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Futebol de Praia em Portugal: de 2015 para 2016

Chegados os primeiros dias de 2016 e lançando um olhar retrospectivo a 2015, deparamo-nos com uma conclusão inequívoca: o ano passado foi o melhor ano da História do futebol de praia português, pelos mais diversos motivos, dos quais se destaca, naturalmente, a conquista inédita do campeonato de mundo de futebol de praia da FIFA por parte da selecção nacional, num evento realizado em Espinho durante o mês de Julho, cuja organização foi considerada excelente.

Mas os feitos dos heróis das praias lusitanas não se limitaram ao ceptro mundial: também o triunfo na Liga Europeia, em Parnu, na Estónia, no final de Agosto, contribuiu para acentuar a hegemonia lusa numa época de sonho para as cores portuguesas, que contou ainda com uma medalha de bronze olímpica, conquista inaudita alcançada nos Jogos Europeus de Baku. A prova olímpica teve lugar em Junho na capital Azeri e incluiu o futebol de praia no programa competitivo da sua primeira edição de sempre.

De facto, a época de 2015 foi quase perfeita para a selecção nacional. A perfeição não foi plena porque, além de ter falhado o lugar mais alto do pódio em Baku, Portugal acabou por protagonizar uma prestação pouco conseguida na Copa Intercontinental no Dubai, onde as deficiências de uma preparação muito escassa levaram a que o campeão do mundo ficasse limitado ao 6º lugar da classificação. Em todo o caso, as derrotas averbadas em solo árabe em nada mancham a senda vitoriosa da selecção portuguesa no ano que agora terminou, onde a qualidade do seu futebol de praia e a extraordinária solidez colectiva que se observou nos comandados de Mário Narciso colocaram as cinco quinas no topo do futebol de praia europeu e mundial.

Selecção Nacional: Os heróis que sublimaram o nome de Portugal em 2015

A fantástica época da selecção portuguesa foi reconhecida pela comunidade internacional do futebol de praia, nomeadamente através da atribuição dos prémios Beach Soccer Stars na Gala da Beach Soccer World Wide realizada no Dubai, ironicamente após o encerramento da Copa Intercontinental. Neste ponto, o destaque vai inteiramente para Madjer: o capitão das hostes lusitanas protagonizou uma verdadeira época de sonho, ao revelar-se fundamental na conquista do Campeonato do Mundo em Espinho, onde apontou 8 golos que lhe valeram a Bota de Prata e o ajudaram a alcançar a Bola de Bronze para o 3º melhor jogador da prova. Foi também em Espinho que Madjer apontou aquele que viria a ser considerado o melhor golo do ano pela Beach Soccer World Wide, num remate de primeira atrás da linha de meio campo na vitória sobre a Suíça nos quartos de final, e que valeu ao número 7 português nova estatueta na gala, a somar às de melhor jogador e membro do cinco ideal do ano. Indiscutivelmente, Madjer continua a ser, aos 38 anos, um monstro das areias mundiais e a revelar uma capacidade de liderança incrível dentro e fora de campo. Se recuarmos até 2013, encontramos uma selecção nacional excluída do campeonato do mundo no Taiti, enquanto Madjer recuperava de uma delicada cirurgia à coluna vertebral. 2 anos depois, Portugal sagra-se campeão do mundo, liderado por um Madjer revitalizado que volta a ser considerado melhor jogador do mundo - uma distinção que lhe fugia desde 2006.

Fonte: Sic Notícias

Mas se Madjer é uma lenda viva do futebol de praia, o que dizer de Alan? O jogador luso-brasileiro, oriundo da Paraíba, continua a deslumbrar fãs da modalidade em todo o mundo aos 40 anos de idade. Na sequência de uma preparação intensiva, Alan chegou à Europa em grande forma física, demonstrando toda a sua qualidade técnica e fazendo de uma incrível visão de jogo para ajudar a selecção a alcançar os seus objectivos. No mundial, a prestação do número 6 português entusiasmou as bancadas de Espinho e o mundo com a magia que se lhe reconhece e conquistou, pela primeira vez na carreira, um prémio individual da FIFA: Bola de Prata do mundial, superando Madjer na votação e sendo apenas ultrapassado pelo taitiano Heimanu Taiarui.

Fonte: ionline

Todavia, não foi Alan o outro jogador português distinguido na gala Beach Soccer Stars, mas sim outro luso-brasileiro: Bê Martins, que se estreara com a camisola da equipa das quinas um ano antes na Copa Intercontinental de 2014, cumpriu uma temporada fantástica ao serviço de Portugal, apontando golos decisivos que lhe permitiram ser agraciado com o prémio de jogador revelação do ano. De facto, momentos como o golo da vitória frente à Ucrânia nos Jogos Olímpicos Europeus, o tento da igualdade na final da Liga Europeia diante dos mesmos ucranianos ou os seus dois golos no duelo contra a Rússia na meia final do mundial acabaram por se revelar fulcrais na caminhada de Portugal rumo aos títulos alcançados. Bê Martins pode festejar a distinção recebida na companhia do seu irmão gémeo Léo, também ele internacional português após a estreia no Mundial de Espinho, que foi opção do seleccionador Mário Narciso para algumas partidas ao longo da época.

