29 pontos (10 frente aos boks' e 19 antes os wallabies) que foram fundamentais para a vitória final dos All Blacks.  Escolhemos para o momento do Mundial, quando no final do jogo entre Nova Zelândia África do Sul, Sonny Bill Williams dirige-se a Jesse Kriel e dá um grande abraço... as rivalidades históricas de lado, os festejos adiados para mais tarde, S.B. Williams preferiu levantar o seu colega de profissão do chão e dar um grande abraço. Isto é o rugby, isto é fair play, isto é desportivismo até ao mais alto nível.

This is Rugby! | The Guardian
The Carter Moment | NzRugby

Os vários momentos deste Mundial:
O ENSAIO

Uma questão mais "divertida", se pudermos assim designar, o ensaio do Mundial de Rugby. Houve vários de enorme categoria, como o de Nadolo contra a Inglaterra (crosskick de Volavola) que capta a bola de uma forma inesquecível para dar o 1º ensaio aos guerreiros do pacífico. E aquele de Santiago Cordero (esteve fenomenal o pequeno ponta argentino) frente à Geórgia que foge por mais de 60 metros a fintar diversos "lelos" pelo caminho? E aquele gruber do recém-entrado Lloyd Williams, do País de Gales, frente à Inglaterra, que Gareth Davies numa corrida insana capta do chão para dar aos Red Dragons a vantagem frente à Inglaterra? Também pode ser o grande ensaio de DTH Van der Merwe, que vai desde os seus cinco metros a correr, fintar, driblar, enganar para passar a bola...para no momento seguinte a receber para fazer ensaio para o seu Canadá frente à Itália. Que tal um ensaio à Jonah Lomu? Julian Savea (já vai em 38 ensaios em 40 jogos efectuados pela Nova Zelândia isto aos 25 anos) frente à França nos quartos-de-final destruiu ou demoliu três jogadores franceses para marcar um dos nove ensaios na vitória por 62-13 frente aos gauleses. O ensaio proporcionado por Quade Cooper (sim o pequeno "demónio" problemático mas "mágico" da Austrália entra nas nossas contas) que no jogo frente às Fiji quebra a linha, deixa por "terra" dois adversários e faz um passe brilhante para K. Beale para este dar a oferta a M. Toomua. E no seguimento de ensaios da Austrália, que tal o da meia-final em que Drew Mitchell percorre a partir dos seus 22 metros até quase à área de ensaio dos pumas para dar a bola a Adam Ashley Cooper para completar o 29-15! No 3º/4º, o segundo ensaio da África do Sul é de ver, rever e voltar a ver... notem a capacidade de Pollard em arriscar e os restantes colegas a conseguirem fazer uso da bola de uma forma eficaz e "elegante". Na final tivemos grandes ensaios: o de Ma'a Nonu (2º do jogo) com Sonny Williams a entregar bem a bola, para o centro neozelandês efectuar uma corrida imparável até à linha de ensaio; o segundo da Austrália, com um cheap kick de W. Ginea, aproveitado por Cooper e que no chão faz um bom offload para Kuridrani entrar a "abrir" para os cinco pontos que relançaram o jogo; e, por último, o ensaio que confirmou o título mundial da Nova Zelândia, com Ben Smith a aproveitar a ausência de Folau na posição de arrier, com um bom chuto, para Barrett, com um grande sprint, captar a bola - após um pequeno chuto para a frente, de grande virtuosismo - e mergulhar dentro da área de ensaio. E qual foi para vocês o melhor ensaio da prova?

Is That you, Lomu? | NzRugby
Jump like Gods, Fall like Nadolo | The Guardian

Um dos grandes ensaios do Mundial por Nadolo (Fiji):

Os cinco melhores ensaios do Mundial para a World Rugby:

