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FC Porto 2015/2016

Mais uma época para esquecer no Dragão. Um ano que se queria de tudo, acabou por ser de nada. Zero conquistas, muitas mexidas, um plantel desequilibrado, uma direcção envolta num marasmo incompreensível, contratações e saídas constantes. Tudo isto aconteceu num dos piores anos de FC Porto de que há memória. Será o fechar de um ciclo portista ou o início de um novo no futebol português?

OVERVIEW

Comecemos pelo início de tudo. Depois de uma primeira época agridoce com Julen Lopetegui no comando da equipa, em que o FC Porto perdeu o campeonato para o Benfica nas últimas jornadas e caiu apenas nos quartos-de-final da Liga dos Campeões perante o colosso Bayern de Munique, a aposta este ano era na conquista do principal ceptro português e em melhorar os registos anteriores. As mexidas foram muitas. Os dois laterais Danilo e Alex Sandro foram vendidos, Casemiro e Óliver regressaram às casas-mãe, Quaresma voltou ao Besiktas e Jackson mudou-se para Madrid. Para a nova época, Pinto da Costa e Lopetegui decidiram reforçar o plantel com alguns talentos portugueses, como Danilo Pereira, André André e Sérgio Oliveira. O também português Silvestre Varela regressou ao Dragão após empréstimo. Outro regresso foi o de Cissokho, cedido pelos ingleses do Aston Villa. Miguel Layún chegou igualmente para colmatar a saída tardia de Alex Sandro (ainda jogou na 1ª jornada da Liga pelos dragões). Para o ataque, chegaram o goleador espanhol Alberto Bueno, o jovem mexicano Jesús Corona e o irreverente Pablo Osvaldo. Porém, as contratações mais sonantes do defeso portista foram três: Imbula, contratado por 20 milhões de euros ao Marselha (o mais caro de sempre da Liga Portuguesa); Maxi Pereira, que, oito anos depois de chegar ao Benfica, trocou os encarnados pelo FC Porto; Iker Casillas, o lendário guardião espanhol que tinha perdido o seu espaço no Real Madrid e decidiu abraçar um novo desafio. Os reforços eram muitos, mas a qualidade estava ainda por demonstrar. No entanto, a expectativa era grande. Afinal, o FC Porto tinha um conjunto de jogadores que permitia sonhar. Uma mistura saudável entre velhos e novos, entre portugueses e estrangeiros. Lopetegui tinha aqui a sua segunda (e eventualmente derradeira) oportunidade para brilhar.

Saltemos agora cerca de dez meses no tempo, até ao final da época. Ao contrário do que era previsível no início da temporada, o FC Porto perdeu tudo. Já vai em três épocas consecutivas. Como é possível? Em dez meses desceu-se do céu ao inferno. A euforia inicial deu lugar ao desalento no final. Mudou o treinador. Mudaram os jogadores. Mudou o esquema táctico. Mudaram os objectivos. No final, o resultado foi apenas um: o FC Porto bateu no fundo. Nesta fase, é fácil apontar o dedo a X ou Y, mas mais que isso devem ser tiradas ilações para o futuro. E de facto, não há dúvida que o maior falhanço do ano foi protagonizado pela direcção azul e branca. Em todos os aspectos. Em primeiro lugar, pela estratégia seguida. Contratou-se muito em quantidade, pouco em qualidade. Boa parte dos jogadores que integraram o plantel este ano, não têm qualidade para jogar no FC Porto. Ponto final. Jogadores como Ángel, Marcano, Martins Indi, Varela, Marega ou Suk, tiveram, uns mais que outros, várias oportunidades para demonstrar as suas mais-valias. Raramente o conseguiram fazer. Na verdade, a direcção evidenciou falta de planeamento nas contratações. O eixo da defesa, que já no ano anterior tinha dados sinais de fragilidade, não foi reforçado. Mantiveram-se os mesmos três jogadores - Maicon, Indi, Marcano - com a agravante de o brasileiro ter saído em pleno mês de Fevereiro. A solução improvisada foi recorrer a Chidozie, nigeriano com idade de júnior, que não convenceu. No ataque, com as saídas de Tello e Osvaldo, contrataram-se Marega e Suk, que não fizeram melhor. Até os guarda-redes foram contestados, com a estrela Iker Casillas a fazer uma época aquém do esperado.