Fonte: news.yahoo

A lista de aquisições luso-brasileiras da selecção nacional fica completa com a chamada de Elinton Andrade, antigo guardião de futebol de 11 que recentemente trocara os relvados pelos areais. Aos 39 anos, Andrade demonstrou uma forma física invejável e progrediu ao longo da época, revelando grande segurança entre os postes e expandindo as opções de ataque da equipa das quinas por meio da sua habilidade a jogar com os pés. Após um mundial de luxo, foi seleccionado para o lote de 3 candidatos ao prémio de melhor guarda-redes do ano, mas a prestação avassaladora do taitiano Jonathan Torohia em todas as provas que realizou em 2015 não deixou margem para dúvidas e privou-o do almejado prémio. Não obstante, as exibições de grande nível de Andrade serão sempre recordadas pelo papel determinante que desempenharam nas conquistas de Portugal no ano que agora terminou, às quais poderá somar o prémio de melhor guarda-redes da Liga Europeia que lhe foi atribuído na Estónia.

Mas o ciclo vitorioso da selecção lusa em 2015 não teria sido possível sem a técnica individual, o espírito combativo e a qualidade técnica dos pivôs Zé Maria e Belchior, indiscutivelmente entre os melhores do mundo na sua posição. No mundial, ambos deram o seu contributo de forma exímia na manobra colectiva da equipa, ainda que não tenham constituído o principal destaque da comitiva portuguesa em Espinho. Foi, no entanto, nas provas europeias que os dois sobressaíram, revelando-se absolutamente decisivos. Belchior surgiu em grande plano nos Jogos Olímpicos Europeus, alcançando o estatuto de melhor marcador da prova, com 8 tentos que catapultaram Portugal para a medalha de bronze, além de ter assumido um papel fulcral no acesso à final da Liga Europeia. Por seu turno, Zé Maria foi o herói da partida que coroaria Portugal campeão da Europa, assinando 3 golos que consumariam a reviravolta no marcador perante uma Ucrânia que gozara de 2 golos de vantagem. Zé Maria fora, de resto, o melhor marcador do torneio de apuramento para a Superfinal Europeia e pode dedicar os troféus obtidos numa temporada de sonho ao seu filho Afonso, nascido durante a saga olímpica do seu pai em Baku, um momento acompanhado por toda a comitiva que fortaleceu ainda mais o espírito de grupo vivido no seio da equipa das quinas.

Fonte: BSWW

Outro jogador que também conheceu as vicissitudes da paternidade em 2015 foi o poveiro Bruno Torres, também ele um jogador crucial na manobra dos guerreiros lusitanos. Pilar da defensiva nacional, dotado de um espírito de sacrifício sem precedentes e uma vasta experiência nos areais, o subcapitão da selecção portuguesa transmitiu aos seus colegas confiança e determinação, enquanto secava as chances de sucesso das ofensivas adversárias. Constituiu ainda uma peça fundamental na organização do ataque nacional. Não muito diferente será o balanço da prestação de Coimbra em 2015: o jogador algarvio  melhorou exponencialmente a sua forma física e qualidade de jogo ao longo do ano, revelando-se uma muralha intransponível nos jogos do mundial de Espinho e da Superfinal Europeia. Foram também da sua autoria diversos golos, incluindo 3 tentos de cabeça no campeonato do mundo, além de uma assistência para o golo da vitória de Zé Maria na final da Liga Europeia, num pontapé de bicicleta fenomenal a partir da zona de meio campo, já dentro do último segundo de jogo.

Fonte: zimbio

E que dizer do desempenho de Jordan Santos e Bruno Novo, jogadores oriundos da Nazaré que continuam, ano após ano, a demonstrar uma qualidade de jogo impressionante sempre que envergam a camisola nacional? Jordan apresentou uma disciplina táctica enorme, pautada por uma maturidade notável que lhe permite sacrificar-se em prol do colectivo sempre que as circunstâncias o exigem. Efectivamente, nem sempre se terá assistido ao Jordan criativo e goleador de 2014, mas foi, em contrapartida, notória a dedicação do jovem número 5 à causa comum na forma como apoiou Bruno Torres nas tarefas defensivas, criando as bases da segurança à retaguarda na qual a criatividade ofensiva de Madjer e Belchior assentava. Porém, não deixou de contribuir com golos e envolvimento em jogadas de ataque, revelando-se em momentos de inspiração como o seu golo fabuloso diante da Rússia, na meia final do mundial. Por outro lado, o seu conterrâneo Bruno Novo deu seguimento a uma carreira impressionante, e poderia mesmo ter confirmado o seu estatuto de “homem que se anula para que os outros possam brilhar”, não tivesse aproveitado as poucas oportunidades de que dispôs para deixar boquiabertos mesmo os seus maiores admiradores. A leitura de jogo, precisão de passe e técnica de excepcional na conversão de livres, aliada ao rigor defensivo, fazem do número 9 português uma figura incontornável do futebol de praia luso. O seu momento alto em 2015 situa-se no mundial de Espinho, quando foi chamado a substituir o lesionado Bruno Torres nos dois últimos jogos do mundial e respondeu com 2 golos assombrosos, na conversão de livres de forma resplandecente em momentos decisivos da meia final diante da Rússia e da partida da final frente ao Taiti.