RUGBY

A esta secção demos o nome de Rugby para partirmos para a discussão/análise do tipo de rugby praticado durante este Mundial. No geral tivemos excelentes jogos de rugby, em que a combinação entre jogo rápido e eficaz, vinha uma boa quantidade de calculismo e frieza para rematar com bons ensaios e rasgos de qualidade. Notavelmente foram as potências do Hemisfério Sul a produzir o melhor rugby - já vem sendo uma realidade contínua - com ligeiras e/ou profundas mudanças entre si... mas totalmente diferentes quando comparadas com as do Hemisfério Norte. Essa diferença fez-se notar nos jogos frente a frente entre equipas do tier 1 do Hemisfério Norte: na fase de grupos só se encontraram Escócia-África do Sul, com a vitória a sorrir aos Boks'; na fase a eliminar, todas as equipas do H.N. caíram perante as do H.S. com os resultados da Nova Zelândia frente à França e Argentina ante a Irlanda a serem os mais desnivelados e mais preocupantes (62-13 e 40-23 respectivamente) já que mostraram uma diferença de um "oceano" entre hemisférios. Salvou-se o facto do País de Gales e Escócia terem dado - as duas formações que menos esperávamos por uma resposta forte e capaz - uma imagem menos perturbadora e capaz frente aos seus adversários, a África do Sul e Austrália. A formação dos Red Dragons e Highlanders tiveram vontade de aplicar outras ideias e formas de jogar, dando vantagem a um rugby que procura sempre o ensaio, uma vontade de produzir jogadas de "risco" e que dá primazia ao jogo "bonito"... algo que a Irlanda, Inglaterra, França e Itália têm de assumir e implantar no seu "código de jogo". O excesso de penalidades que vão aos postes, o jogo que por vezes assume-se como altamente estático e desencorajador a ver (o jogo entre França Irlanda ou Irlanda Itália foram fracos quando comparados com os restantes), um jogo que parece estar parado no tempo em certos momentos e sequências do jogo. Convidamos a verem um jogo da Geórgia para observarem uma selecção que é de tier 2 e europeia (altamente ligada à França) mas que tem se preocupado a fazer uma evolução positiva do seu jogo, "copiando" um pouco o que faz a Nova Zelândia (num nível completamente diferente) e à Argentina (no tipo de domínio aplicado pelos seus avançados ou a forma como se "exprimem" na ocupação de território)... o fascínio está totalmente no rugby praticado no Hemisfério Sul, que neste mundial - com a excepção da África do Sul - apaixonou os adeptos a nível mundial. As meias-finais foram bens jogadas, mas tiveram que ser assim... ninguém quer "arriscar" muito nesta fase do campeonato... mesmo assim foram jogos empolgantes (q.b.) com bons lances entre as equipas. A final foi de alto gabarito... todos queríamos um jogo "aberto", rápido e intenso... foi o que tivemos... precisamente aos 64 minutos ninguém sabia se ganhava a Austrália ou Nova Zelândia (16-03 ao intervalo)... um jogo formidável que fez jus ao Rugby. O Japão (Hemisfério Norte), atrás da Geórgia, foi a que mais impressionou com um rugby à Eddie Jones, impulsivo, de classe, caótico e anárquico q.b. mas com a lição bem estudada. A Argentina - e não nos cansamos de "atacar" este ponto - é das que mais evoluiu no seu jogo (o apuramento para as meias-finais não foi novidade, já que em 2007 o conseguiram também), com um ritmo "esmagador" (pena que o pulmão desapareça a partir dos 70 minutos) que ataca o meio das linhas adversárias, para depois aplicar velocidade nas laterais e atacar bem com os seus pontos, sempre suportados/apoiados por duas ou três unidades. O rugby saiu a ganhar deste Mundial, com as equipas a darem passos bem interessantes no desenvolvimento de um Rugby Positivo.

Estatísticas finais do Mundial de Rugby:

Pontos Marcados: 2,439;
Ensaios Marcados: 271;
Drops: 8;
Penalidades aos postes: 224;
Melhor jogador para a WorldRugby 2015: Daniel Carter (Nova Zelândia);
Melhor estreante: Nehe Milner-Skudder (Nova Zelândia);
Melhor marcador de ensaios: Julian Savea (Nova Zelândia) 8;
Melhor placador: François Louw (África do Sul) 77;
Melhor chutador: Nicolás Sánchez (Argentina) 97;
Turnover King: David Pocock (Austrália) 17;
Melhor Ensaio: Japão vs África do Sul (Hesketh 80');
Equipa com mais pontos: Nova Zelândia 290;
Equipa com mais ensaios: Nova Zelândia 39;
Equipa mais placadora: África do Sul, com 913 pla. efectivas;
Equipa que mais metros conquistou: Argentina, 4km e 400 metros;
Jogo com maior assistência: Irlanda vs Roménia (Wembley), com 89,267 pessoas;
Jogo com menor assistência: Namíbia vs Geórgia (Sandy Park) 10,200 pessoas;
Nº total de assistência: 2,477,805 pessoas (cerca de 96% do espaço disponível total ocupado);
Nº de visualizações da final: 120 milhões de visualizadores (a nível Mundial);

Wembley "apinhada" para o Roménia Irlanda | The Guardian
A Final tão aguardada | RugbyWorldCup

Wembley no Irlanda Roménia (Ireland's Call):