A questão relativa ao treinador também nunca foi bem recebida pelos adeptos portistas. Lopetegui, apesar da eliminação precoce da Champions, estava a 4 pontos do 1º classificado do campeonato quando saiu. O FC Porto acabou a época com José Peseiro, a 15 pontos do tri-campeão Benfica. Até aqui a SAD azul e branca não soube tomar o melhor rumo. Rui Barros foi solução durante 4 partidas, na fase de transição entre treinadores. Apesar de tentar transparecer o contrário, Pinto da Costa nunca pareceu ter realmente um plano "B". José Peseiro terá sido uma solução de recurso e meramente provisória. E não resultou. Assim como não resultou a mensagem passada para o exterior. Parte do problema actual do FC Porto passa por uma questão de comunicação. Nos dias que correm, a estrutura azul e branca fala apenas quando ganha ou quando, de uma forma ou de outra, está por cima. Quando perde, a estratégia de comunicação é, a nosso ver, errada. Não assume nem responde pelos seus erros. Limita-se a criticar arbitragens (que, em boa verdade, nem sempre estiveram em bom plano nos jogos dos dragões), esquecendo os seus próprios problemas, alguns crónicos, com feridas que tardam em sarar. Hoje em dia - e ao contrário do que era hábito -, qualquer jogador, adepto, dirigente, fala do FC Porto. Qualquer um ousa criticar, ridicularizar, espezinhar, seja de que forma for, o histórico emblema da Invicta. Fala-se de tudo e de nada. Comentam-se os negócios internos, a sucessão de Pinto da Costa, a vida dos jogadores e treinadores, tanto nos jornais como nos programas televisivos. E a resposta portista não aparece. Ninguém se insurge. Não há murros na mesa. Os cães ladram, mas a caravana não passa.

A massa adepta também esteve longe de ajudar à festa. É do conhecimento geral que o Dragão é um estádio com um ambiente pesado. Para os forasteiros que vão lá jogar e, quando as coisas correm mal, até para os da casa. Por alguma razão ficou conhecido como "Tribunal". Porém, aquilo a que se assistiu esta época nos encontros caseiros do FC Porto está para além do razoável. A 8 de Agosto de 2015, em pleno jogo de apresentação frente ao Nápoles (0-0), já a equipa técnica e os jogadores ouviam assobios. Não é por acaso que, das 14 derrotas da temporada portista, 6 foram no seu próprio reduto, perante Dínamo Kiev (num jogo crucial para os dragões), Marítimo (1º jogo da fase de grupos da Taça da Liga), Borussia Dortmund (2ª mão dos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa), Arouca, Tondela e Sporting (estes três últimos para a Liga NOS). Nota para o facto de estas quatro últimas terem ocorrido sob a orientação de José Peseiro. De facto, não foi fácil para o FC Porto jogar perante os seus adeptos esta época. Ao mínimo deslize, jogadores e treinadores eram assobiados e criticados. Foi evidente o desnorte da equipa em várias fases das partidas, com os jogadores a praticarem um futebol nervoso e de erros constantes. Já fora de portas, a fluidez de jogo parecia ser outra. Não é bom que assim seja. A pressão exercida pelo público não é saudável e tende a piorar a situação. Bons jogadores tornam-se jogadores medíocres, quando perdem a confiança nas suas capacidades e sentem a pressão de ter algo para mostrar de forma mais breve possível. São pagos a peso de ouro para isso, é um facto. Mas também não é menos verdade que são seres humanos e que as formas de reagir à pressão não são assim tão distintas do mais comum dos mortais. Em fase de reconstrução e de renovação do plantel, é importante que sintam o apoio da massa associativa. É fundamental que, em casa, os jogadores se sintam confortáveis, como se estivessem no seu próprio lar.