Fonte: BSWW

A análise aos heróis que se destacaram nas conquistas lusas em 2015 fica completa com a alusão a outros dois atletas: Tiago Petrony, o segundo guarda-redes da selecção nacional que tem vindo a evoluir muito ao longo dos anos, demonstrando uma atitude de trabalho exemplar e respondendo com grande empenho e determinação sempre que foi chamado a defender as redes nacionais (foi premiado com uma assistência para golo no mundial em Espinho); e Tiago Batalha, também ele oriundo da Nazaré, que representou Portugal nos Jogos Olímpicos Europeus, onde justificou a chamada pela consistência defensiva que trouxe à equipa, naquelas que foram seguramente as primeiras de muitas internacionalizações de um jogador que tem tudo para se afirmar no seio da equipa nacional.

Todavia, os jogadores não foram os únicos em destaque em 2015: Mário Narciso, seleccionador nacional desde 2013, foi também homenageado na gala da Beach Soccer World Wide, ao ver o seu trabalho reconhecido pela atribuição do prémio de melhor treinador do ano. Campeão do mundo na sua estreia na prova da FIFA e campeão da Europa, Narciso sucedeu ao russo Likhactchev, graças a uma temporada de luxo, em que deu provas da sua capacidade de liderança e competência técnica pela forma exímia como soube gerir um grupo de grandes atletas, construindo uma verdadeira família que alcançou a hegemonia mundial. Nota de excelência igualemente para Tiago Reis, seu adjunto, e Luís Bilro, treinador de guarda-redes, que completam a equipa técnica nacional na génese do sucesso observado dentro de campo. Merecem ainda uma palavra de profundo reconhecimento os incansáveis Basil Ribeiro, do Departamento Médico da selecção nacional, o enfermeiro Eduardo Farinha e o técnico de equipamentos Juju Silva, bem como os delegados Pedro Dias e Manuel Silva, rostos ocultos por trás dos êxitos nos areais.

Fonte: abola

Em ano de indescritível alegria para o futebol de praia nacional, também a organização do mundial FIFA em Espinho foi premiada, tendo sido distinguida no prémio de melhor evento do ano, perante a concorrência dos Jogos Olímpicos Europeus de Baku e da Superfinal Europeia em Parnu. A distinção foi recebida pelo Presidente da FPF Fernando Gomes na gala do Dubai. Porém, a maior honra chegaria sensivelmente um mês depois, quando todos os nomes acima mencionados foram condecorados pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com diversas ordens honoríficas: os jogadores foram agraciados como Oficiais da Ordem do Infante D. Henrique, enquanto os membros da equipa técnica foram declarados Comendadores da Ordem do Mérito. Distinção merecida, para uma selecção que desde o final do século passado sempre tem elevado bem alto o nome de Portugal e que em 2015 logrou ascender ao posto mais alto da ordem mundial, pela primeira vez desde que a FIFA assumiu a modalidade (antes, Portugal já fora campeão mundial por uma ocasião, em 2001).
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2016: Perspectivas para a selecção nacional e reformas a implementar

No ano de 2016 que agora se inicia, o maior objectivo da selecção nacional tem de passar, inequivocamente, pelo apuramento para o campeonato do mundo de futebol de praia de 2017, que se realizará nas Bahamas. Tal missão pode parecer acessível para um campeão do mundo, mas um olhar mais atento à realidade do futebol de praia europeu torna bem evidente a ideia oposta, sobretudo tendo em conta as escassas 4 vagas destinadas ao velho continente. Note-se que, entre as 5 equipas europeias presentes em Espinho no passado mês de Julho (Portugal, Rússia, Itália, Suíça e Espanha), pelo menos uma terá de ficar fora da competição, o que por si só permite antever uma batalha acérrima pelo apuramento (até porque, destas 5 equipas, apenas os espanhóis não se apuraram para os quartos de final do mundial). Mas a luta pelo acesso à prova rainha do futebol de praia não se limitará a este lote de favoritos: também a Ucrânia, vice-campeã europeia que tantas dores de cabeça causou a Portugal em 2015, ou a Bielorrússia, equipa que integra consistentemente a elite do futebol de praia europeu, são candidatos de peso à qualificação. E não esqueçamos ainda países em grande crescimento, como a França, a Alemanha, a Polónia, a Grécia, a Roménia ou a Hungria, que apresentaram um excelente nível de jogo em 2015 e não surpreenderiam caso alcançassem um lugar no mundial.