THE BIG MAN AWARD

O Planeta Desportivo dá destaque ao big man award que pressupõe ao melhor placador/"defesa" deste mundial. O rugby é feito de ensaios, claro, mas é também feito de placagens, de boas organizações defensivas, um equilíbrio de quem sabe que é fundamental defender para ganhar... um bom ataque ganha jogos, mas uma boa defesa ganha campeonatos. Ficámos deliciados com a qualidade de Gorgoze - não é novidade -, não é novidade claro, no entanto é fantástico o quão "gigante" é na hora de placar, "roubar" a bola e  de ser um "comandante" total. 45 placagens e 6 turnovers, o capitão dos "lelos" foi dos melhores jogadores das selecções de tier 2. Thierry Dusautoir, capitão da França, também conseguiu averbar nove turnovers e 55 placagens efectivas... não foi pelo asa que a selecção gaulesa ficou pelo caminho mais cedo. E o duo, McCaw-Read? Os All Blacks têm no seu nº8 e nº7 uma das grandes forças do seu jogo... Read tem, até ao momento, 8 turnovers (vale a pena rever no 1º jogo frente à Argentina na 2ª parte a forma como ele "rouba" duas bolas), 55 placagens, 6 bolas "roubadas" em alinhamentos... enquanto que o mítico capitão dos neozelandeses, tem o mesmo número de placagens, com 6 turnovers e muita responsabilidade na forma como os All Blacks defendem ou contestam o ruck (o roubo de bola na 2ª parte frente à África do Sul foi providencial). De ressalvar que não são só os avançados com "sede" de colocar o ombro e atirar alguém para o tapete verde... Nicolás Sánchez, o médio de abertura dos pumas, o fantástico nº10 com os pés "bomba", já conseguiu efectuar 60 placagens em todo o mundial... ter um jogador na linha de 3/4's com esta qualidade... não é para todos! E que tal falarmos de David "Goliath" Pocock? O número 8 australiano conseguiu "roubar" por 17 vezes a bola ao adversário - fundamental no jogo com a Argentina - com 59 placagens bem aplicadas... os wallabies têm no seu terceira linha um dos maiores candidatos a jogador do ano. A questão complica-se quando adicionamos três nomes à lista... o segunda-linha, Lodewyk De Jager e os terceira-linhas, Schalk Burger e François Louw, da África do Sul. O primeiro somou 77 placagens, 3 "roubos" nos alinhamentos e 3 turnovers - nada mau para um segunda-linha... enquanto que Burger efectuou 68 placagens e 4 turnovers. Já François Louw (em grande nível) efectuou 77 placagens (o mesmo número que Jaeger), 13 turnovers e toda uma capacidade para defender a linha (como se conseguisse clonar a si mesmo durante o jogo) uma vez atrás de outra. É difícil optar por um no meio de tanta "agressividade", "roubos" e "dinâmica", mas talvez o título fique bem repartido entre Pocock e Read.

O nosso Top-5 (TO, turnover, Pla, placagem, ALR, alinhamento roubado):

David Pocock (Austrália) - 17 TO; 59 Pla.;
Kieran Read (Nova Zelândia) - 8 TO; 55 Pla.; 6 ALR; 
François Louw (África do Sul) - 13 TO; 77 Pla.; 
Richie McCaw (Nova Zelândia) - 7 TO; 55 Pla.;
Thierry Dusautoir (França) - 9 TO; 55 Pla.;

Hide it, Pocock is going to steal it | The Guardian
Je suis Thierry | L'Equipe

Os melhores momentos de Pocock no jogo frente à Inglaterra (ver o min.1 turnover):

O HOMEM DO APITO

É fundamental tocar numa questão "milenar", a prestação dos árbitros nesta prova máxima. Na generalidade a arbitragem esteve top, com Nigel Owens a deslumbrar tudo e todos, tanto pela forma como apitou com autoridade os jogos ou pela forma como os jogadores respeitam a visão e trabalho do juiz. Outros não tiveram tanta sorte... Craig Joubert, nos quartos-de-final no jogo entre a Austrália-Escócia, foi alvo de várias críticas pela forma como "comandou" o jogo, em especial pela decisão no último lance da partida... não tardou para a World Rugby abrir um inquérito à prestação do sul-africano, mas terá sido o passo certo? É verdade, e por mais que um par de pessoas se queiram agarrar ao contrário, que não foi boa arbitragem, pois roçou o medíocre algo inaceitável para esta fase da competição (ou para alguma). Seria positivo, como já fez Nigel Owens em tempos, os árbitros de tempos em tempos falarem e aceitarem que estiveram mal - com ou sem pedido de desculpas - explicando que no "calor" do jogo é difícil tomar certas decisões. Um exemplo disso é o excesso de uso do TMO (vídeo-árbitro) neste Mundial, que foi altamente criticando em alguns jogos (Samoa-Estados Unidos da América por exemplo) pela forma insistente que faziam "pedidos" para reverem os lances. É fundamental que se mantenha este tipo de justiça desportiva para demonstrar que é possível ter um "mix" de tecnologia com a "mão" humana em qualquer modalidade... Porém, há algo que nos preocupa: certos lances e situações de jogo estão a ser julgadas de uma forma demasiado dura... placagens, "viranços", certas entradas com a bola, entre outros, estão a ser julgados de uma forma mais "agressiva", tornando o jogo mais soft,o que leva a perde de certos tipos de intensidade. Como dissemos no início, no geral tivemos excelentes arbitragens, todos ficámos satisfeitos com várias prestações... mas em especial, com Nigel Owens, que recebeu o "prémio" de arbitrar a final do melhor Mundial de sempre.