Apesar da escassez de títulos e dos problemas internos que o FC Porto enfrenta, há sempre boas notícias. A equipa "B" azul e branca sagrou-se campeã da II Liga portuguesa, feito inédito em Portugal e que, a nível internacional, só a formação secundária do Real Madrid conseguiu alcançar por uma vez. Recheada de jovens talentos, com idades na sua maioria compreendidas entre os 19 e os 23 anos e boa parte formados nas escolas portistas, o FC Porto "B" assinalou uma época fantástica, que augura um grande futuro. Também na equipa principal existe matéria-prima nacional a ser trabalhada. Jogadores como Danilo, André André, Sérgio Oliveira, Rúben Neves ou André Silva, estiveram em bom plano esta época e, juntamente com os atletas dos "bês" têm tudo para ser a base dos plantéis portistas dos próximos anos. A aposta da direcção na formação e nos produtos portugueses tem dado frutos e deverá ser uma das bandeiras a manter nos próximos anos.

Apresentação FC Porto 2015/2016 | dragaodoente.blogspot.pt

COMPETIÇÕES INTERNAS

Pelo terceiro ano consecutivo, o FC Porto nada ganhou, com a agravante de este ano ter estado ainda mais longe de vencer o campeonato. O plantel criou falsas expectativas nos adeptos, dando a ilusão de que era suficiente para enfrentar as várias provas em que a equipa azul e branca estava inserida. A nível interno, a temporada acabou por ser desastrosa. 3º lugar no campeonato, uma final da Taça de Portugal perdida nas grandes penalidades frente ao Braga, após uma grande recuperação protagonizada pelo miúdo André Silva e três derrotas em três jogos na fase de grupos da Taça da Liga. Nesta última, apesar da forma quase vergonhosa como o FC Porto foi afastado, não se pode deixar de considerar que é, de todas as competições, a menos prestigiada e que menos esforços deve concentrar por parte da estrutura portista. Porém, três derrotas contra equipas como Marítimo, Feirense e Famalicão, com um saldo de 1 golo marcado e 6 sofridos, é inaceitável. Tal como inaceitável é o 3º lugar do campeonato, quando curiosamente a equipa até ganhou os dois encontros frente ao campeão Benfica. Já contra os outros dois principais rivais, Sporting e Braga, a história foi diferente, com o FC Porto a amealhar três derrotas e um empate. Em jogos deste carácter, os dragões pecaram, quando não podem. A somar a estes desaires, as perdas de pontos contra equipas como Arouca, Tondela, Moreirense ou Paços de Ferreira. É nestes jogos que se ganham e perdem campeonatos e o FC Porto não soube abordá-los da melhor forma. Na Taça de Portugal, a história foi diferente, mas sejamos francos: o FC Porto teve um percurso anormalmente acessível. Para chegar ao Jamor, afastou (sem sofrer qualquer golo), Varzim, Angrense, Feirense, Boavista e Gil Vicente, por esta ordem. Com o devido respeito pelos restantes adversários, o primeiro grande desafio só surgiu na final frente ao Braga, não tendo o FC Porto passado no teste. Muito pouco, para um clube que dominou o futebol português nos últimos 30 anos.