Convém, aliás, não ignorar o surpreendente apuramento da Holanda para o mundial de 2013, numa edição que não contou com as presenças de Itália, Suíça e Portugal. Na altura, o afastamento da equipa nacional ficou intimamente associado a uma deficiente preparação do torneio de qualificação, que não foi encarado com a devida importância, talvez por não se ter afigurado aos olhos dos dirigentes a possibilidade de uma selecção experiente como Portugal não conseguir o apuramento. É, pois, de uma importância capital que a FPF saiba recordar os erros do passado e agir no sentido de colmatar eventuais brechas que possam obstar à concretização dos objectivos lusos em 2016. Recorde-se que o formato do apuramento pode revelar-se madrasto, podendo a sorte ditar confrontos entre grandes favoritos nos play-offs, como sucedeu no Rússia vs Suíça de 2012 ou no Espanha vs Ucrânia de 2014. Portugal tem, por isso mesmo, de estar preparado para derrotar qualquer selecção europeia para poder garantir a presença no mundial sem depender dos acasos do sorteio. A consciência de que o título de campeão do mundo não funciona como blindagem contra a esfuziante competitividade da Europa do futebol de praia tem de ser o princípio regedor da seriedade com que responsáveis federativos, equipa técnica e jogadores irão preparar este torneio de apuramento que tanto significa para uma nação com o peso de Portugal no futebol de praia.

Fonte: news.yahoo

Qual a receita para o sucesso da selecção nacional em 2016? Naturalmente, o caminho rumo ao êxito deverá assentar em condições de trabalho que permitam à comitiva lusa alcançar o pico de forma no torneio de apuramento para o mundial, de forma a que todos os jogadores possam apresentar os melhores índices físicos e os processos tácticos se encontrem devidamente assimilados, após semanas de treino em estágios e torneios que proporcionem uma preparação em ambiente competitivo. Mais ainda, terá de ser criada no seio da selecção uma filosofia de compromisso rumo aos objectivos centrais da equipa para 2016, que transforme um grupo de atletas fantásticos numa verdadeira família. Foi essa dinâmica de unidade e sacrifício em prol do próximo que permitiu a Portugal alcançar o triunfo no areal de Espinho, tal como foi o prolongamento desse espírito colectivo sem precedentes que tornou possível a expansão do domínio luso à Liga Europeia, competição que fugira a Portugal nos anos anteriores. Efectivamente, a inesperada derrota frente ao Senegal na fase de grupos constituiu-se como um ponto decisivo para transformar 2015 no ano de sonho da selecção nacional, ao ter evidenciado a necessidade de uma maior união e superação por parte de todos - necessidade prontamente atendida pela selecção nacional, que se superou a si mesma rumo à glória mundial.

Em 2016, Portugal tem todas as condições para extrair lições importantes do passado e reproduzir as circunstâncias que estiveram na base do formidável sucesso de 2015, sem voltar a cometer os erros de outrora. A tímida prestação portuguesa na Copa Intercontinental acaba por constituir o último desses percalços, tendo deixado bem claro que se Portugal pretende permanecer no topo do futebol de praia e triunfar sobre potências da modalidade como a Rússia, o Taiti ou o Irão (ou outros colossos europeus já anteriormente referidos), será preciso uma abordagem pautada pela seriedade e pela consciência de que as outras selecções irão surgir na sua melhor forma nas competições mais importantes, e principalmente nos jogos frente ao novo campeão mundial.

Fonte: FPF

Simultaneamente, um outro aspecto tem de ser tido em conta quando se fala na gestão da selecção nacional. Não obstante a qualidade formidável dos rostos que compõem as fileiras da equipa lusitana, o plantel português apresentou a média de idades mais elevada de todos os países representados no mundial de Espinho. Além disso, 11 dos 12 jogadores presentes no mundial e na Liga Europeia representaram o Sporting de Braga ou o Sporting Clube de Portugal no campeonato português, sendo a única excepção Alan, que não disputou as provas nacionais em 2015. Os dois factos, que estão relacionados, levam à constatação inequívoca de que, em 2016, será tempo para iniciar a renovação da selecção de uma forma mais efectiva.

Naturalmente, a estratégia seguida até hoje, mais concretamente em 2015, gerou os frutos mais ambicionados, atendendo ao extraordinário nível a que os atletas eleitos se apresentaram. Todavia, sendo a renovação da equipa e a diversificação das opções seleccionáveis um processo que tem de ser estruturado e empreendido gradualmente ao longo do tempo, seria importante começar a integrar novos jogadores de um modo mais consistente. Além de Lúcio Carmo e Duarte Vivo, jogadores com bastante experiência ao serviço da selecção, os poucos atletas chamados aos escassos estágios de observação que tiveram lugar em 2015 ainda não entraram em campo para representar a selecção nacional. Jogadores como Ricardo Baptista, que recentemente se destacou no Mundialito de Clubes ao serviço do Sporting, ou os madeirenses Pedro Vasconcelos e João Jasmins, figuras emblemáticas da equipa do CD Nacional que por diversas vezes conquistou torneios internacionais nos EUA, são alguns desses jogadores, que desde há vários anos participam em estágios, aguardando a sua primeira internacionalização.

Fonte: FPF

Como eles, muitos outros jovens exibem a sua qualidade nas provas nacionais, dando provas do bom trabalho que se tem realizado ao nível dos clubes e acaba quase sempre por não se traduzir na observação de jogadores em contexto de selecção. Note-se ainda que, à excepção de Andrade e dos irmãos Martins, formados no Brasil, as estreias pela selecção nacional nos últimos 2 anos resumem-se a Tiago Batalha e ao jovem guarda-redes Bruno Henriques (que cumpriu os primeiros minutos com a camisola lusitana na Copa Intercontinental do Dubai), ambos do Sporting de Braga. Obviamente, tal não significa que a escolha dos eleitos para representar Portugal nas grandes competições de 2015 tenha sido errada: pelo contrário, os resultados desportivos excepcionais alcançados atestam a justeza das escolhas da equipa técnica nacional, como já foi referido, não restando dúvidas acerca do mérito de cada um dos atletas escolhidos.