A Autoridade entre Homens | The Sun
Why are you running Joubert? | BBC

Alguns dos melhores momentos de Nigel Owens: 

THE KICKING MASTER

Como os jedis da Guerra das Estrelas, vários dos chutadores que participaram neste Mundial pareciam fazer uso da força para colocar a bola no meio dos postes. Desde da fase de grupos até à final, quem foi para vocês aquele chutador fundamental para a sua equipa? Terá sido Bernard Foley, o wallabie que meteu cerca de 82 pontos em toda a campanha australiana. Recordam-se daquela penalidade aos 79' frente à Escócia que ditava o fim ou continuação dos australianos no Mundial? Foley não tremeu... aliás colocou a bola na gaveta com uma classe impressionante. Pontapés quase sempre bem colocados, sejam os grubers ou up and unders, o nº10 esteve em bom nível... pena que na arte dos drops lhe falte limar algo a sua bota. O outro finalista, Daniel Carter (a lenda das lendas a nível de chutadores com mais de 1600 pontos em toda a sua carreira) arrumou com as críticas de quem já tinha feito o seu enterro e funeral para contribuir para a sua equipa com 82 pontos, a sua maioria de grande qualidade - o drop frente à África do Sul e Austrália ou a conversão junto à linha ante a França foram dois musts do abertura neozelandês. Com Carter tudo é mais fácil para a Nova Zelândia... pena que tenhamos dito adeus ao maior - será que Wilkinson nos perdoa? - número 10 dos últimos 20 anos. Fundamental para vitória dos All Blacks na final do Mundial (só marcou 19 pontos...), Daniel Carter diz "adeus" com dois mundiais. Handré Pollard, o dynamo com 21 anos, o Bok' do futuro, armou o pontapé por várias vezes... com 93 pontos confirmados... aprende Pat Lambie, que pouco se viu durante esta prova - terrível no jogo frente ao Japão. Pollard pode muito bem ser o futuro do jogo ao pé Mundial. Outra menção a um francês, desta feita ao eterno Frederic Michalak, que conseguiu 33 pontos durante a campanha medíocre da França... é verdade que já não consegue participar no jogo com tanta intensidade, porém, mantém um nível de percentagem de pontapé bem alto (86,5%)... Mais um "visionário" do pé na bola é o grande Greig Laidlaw, o pequeno formação escocês que quase que deu a vitória à sua equipa nos quartos-de-final... pontapé altamente colocada, intensidade ao máximo e capaz de aguentar 80 minutos a correr, Laidlaw dita uma lei fora do comum com 79 pontos (eliminado nos tais quartos)... a Escócia aplaude o seu grande capitão - candidato a jogar do ano 2015! Antes de referirmos o melhor chutador do Mundial, temos de mencionar o super-hyper, dançarino do macarena do Rugby, Dan "Hard" Biggar, o galês que deu asas ao Dragão do País de Gales até aos quartos-de-final... com 56 pontos, aquela penalidade de 50 metros frente à Inglaterra ou o fantástico drop frente à África do Sul marcaram na memória de todos a qualidade do médio de abertura. O grande chutador deste mundial, não é um finalista ou vencedor da prova... e podemos dizer que não nos deu trabalho fazer esta escolha... é sim o puma, Nicolás Sánchez! Que pezinho tem o médio de abertura argentino - de fazer inveja até a Maradona -, com 97 pontos confirmados (deduzir um ensaio dos 97) que permitiram à equipa sul-americana sonhar com a final... que só esbarrou na grande Austrália (nessa meia-final todos os pontos argentinos vieram de Sánchez). O tango do médio de abertura completado com uns pés de fazer inveja até a Maradona foi dos musts deste Mudial de Rugby. Drops, penalidades, conversões, up and unders, grubers e crosskicks, tantos chutadores (aquele chuto de Volavola para Nadolo no jogo de abertura mora para sempre na história do rugby) que marcaram este grande Mundial.

Os melhores chutadores:

Nicolás Sánchez (Argentina) - 97
Handré Pollard (África do Sul) - 93
Bernard Foley (Austrália) - 82
Daniel Carter (Nova Zelândia) - 82
Greig Laidlaw (Escócia) - 79
Ayumu Goromaru (Japão) - 58

El Tango de Sánchez | Olé
Pollard is the Future | South African Herald

Um tributo aos chutadores:

O ANCIÃO DO MUNDIAL

A experiência é imprescindível em quase todas as modalidades... no Rugby, é um must ter um ou mais jogadores que tenham muitos anos de jogo, de calejo e de sacrifício pela selecção. Foram vários neste competição desde o super salteador Victor Matfield ao hat-trick hero Nick Easter... vamos referir os que marcaram, para nós, mais as suas equipas. Como dissemos antes Victor Matfield é um dos jogadores mais velhos a calçar as botas e a vestir a camisola... o springbok que foi Campeão Mundial em 2007 (capitão à época) parece não ter perdido nenhum do seu vigor... em todo o Mundial só perdeu 4 "alinhamentos" (todos contra a Nova Zelândia), conseguiu "sacar" duas bolas dos alinhamentos adversários, três turnovers e 30 placagens... isto tudo aos 38 anos de idade!
Na Irlanda, dois gigantes terminaram o seu  2º e 4º Mundial (2003 e 2007, 2011, 2015) Mike Ross e Paul O'Conell, respectivamente... o pilar esteve bastante bem, até foi dos poucos que nos quartos-de-final frente à Argentina teve acima do medíocre, conseguindo ganhar metros, organizar com eficácia a sua primeira linha e, ainda, ser um pro a colocar a bola nos saltadores. Já o capitão, Paul O'Connell, estava a efectuar um campeonato do Mundo de grande qualidade... grandes entradas, fantástico na formação ordenada, imperial nos alinhamentos, conquistador de bolas e um placador sem falhas... não fosse aquele jogo fatídico contra a França (4 lesionados irlandeses) e tinha jogado os quartos... lesionou-se com gravidade num joelho e disse "adeus" à sua Irlanda. Ambos têm cerca de 35 anos... mas O'Connell tem cerca de 108 internacionalizações... fora de série. Lokotui, do Tonga, chegou a mais um mundial com 35 anos e "fresco" para colocar vários adversários no chão... só com 33 internacionalizações nas pernas. Da mesma squad (o Tonga era a formação com uma média de idades alta, cerca de 29) chega-nos o pilar Aleki Lutui, que aos 37 anos marcou presença no seu 3º mundial, sendo um dos powerhouse deste Mundial, distribuindo força, placagens e "raça" dentro do campo. Hitoshi Ono, do Japão, com 37 anos, também marcou presença na fantástica campanha do Japão em terras de Sua Majestade, com três mundiais ao serviço dos samurais - um dos indiscutíveis para Eddie Jones. E por último - haveria mais alguns a mencionar mas deixamos abaixo uma lista final - vem o melhor... como a melhor grapa, quanto mais "velha" melhor, os italianos bateram um recorde com Mauro Bergamasco, o fantástico asa! Participou em cinco mundiais (1999, 2003, 2007, 2011 e 2015) - recorde detido pelo lendário Brian Lima - e conta ja com mais de 106 internacionalizações pelos transalpinos! Mauro Bergamasco esteve em bom nível neste mundial (conta com 36 anos) com várias placagens (32), uma voz de comando total dentro de campo e uma vontade de elevar a sua Itália ao mais alto nível. Hats off para Bergamasco! The Wildcard winner: Nick Easter! O asa inglês foi convocado para o jogo do Uruguai (em virtude de lesão de Billy Vunipola) e deixou a sua marca... com três ensaios num só jogo... se a Inglaterra tivesse o convocado mais cedo talvez o destino tinha sido outro...? 

Os mais velhos a participar no Mundial:

Victor Matfield (África do Sul) – 37
Hitoshi Ono (Japão) – 37
Aleki Lutui (Tonga) – 37
Nick Easter (Inglaterra) – 37
Matekitonga Moeakiola (EUA) – 37
Mauro Bergamasco (Itália) – 36
Hale T-Pole (Tonga) – 36
Ovidiu Tonita (Roménia) – 36
Francisco Bulanti (Argentina) – 35
Danut Dumbrava (Roménia) – 35
Paul O'Connell (Irlanda) – 35
Mike Ross (Irlanda) – 35

Goodbye, all-time Legend, Matfield | BBC
It's Easter Time! | Daily Mirror

Goodbye Victor Matfield: 