Todavia, deveria cumulativamente estar a ser preparada uma estratégia de ataque aos próximos anos, por forma a possibilitar uma transição vitoriosa entre gerações, ou seja, para que os resultados possam continuar a surgir enquanto os protagonistas variam com o passar do tempo. As soluções baseiam-se num maior número de estágios de observação em que as jovens promessas (e também as menos jovens) do campeonato possam mostrar as suas valências ao seleccionador nacional e, simultaneamente, sejam auxiliados no seu crescimento na modalidade. Só com esse seguimento próximo dos jogadores se poderá formar novos talentos para a selecção nacional, que possam efectivamente dar continuidade ao extraordinário sucesso de 2015 a uma escala temporal mais alargada. Dentro dos que demonstrem melhor capacidade de resposta e maturidade, alguns deverão ser levados a torneios internacionais, nos quais possam realmente sentir a experiência de representar o país e mostrar o seu futebol de praia num contexto competitivo internacional. Obviamente que, para um torneio de maior dimensão como um apuramento para o mundial ou uma Superfinal Europeia, as escolhas terão de recair sempre sobre os melhores jogadores do momento. Mas, além dos benefícios desta estratégia a longo prazo para a selecção, poderão surgir vantagens imediatas, pois a competitividade na convocatória irá aumentar, assim como talvez alguns desses novos valores comecem a figurar nas fileiras nacionais.

Fonte: FPF

Para terminar, vale a pena analisar o que aconteceu em outros países que implementaram modelos de renovação semelhantes ao proposto, como resposta a crises de resultados. Em Espanha, a prospecção de talentos trouxe atletas hoje considerados uma mais valia, dos quais se destaca Llorenç Gomez, que ao fim de 2 anos com a camisola espanhola estava já entre os 3 melhores executantes do mundo - algo impensável em Portugal no modelo actual, e não por falta de talento. Com uma selecção renovada de jovens talentos, Joaquín Alonso conduziu a Espanha ao 2º lugar no mundial do Taiti em 2013. Trajecto idêntico seguiu a Itália de Massimiliano Esposito, que após uma renovação arrebatadora surgiu em Espinho com um plantel muito jovem (apenas os dois guarda-redes superavam os 30 anos de idade), tendo como resultado um honroso 4º lugar final. Além disso, também a Rússia e sobretudo a Suíça se encontram em constante renovação, surgindo nas grandes competições com plantéis que combinam a experiência das figuras do núcleo da equipa com a irreverência de jovens promessas como Romanov ou Ott,respectivamente.

Fonte: BSWW

É esse compromisso inter-geracional que Portugal tem de voltar a implementar, para que os jogadores mais jovens nos quais se baseia o futuro do futebol de praia português possam integrar a selecção ainda a tempo de conviver e absorver ensinamentos das figuras mais marcantes da equipa, lado a lado, como colegas. Depois da extraordinária organização do mundial de futebol de praia e da prestação imaculada da selecção nacional, ficou claro que a FPF goza de todas as condições para uma organização de excelência no que ao futebol de praia diz respeito. Resta, portanto, esperar que exista no cerne da estrutura administrativa da modalidade a vontade para promover este tipo de atitude orientada para o futuro, como complemento à concessão de condições de excelência para trabalhar no presente.
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Qual o estado real do futebol de praia ao nível dos clubes?

Num ano de sonho para a selecção, também a nível nacional foram realizados progressos, apesar de o desenvolvimento da modalidade a nível interno ser ainda ténue para um país campeão do mundo e da Europa. Não obstante, a existência inédita de duas divisões no futebol de praia nacional e o aumento do número de jogos disputados durante o Verão, com um total de 159 jogos realizados por um número record de 36 equipas, permitem entrever boas perspectivas para o futuro, caso seja mantida uma trajectória ascendente rumo ao pleno desenvolvimento das potencialidades de Portugal no futebol de praia.

Revisitando um pouco do que foi a temporada nacional, saliente-se, em primeiro lugar, os grandes vencedores do ano: na divisão de elite, o Sporting Clube de Braga ampliou o seu reinado, ao conquistar o terceiro título consecutivo, enquanto o Varzim Sport Clube se sagrou campeão da divisão nacional, confirmando a supremacia do Norte do país nas provas nacionais em 2015.

Fonte: FPF

A divisão de elite contou com os 8 clubes que haviam terminado o campeonato nacional de 2014 nos lugares cimeiros da prova, tendo as equipas disputado uma liga de todos contra todos entre Maio e Agosto. Os resultados geraram a distribuição de pontos que culminou num ranking final, liderado pelo Sporting, que permanecia invicto no final da fase regular (venceu todas as partidas disputadas em tempo regulamentar, inclusive o embate diante do Sporting de Braga, por 5-4). A classificação ditou o alinhamento dos quartos de final, dos quais saíram os 4 semi-finalistas: Sporting, Sporting de Braga, Leixões e Belenenses, vencedores dos confrontos contra Grupo Amigos da Paz, ACD “O Sótão”, Vitória de Setúbal e CD Nacional, respectivamente. Entre estes, “O Sótão” e o CD Nacional acabariam por ser despromovidos, na sequência das derrotas averbadas diante dos sadinos e do Grupo Amigos da Paz nos play-outs, pelo que irão disputar em 2016 a divisão nacional.