A MELHOR EQUIPA

Nem sempre a melhor equipa é aquela que ganha a prova... não há dúvida que a Nova Zelândia/Austrália foi um justo campeão, pelo excelente rugby produzido, pelos fantásticos XV's que apresentou ou pela raça, querer e ambição que tiveram. Mas num Mundial que foi em vários aspectos fora de série e tremendo, houve mais que uma ou duas equipas em grande nível. A que mais nos impressionou foi a Argentina de Daniel Hourcade, não só pela forma como jogou, mas pela capacidade individual de cada jogar que vestiu a camisola albiceleste. O jogo dos pumas ia desde a simplicidade, como por exemplo a forma como montavam os grupos de ataque e depois o desmontar dos mesmos em virtude da necessidade do ataque, até a situações mais complexas, com o desdobramento de avançados à ponta para criar espaço suficiente a Cordero, Imhoff ou Tuculet para quebrarem a linha e criarem situações de perigo. É de notar que nas secções de jogo dos sul-americanos tudo correu, praticamente, bem: nas formações ordenadas foram a terceira melhor (só mesmo atrás, mas por muito pouco, da Nova Zelândia e Austrália) e nos alinhamentos roçaram o 100% de eficácia (pena que não se tenham especializado em "roubar" a bola aos adversários na guerra do ar), o que lhes permitiu criar uma "base" de jogo forte... depois o trabalho do três de trás - Cordero, Imhoff e Tuculet - foi, sem dúvida alguma, formidável... com 10 ensaios (5 de Imhoff, 3 Cordero e 2 Tuculet), várias quebras de linha impressionantes (30 quebras de linha, 11 para Cordero, 10 de Imhoff e 9 de Tuculet) e muitos metros ganhos (a junção dos três resultou em 1,196 metros ganhos, com Cordero a liderar a lista total com 454). Só mesmo a Nova Zelândia teve um três de trás mais eficaz e compacto (Savea e Skudder tiveram 13 ensaios, mas depois complementam com Ben Smith, o arrier, todo um trabalho de equilíbrio) que os pumas, ou talvez a Austrália com Mitchell e Ashley-Cooper a causarem estragos (que digam os próprios sul-americanos)... mas nenhum, para nós, teve o brilhantismo da tripla ICT da Argentina. E que dizer do par de médios Landajo-Sánchez? O formação esteve muito bem na sua missão de organizar os avançados, alterar os ritmos de jogo e criar um fio de jogo que possibilitou aos pumas chegar até às meias-finais. Já Sánchez foi fundamental no que toca a meter a bola entre os postes, com 12 conversões (24), 19 penalidades (57), 1 drop (3) e 1 ensaio (5) o que prefaz 84 pontos só em pontapés... estes números são top, para um jogador que tem a "obrigação" de criar situações de jogo e de fazer subir as linhas de ataque. Para além do mais, o médio de abertura tem cerca de 48 placagens confirmadas (está ao nível da sua 3ª linha) o que o coloca ao nível de aberturas como Johny Wilkinson (o lendário abertura inglês não descurava uma boa placagem) entre outros. Por fim, a qualidade individual dos argentinos "despertou" excelentes críticas do mundo da oval. Creevy, o capitão e o talonador dos pumas, efectuou um passe por detrás das costas frente à Irlanda - cheeky, uma maldade tremenda - mas não foi só isso... quase todos os pumas sabem aplicar boas placagens, seguindo quase à risca o que os livros dizem sobre o assunto... linhas de corrida bem elaboradas... e uma aplicação de passe curtos ou longos bem trabalhados. É um trabalho monumental da equipa técnica da Argentina, liderada por Daniel Hourcade, preparou bem a equipa desde 2011, onde o trabalho desenvolvido no Pampas XV foi fulcral para estes excelentes resultados. Abandonando agora os pumas vamos só observar, ligeiramente, o desempenho de outras três formações: Japão, Geórgia e Escócia. Os nipónicos conseguiram um feito inacreditável (ver a nossa secção acima da surpresa neste Mundial) com 3 vitórias em 4 jogos, uma delas frente à África do Sul. Eddie Jones deu o passo seguinte e abriu a porta aos seus samurais, que emergiram do "lodo" de 2011 para em 2015 serem a "coqueluche" de tudo e todos. O rugby rápido e eficaz, que procuram sempre o ensaio, mas, por vezes o "risco" total que acarretam levam a que sofram pontos... mas quando atingirem a maturidade total...cuidado. Um trabalho bem "realizado" pelos avançados (Michael Leitch é o grande comandante) abriu brechas para os três-quartos marcarem pontos (Goromaru, o arrier, foi uma das delícias deste Japão). A Geórgia de Milton Haig cativou, também, a nossa atenção: o rugby começa a ser cada vez mais fluído e veloz, com as linhas atrasadas a procurarem já não só o contacto, mas soluções para fugirem ao contacto; a terceira-linha está a um nível inacreditável (45 placagens cada um dos três, com Gorgodze a liderá-los); e o que nos impressionou mais foi a forma como os "lelos" fazem uso da bola... não só pela velocidade de passe e precisão, mas também pela forma pacífica e "malabarista" que demonstram... estará a Geórgia a caminho de ser uma nova Itália? Ou melhor ainda? E por fim, temos de fazer menção aos escoceses: os highlanders de Vern Cotter foram uma "lufada de ar fresco" para os adeptos do Hemisfério Norte. Se a Inglaterra foi uma desilusão total, a França um fiasco, o País de Gales (que até estava bem) muito "lesionado", uma Itália q.b. e uma Irlanda inconsistente (entre a glória da fase de grupos à vergonha nos quartos-de-final) a Escócia foi quem praticou melhor rugby das equipas das Seis Nações. E isso ficou provado no jogo frente à Austrália nos quartos-de-final (35-34 a favor dos wallabies)... excelentes no breakdown, "guerreiros" na formação ordenada" e "venenosos" no ataque, quase que provocaram uma surpresa em pleno campeonato do Mundo. Estas são as nossas escolhas... e as vossas?

Estatísticas finais da Argentina:

Posição Final: 4º lugar do Mundial;
Pontos Marcados: 250;
Ensaios Marcados: 27 (135 pontos);
Pontos Sofridos: 143;
Jogador com mais pontos: Nicolas Sánchez (97);
Jogador com mais ensaios: Juan Imhoff (5);
Capitão: Agustín Creevy;
Melhor Resultado: 64-19 (frente à Namíbia);

Pior Resultado: 15-29 (frente à Austrália);

Los Pumas | BBC
An Applause for Scotland | Scotts Rugby

Uma das melhores exibições da Argentina, frente à Irlanda:

O MELHOR XV

Questão "dourada": qual é o melhor XV do Mundial? Quem poriam como melhor médio de abertura? E formação? Parece fácil na 1ª linha mas não o é.... choices, choices and choices, é este o cenário em mãos. Para o Planeta Desportivo escolhemos os seguintes quinze jogadores, passamos a mencionar. 1ª linha: Owen Franks (Nova Zelândia), Agustín Creevy (Argentina) e Sekope Kepu (Austrália); 2ª linha: Sam Whitelock (Nova Zelândia) e Lood de Jager (África do Sul); 3ª linha: François Louw (África do Sul), Richie McCaw (Nova Zelândia) e David Pocock (Austrália); Formação: Will Genia (Austrália); Médio de abertura: Nicolás Sánchez (Argentina); Centros: Matt Giteau (Austrália) e Mark Bennett (Escócia); Pontas: Julian Savea (Nova Zelândia) e Santiago Cordero (Argentina); Arrier: Ben Smith (Nova Zelândia). Estas são as nossas escolhas devido a diversos factores, que podemos explicar alguns: porquê escolhar Carter e não Sánchez ou Foley? Daniel Carter era até Abril de 2015 considerado a terceira escolha para a posição de abertura dos All Blacks... lutou para retomar a titularidade, consegui e levou os neozelandeses a conquistar o Mundial. O drop que marcou frente à África do Sul foi providencial, já que aqueles três pontos catapultaram a Nova Zelândia para uma reviravolta no resultado... e claro, quando a Austrália parecia estar perto do empate, Carter com uma penalidade a 50 metros dos postes e um drop tirado da Cart(er)ola voltou a repôr a vantagem necessária para os All Blacks. Sánchez foi o melhor chutador... mas Carter espalhou magia, qualidade e fantasismo durante todo este campeonato do Mundo (3º Mundial e último para Carter?). Na questão da primeira linha, parece-nos que a Austrália e Argentina foram "reis" nesta competição... muitas formações ordenadas que fizeram, outras tantas que ganharam... a Austrália só se sentiu em perigo frente à formação ordenada da Escócia. A Argentina teve par a par com a da Nova Zelândia, tendo mesmo ganho essa "guerra" no jogo da fase de grupos. Creevy por tudo o que fez merece estar como nº2, enquanto que Kepu e Franks tiveram acima de todos os outros (talvez pudessemos colocar Stephen Moore na posição de talonador ou a entrada de Ayerza por Franks...mas isso deixamos ao cargo do leitor). Nos "saltadores" escolhemos o melhor placador deste Mundial (só falhou mesmo aquela placagem a Jerome Kaino na meia-final) e um especialista a trabalhar no ruck ou a "roubar" nos alinhamentos... grande dúvida entre tirar qualquer desses para colocar Simmons (Austrália) ou Lavanini (Argentino com 22 anos... tomem nota do nome); Na questão da 3ª linha debatemos-nos entre escolher Pocock, o imperador dos turnovers, ou Read, o ladrão dos alinhamentos, é difícil.. ambos foram providenciais nas suas formações (Read soma a isso vários turnovers... 17 no total), com placagens, ensaios (dois cada), passes, organização na formação ordenada, etc... Read tem a vantagem de ter ao seu lado a lenda das lendas, Richie McCaw... Pocock é mesmo o maestro da avançada... mas é um caso complicado em optar por um; E porquê incluir Mark Bennett como nº13? O escocês está na lista para jogador revelação do ano 2015, tendo ganho o interesse de vários selecionadores e treinadores de rugby. O seu impacto na manobra ofensiva (três ensaios, um deles foi aquela excelente intercepção no jogo com a Austrália) e defensiva dos highlanders, contribui para a chegada até aos quartos-de-final que por um minuto não teria dado em meia-final. Justificámos uma série das nossas escolhas de uma forma leviana e breve, mas para não entrar numa discussão profunda deixamos a questão: e que mudanças fariam vocês no nosso quinze?

Quem pára Ben Smith? | The Guardian
Formidável Louw! | South Africa Rugby

Will Ginea, um dos melhores deste mundial:

O "ponta" mágico, Santiago Cordero:
GAME OF TACKLES

Nesta pequena secção deixamos uma pequena de lista dos jogos que devem ver ou rever... por serem autênticos thrillers, corações aos saltos, ensaios que fazem qualquer um levantar-se do sofá e dizer "Como é que é possível?", placagens que poria 90% da população incapacitada, entre outros. Começamos pela fase de grupos e vamos até à Final. Pool A: Austrália - Fiji (23 de Setembro), Inglaterra - País de Gales (26 de Setembro) e o Austrália - País de Gales (10 de Outubro); Pool B: África do Sul - Japão (19 de Setembro), Escócia - Estados Unidos da América (27 de Setembro), Samoa - Escócia (10 de Outubro); Pool C: Geórgia - Tonga (19 de Setembro), Nova Zelândia - Argentina (20 de Setembro), Argentina - Tonga (4 de Setembro) e Namíbia - Geórgia (7 de Setembro); Pool D: Itália - Canadá (26 de Setembro), Canadá - Roménia (6 de Outubro) e França - Irlanda (11 de Outubro); Quartos-de-Final: Austrália - Escócia (18 de Outubro) e França - Nova Zelândia (17 de Outubro); Meias-Finais: Austrália - Argentina (25 de Outubro); Final: Nova Zelândia - Austrália (31 de Outubro). Todos estes jogos são um must para quem gosta de rugby, começou a ver à pouco tempo, ou é mesmo um aficionado por este desporto. Gostámos, especialmente, do Argentina - Nova Zelândia e Austrália - Escócia... mas o Japão - África do Sul ficará para sempre na memória e históira como o encontro total entre Tier 1 e Tier 2, "David verus Golias", Boks contra Samurais! (Todos os jogos estão disponíveis no Youtube, fácil busca)