Do outro lado, as vitórias convincentes do Sporting e do Braga diante dos Belenenses e do Leixões acabariam por possibilitar a tão aguardada final entre os leões e os bracarenses, num confronto de titãs que reeditava a final de 2014. Foi de facto um grande espectáculo aquele que as duas equipas proporcionaram aos milhares de adeptos presentes na Praia do Ouro em Sesimbra, num embate decidido após prolongamento, com um golo de Bê Martins que deu o título ao Sporting de Braga. Antes, um empate a 3 bolas num grande duelo entre dois gigantes nacionais tinha oferecido uma excelente imagem de promoção da modalidade. Vale a pena destacar a qualidade do futebol de praia praticado, denominador comum de duas equipas com estilos diferentes. Madjer, Jordan, Belchior, Coimbra e Petrony alinharam pelo Sporting, numa equipa que contava ainda com os internacionais Marinho e Duarte Vivo ou Ricardo Baptista, enquanto o Sporting de Braga, capitaneado por Bruno Torres, reunia Bruno Novo, Zé Maria, Bê e Léo Martins, Tiago Melo (internacional português) e os espanhóis Dona, Amarelle e Antonio, sinais da internacionalização do campeonato nacional.

Fonte: FPF

Porém, as outras equipas do campeonato merecem também uma palavra de apreço pelo que fizeram na divisão de elite, proporcionando um ciclo de partidas equilibradas onde o nível do futebol de praia praticado foi sempre de excelência. Cabe ao Leixões o maior destaque, por ser a equipa que mais se aproximou dos dois monstros nacionais. Sem colocar nenhum jogador na selecção, os homens de Matosinhos bateram-se heroicamente perante cada um dos seus adversários, alcançando um honroso 3º lugar na fase regular após um périplo que incluiu um triunfo sobre o Sporting de Braga, aos pés de quem acabariam derrotados na meia final. Conjugando uma mistura de experientes jogadores de futebol de 11 como Pedrinha e Artur Miguel Coelho com diversos jovens de qualidade indiscutível, o Leixões demonstrou o valor da raça nortenha em todo o seu esplendor.

Fonte: Desporto Matosinhos

Por outro lado, o Belenenses foi uma das equipas que mais evoluiu ao longo do campeonato, recuperando após um conjunto de derrotas nos primeiros jogos da fase regular para terminar com uma presença entre os 4 primeiros, com base na criatividade de Neto e Fabrício ou a segurança do guardião Marco Pinto. Por seu turno, o Vitória de Setúbal acabaria por assegurar a manutenção graças a um conjunto de jogadores experientes com grande conhecimento do jogo de futebol de praia, como Loja, David ou Durval, enquanto o Grupo Amigos da Paz superou todas as previsões e, apesar de ter terminado a fase regular na última posição, acabaria por conseguir assegurar a manutenção, mercê do espírito combativo e experiência acumulada dos homens do centro do país. Merecem igualmente uma palavra de apreço o CD Nacional, dos irmãos João Carlos e Rui Delgado, e a ACD “O Sótão”, do internacional Tiago Lopes, emblemas históricos do futebol de praia português que este ano não conseguiram manter os mesmos níveis exibicionais de outrora e, apesar das boas prestações nos jogos decisivos, acabaram por não conseguir evitar a despromoção com algum azar à mistura.

Em sentido inverso, o Varzim, enquanto campeão da divisão nacional, conseguiu o acesso ao principal escalão do futebol de praia luso, acompanhado pela Casa do Benfica de Loures, que se classificou na segunda posição da prova. O clube da Póvoa de Varzim, que tem a particularidade de se fazer representar exclusivamente por talentos naturais da região, como Rúben Feiteira e Zé Henrique, incluindo também vários nomes com uma vasta experiência na modalidade (Castiço, Batista, Trajano, entre outros), dominou por completo as operações na sempre competitiva zona Norte, onde se classificou na 1ª posição com apenas uma derrota, perante a oposição de equipas fortes como o Sporting de Espinho, o Âncora Praia (única equipa que logrou derrotar o Varzim em toda a prova) e a AD Esposende. O grande equilíbrio verificado na zona norte levou a que nenhuma destas equipas conseguisse somar os pontos suficientes para conseguir o apuramento para a final four enquanto melhor 2º lugar.