Samurais versus Springboks | RugbyWorldCup
Quando o Canguru caçou o Puma | BBC

O CAMPEÃO

 O melhor para o fim, como se diz na gíria e que assenta muito bem à Nova Zelândia. Nunca é fácil revalidar um título mundial - especialmente quando a luta é intensa como foi neste 2015. Muitas reticências foram colocadas aos All Blacks: terá Daniel Carter condições para ser titular? A ausência de Isreal Dagg vai pesar? Conseguirão os pontas Savea e Skudder "furar" o suficiente para ajudar a equipa? E que ainda têm fome de ganhar? Para todas as perguntas, os neozelandeses deram uma grande resposta com a excelente performance neste Mundial. Daniel Carter esteve a um nível "divino" (46 pontos entre quartos-de-final e final), com vários pontapés de alta categoria, um "rico" jogo ofensivo e uma parede no canal que defendia (só na final foram 12 placagens... duas que evitaram estragos no placard). E relembrar, que Daniel Carter averbou não só mais um Mundial, mas também o título de Melhor jogador de 2015. Ben Smith preencheu o lugar de Dagg... e preencheu de forma a que o "criativo" Dagg, talvez não volte a alinhar a titular na Nova Zelândia. Savea e Skudder foram, se quisermos, dizer em uma palavra: formidáveis. O primeiro com 8 ensaios (hattrick frente à França) e o segundo com 6 (aquela troca de pés invejável), garantindo pontos, pontos e pontos (70 mais precisamente). Não há falta de "fome" dos neozelandeses... pelo contrário, parece que têm cada vez mais vontade de ganhar e, de sobretudo, melhorar todos os aspectos do seu jogo. Não foi fácil a "vida" neozelandesa, principalmente no jogo com a Argentina (estavam a perder na primeira parte por 13-09, isto no primeiro jogo na fase de grupos) e com a África do Sul (12-07 ao fim dos primeiros quarenta minutos nas meias-finais), mas a soma de três factores possibilitaram sempre seguir no caminho das vitórias: total vontade de vencer, calma e paciência a todo os níveis e a qualidade física que lhes permitem aguentar os 80 minutos a correr, placar, saltar, driblar, etc. É uma equipa que consegue adaptar-se a qualquer tipo de jogo, recria-se à medida das necessidades do jogo e tem em Steve Hansen, o maior "cientista" por detrás destes resultados. Não é fácil para um seleccionador, que em 2011 conquistou um Mundial para a Nova Zelândia, voltar a conquistar mais um... é um "trabalho" total e magnânime do neozelandês, que conseguiu dar o que faltava ao rugby criativo, rápido, apoio eficaz e "demolidor" neozelandês: estabilidade. Seja emocional (a equipa nunca entra em pânico, mesmo que esteja a perder), físico (os All Blacks mantêm sempre a "bitola" nos 90%... durante 80 minutos sólidos) e técnico (raros avants, formações ordenadas e alinhamentos de categoria, passe de qualidade). Finamente, há uma pessoa que os All Blacks devem muito...tanto como devem a Hansen... Richie McCaw, o capitão, a lenda, o verdadeiro espírito All Black estará sempre anexado à imagem do asa. Após a final, e na "loucura" da vitória, McCaw disse algo que não sendo nenhum novidade nenhuma, é uma forma de relembrar a todos qual o motivo para se chegar às grandes conquistas: 

"We had belief before we came here that we’d do each step right and qualify for the final, that was what we wanted. “Tonight we got tired and it was a tough match. We came here, did the job and got the job done. “We expected to come and play our best and if a team was better than us on that day then so be it. “But we wanted to give ourselves the best chances and we are satisfied we got the pieces of the puzzle right.".

Para além dos elementos primordiais do rugby neozelandês, que se traduzem por um apoio muito rápido e eficaz ao portador da bola, placagem efectiva e um trabalho imediato no breakdown e uma noção de "forçar" erros ao adversário, os All Blacks procuraram marcar ensaios sempre que tinham a bola em seu poder. Notem que no jogo com a Austrália, até aos 55 minutos tinham domínio total do território e posse de bola (75% em cada departamento), o que demonstra a facilidade e a paciência ter a bola em seu poder. Os All Blacks somam três títulos mundiais, dois de forma consecutiva (2011 e 2015), e neste momento do adeus (?) de Richie McCaw, Daniel Carter, Kevin Mealamu e Conrad Smith, uma nova geração terá que fazer valer o nome, camisola e espírito All Black. Um mundial total dos neozelandeses (7 vitórias em 7 jogos), muitos ensaios, pontos, placagens... um obrigado sentido de todos aqueles que sempre acreditaram no potencial da Nova Zelândia. 

Estatísticas finais da Nova Zelândia:

Posição Final: 1º lugar do Mundial;
Pontos Marcados: 290;
Ensaios Marcados: 39 (195 pontos);
Pontos Sofridos: 97;
Jogador com mais pontos: Daniel Carter (82);
Jogador com mais ensaios: Julian Savea (8);
Capitão: Richie McCaw;
Melhor Resultado: 62-13 (frente à França);
Pior Resultado: 20-18 (frente à África do Sul);
Palmarés em RWC: Três campeonatos Mundiais (1987, 2011 e 2015)

Too many legends in one picture | The Guardian
Have you heard about the mighty All Blacks | RugbyWorldCup

Fechar o Mundial com a Chave de Ouro:

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