Fonte: Varzim.pt

No centro, a Casa do Benfica de Loures foi claramente a equipa em destaque, assente no internacional português Luís Vaz e conjugando um misto de experiência e juventude. A equipa de Loures somou 9 vitórias em 10 confrontos, perdendo apenas para o Estoril-Praia. A equipa da linha foi, de resto, aquela que, juntamente com a Venda do Pinheiro, se mostrou mais consistente ao longo da prova, praticando um futebol de praia mais apurado, mas insuficiente para colocar em causa do domínio dos encarnados de Loures. Varzim e Casa do Benfica foram acompanhados na fase final por Alfarim e Armacenenses, 1º e 2º classificados na zona sul, respectivamente, ambos com 6 vitórias nas 7 partidas que realizaram, numa fase regular muito disputada pelos emblemas da fracção meridional do país, onde também se destacaram o GP Costa da Caparica e o Barreiro Stara Zagora.

Fonte: AF Beja

Na fase final, disputada em Sesimbra, a maior experiência e conhecimento do jogo do Varzim levou a melhor sobre a atitude combativa dos homens da casa (Alfarim) na meia final, num triunfo suado por 2-1 que apurou os nortenhos para o campeonato de elite de 2016. Por seu turno, a Casa do Benfica de Loures derrotou a equipa de Armação de Pêra por 4-2 e deu continuidade a uma excelente temporada, confirmando a presença na primeira divisão. Todavia, a maior qualidade do futebol de praia praticado pelo Varzim na final acabaria por ditar o triunfo dos poveiros sobre os homens de Loures, numa vitória consistente por 3-1. O título de campeão nacional ficou assim entregue ao Varzim Sport Clube, que em ano de reabertura da secção de futebol de praia confirmou a previsão: o emblema da Póvoa voltou para se afirmar entre os melhores.

Fonte: FPF

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Expectativas para o futebol de praia nacional em 2016

2016 irá reunir no campeonato de elite as equipas do Sporting Clube de Braga, Varzim Sport Club, Leixões Sport Club (3 equipas de região Norte), o Grupo Amigos da Paz (do distrito de Leiria), o Sporting Clube de Portugal, o Clube de Futebol “Os Belenenses”, a Casa do Benfica de Loures (todos emblemas da grande Lisboa) e o Vitória Futebol Clube (de Setúbal). A qualidade do futebol de praia está garantida, aguardando-se com grande expectativa a revelação do formato competitivo para a próxima época.

A manter-se o formato actual, todas as equipas realizarão um total de 9 ou 10 jogos (no caso dos finalistas), o que parece um número bastante adequado para um campeonato de elite. No entanto, seria desejável uma revisão do formato na medida em que, no sistema adoptado em 2015, a fase regular funciona apenas como método de determinação do alinhamento dos quartos de final, conduzindo a uma destituição de significado dos jogos da fase regular e a uma excessiva centralização da época em torno de apenas 2 partidas. E, se por um lado as equipas do topo da classificação da fase regular tendem a ser as mesmas que disputam as meias-finais e a final, por outro, as questões de manutenção/despromoção acabam por ser resolvidas de forma precipitada em jogos tipicamente muito equilibrados que podem pender para qualquer um dos lados, podendo penalizar equipas que fizeram um bom trabalho ao longo da temporada (foi o caso do CD Nacional nesta época, que fizera uma fase regular minimamente consistente, mas acabou eliminado pelo Grupo Amigos da Paz, que terminara a fase regular com apenas 1 ponto).

Fonte: FPF

Por seu turno, a divisão nacional promete mais um Verão com muito futebol de praia, numa competição aberta a todos os emblemas que pretendam lutar pelas duas vagas de acesso à elite nacional do futebol de praia. Equipas como o Alfarim e o Armacenenses, que em 2015 ficaram próximos do apuramento, voltarão certamente a tentar a sua sorte no novo ano, enquanto CD Nacional e “O Sótão” tudo farão para recuperar o seu estatuto de potências nacionais do futebol de praia. Deseja-se que todas as outras equipas presentes no ano passado possam regressar em 2016, desta vez acompanhadas por novos emblemas que possam ajudar a ultrapassar o record quebrado no ano transacto.

Neste capítulo, são várias as dúvidas que se colocam ao nível da organização. Por questões logísticas, será natural e até desejável a manutenção do agrupamento das equipas em diferentes áreas geográficas, disputando ligas que irão apurar os finalistas. No entanto, um sistema com estas características torna-se igualmente ingrato para os clubes, dado que a selecção de 4 equipas de 3 regiões do país para disputar essa final retira muita margem de erro aos clubes, punindo qualquer desaire de forma demasiado severa e criando múltiplas situações de dependência face a resultados de outras equipas. Na fase final, a realização de play-offs de apuramento dá continuidade a essa exigência desmedida, uma vez que se torna possível que duas equipas sem qualquer derrota se encontrem nesses jogos, obrigando a que uma delas fique automaticamente eliminada e seja obrigada a permanecer mais um ano na divisão nacional. A realização de uma liga de 4 equipas seria, a meu ver, a opção mais justa, ou alternativamente a realização de uma fase final mais alargada, com 8 equipas divididas em 2 grupos de 4, cujos vencedores avançariam para a divisão de elite em 2016. Outra opção seria reunir as melhores equipas da divisão nacional com os emblemas classificados nas últimas posições do campeonato de elite para se disputar uma grande final promocional, sempre privilegiando o formato de liga sobre play-offs que não avaliam de forma tão consistente a qualidade das equipas.

Fonte: FPF

Em termos logísticos, deve ser aplaudida a forma como a FPF soube diversificar os destinos que acolheram as partidas do campeonato de elite, levando o futebol de praia a Sesimbra, Nazaré, Figueira da Foz, Espinho e Esposende. Já na divisão nacional, apesar de os jogos da zona sul e da fase final terem sido disputados em Sesimbra, com excelentes condições, a organização nem sempre manteve os mesmos padrões na zona norte e, particularmente na zona centro (Lisboa), as condições não foram de longe as melhores. De facto, a grande maioria dos jogos foram acolhidos pela Praia de Santa Rita, em Torres Vedras, onde a meteorologia por vezes adversa e a falta de infraestruturas condicionaram a prova (inclusivamente, o recinto acolheu os quartos de final do campeonato de elite). Tratam-se de alguns aspectos e melhorar no próximo ano, num país que, recorde-se, foi premiado pela organização de excepção do mundial Espinho 2015.

Fonte: Porto Canal

Por outro lado, seria importante ver os clubes envolvidos noutro tipo de torneios oficiais que não o campeonato nacional, nomeadamente a tão falada Taça de Portugal, que desde 2012 tem vindo a ser abordada, mas ainda não saiu do papel. Seria uma excelente notícia se em 2016 se pudesse assistir ao nascimento de uma nova competição, que reunisse as equipas das duas divisões e pudesse atrair mais atenção por parte do público para a modalidade, incrementando o número de jogos da temporada para os clubes envolvidos. Por seu turno, em 2015, à semelhança do que sucedera em 2014, apenas a AF Lisboa apresentou um campeonato distrital organizado de forma autónoma, do qual saiu vencedor a Casa do Benfica de Loures. Seria importante ver este tipo de iniciativas estendido a outras associações regionais do país, por forma a incitar o desenvolvimento do futebol de praia a nível local e estimular a competitividade. 

Complementarmente, a distribuição dos jogos no calendário deveria ser revista, uma vez que um país com o clima de Portugal poderia perfeitamente estender as provas de futebol de praia aos meses de Primavera e Outono, levando a um calendário nacional entre Março e Novembro. A construção de recintos para a prática indoor do futebol de praia em caso de condições meteorológicas adversas seria também uma medida a considerar seriamente por parte das entidades organizacionais.

Finalmente, seria importante reformular a relação do grande público com o futebol de praia jogado ao nível dos clubes, promovendo uma cobertura mais efectiva destas competições por parte da comunicação social. A transmissão de 3 jogos da fase final do campeonato de elite na TVI 24 revelou-se profundamente insuficiente, esperando-se que em 2016 a FPF desenvolva finalmente iniciativas no sentido de inverter esta situação, junto dos canais de comunicação adequados. A cobertura de um maior número de jogos, tanto da primeira como da segunda divisões, dando a conhecer equipas e jogadores relevantes no panorama nacional que o grande público nunca viu em acção e combatendo o desconhecimento geral sobre a realidade nacional do futebol de praia, seria um passo importante, de preferência sem deixar que as transmissões fossem monopolizadas por uma determinada estação televisiva em particular. Neste sentido, sente-se a falta de grandes parceiros comerciais para a FPF no futebol de praia – aspectos de marketing que seria desejável ver trabalhados em 2016.

Fonte: CM Sesimbra

Um maior cuidado na cobertura do futebol de praia praticado no interior das fronteiras nacionais seria igualmente um incentivo para os clubes, por facilitar o estabelecimento de contratos de patrocínio através do aumento da visibilidade das equipas. Ao mesmo tempo, não poderia existir maior motivação para o trabalho desenvolvido nos clubes do que a certeza de que essa actividade é seguida de perto por parte dos responsáveis da selecção nacional, algo que se confirmaria com as fundamentais chamadas de jogadores em destaque nas diversas equipas a estágios de observação mais frequentes, como já foi referido.

Num outro âmbito, seria importante retomar em 2016 a realização de acções de formação para treinadores e árbitros de futebol de praia, tal como já foram realizadas no passado, pois tratam-se de áreas estruturantes do crescimento da modalidade que têm de ser contempladas com grande seriedade e exigência, ano após ano. A realização de workshops e seminários da FIFA em Portugal poderia também ser ponderada, reproduzindo o que se verifica em muitos outros países por todo o mundo - incluindo algumas das maiores potências mundiais da modalidade.

Fonte: FPF

Tratam-se, pois, de algumas ideias a meu ver essenciais no sentido de dar continuidade à trajectória de crescimento do futebol de praia em que Portugal se encontra, mas que urge fortalecer e aperfeiçoar ao longo do tempo. São estes os meus desejos para o futebol de praia português no ano de 2016, um ano em que, graças a um 2015 sublime, Portugal será reconhecido internacionalmente como o país campeão do mundo, e durante o qual será preciso trabalhar arduamente para possibilitar a extensão desse estatuto aos anos vindouros.

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Planeta Desportivo: Futebol de Praia em Portugal: de 2015 para 2016
Futebol de Praia em Portugal: de 2015 para 2016
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http://www.planetadesportivo.pt/2016/01/futebol-de-praia-em-portugal-de-2015.html
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