sapo.pt

COMPETIÇÕES EUROPEIAS

Com entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões, o FC Porto viu o sorteio atribuir-lhe um grupo relativamente acessível, com Chelsea, Dínamo Kiev e Maccabi Tel Aviv. A campanha europeia começou sobre rodas. A um empate na jornada inaugural em Kiev, seguiram-se três vitórias consecutivas, frente ao todo-poderoso Chelsea (numa fantástica exibição, talvez das melhores da época) e aos israelitas do Maccabi (por duas vezes). Com 10 pontos em 4 jornadas, bastava ao FC Porto um ponto nos restantes dois encontros para garantir a qualificação para a fase seguinte. A oportunidade estava à vista já no desafio caseiro frente ao Dínamo Kiev, de Antunes e Miguel Veloso. Porém, nada correu como planeado. Com uma grande penalidade e um erro de Casillas, os ucranianos venceram por 2-0 no Estádio do Dragão e relançaram a disputa pela qualificação. Ao FC Porto restava esperar que o Dínamo perdesse pontos na recepção ao Maccabi ou empatar em Stamford Bridge, perante o Chelsea de Mourinho. Mas nem uma coisa nem outra aconteceram, como seria de esperar. O FC Porto saiu derrotado de Londres (numa exibição muito contestada pelos adeptos) e o Dínamo venceu os israelitas. Estava consumada a inesperada eliminação portista da Champions, depois de um percurso que em nada fazia antever este desfecho. Em duas jornadas tudo mudou para a equipa (ainda) orientada por Lopetegui. Seguia-se a Liga Europa. Aqui, já com Peseiro como técnico, o sorteio ditou que os dragões enfrentariam o Borussia Dortmund, de Tuchel. A eliminatória rapidamente perdeu o interesse. Foram dois jogos apáticos da turma portista, com escassas oportunidades de golo e muitas vezes a limitar-se a ver jogar. Chegou a dar a ideia de haver um pacto de não-agressão entre os dois emblemas. A uma derrota por 2-0 na Alemanha, seguiu-se novo desaire por 1-0 no Dragão e o FC Porto ficava assim afastado das competições europeias. Um cinzento e triste final para uma equipa respeitada no plano europeu como o FC Porto.

uefa.com

JOGADORES

Iker Casillas (40 J/ 39 GS): A contratação da época, não só no FC Porto como no nosso campeonato. Oscilou entre o bom e o mau, tal como já vinha a acontecer nas suas últimas épocas no Real Madrid. A defesa também não ajudou, é certo. Mas golos como os que sofreu frente ao Dínamo Kiev ou Vit. Guimarães são inadmissíveis para um guardião da sua categoria, outrora coroado como o melhor do planeta. Ainda assim assinalou boas exibições, em especial frente ao Benfica. A principal qualidade é sem dúvida o posicionamento e a capacidade que tem para executar defesas complicadas, mas deixa a desejar no jogo aéreo, que o próprio considera ser o seu ponto fraco. Não é por acaso que cerca de 10% dos golos sofridos durante a época surgiram no seu raio de acção, na pequena área (Hélton não sofreu nenhum nesta zona). De realçar ainda a postura mantida durante toda a época, sem tiques de vedetismo. Deverá ficar na temporada 2016/2017 e os portistas esperam um Casillas mais seguro e próximo do San Iker do Bernabéu.

Hélton (12 J/ 10 GS): Com a chegada de Casillas perdeu espaço na equipa. Fez 7 jogos para a Taça de Portugal, 3 na Taça da Liga e 2 na Liga Portuguesa. Teve prestações convincentes em quase todos eles, excepção feita ao mais importante - a final da Taça - onde não aparentou ter os 38 anos que já ostenta no bilhete de identidade. O capitão portista destacou-se pela precisão no passe e na ajuda dada na primeira fase de construção (93% de acerto no passe, contra 87% de Casillas). Ficou a perder relativamente a Casillas nos remates de longa distância (30% dos golos sofridos pelo brasileiro foram de fora da área, contra 21% do espanhol). Deve estar próximo o final de carreira de Hélton, ele que já admitiu essa hipótese e marcou conferência de imprensa em meados de Junho para anunciar a sua decisão.

tribunaldasantas.com

Maxi Pereira (42 J/ 1 GM): A transferência mais improvável e contestada do mercado de Verão. Maxi trocou a Luz pelo Dragão, após 8 épocas de águia ao peito e, como seria de adivinhar, não teve uma época fácil. Foi dos mais regulares do plantel, mas esteve longe de apresentar a forma de outros tempos. Ainda assim, terminou a época com 9 assistências para golo na Liga. Por outro lado, entregou-se de coração à equipa e intensidade nunca lhe faltou. A participação ofensiva frequente manteve-se, embora essa acutilância lhe tenha custado alguns problemas a defender. Como é seu apanágio, foi dos jogadores mais faltosos da equipa, com uma média de 1,8 faltas por jogo, tendo visto 15 cartões amarelos durante toda a temporada.

Miguel Layún (41 J/ 6 GM): O rei das assistências. Só na Liga foram 15 (a par de Gaitán, o melhor neste registo), o que lhe dá uma participação de cerca de 30% dos golos da equipa na principal competição nacional. O mexicano, emprestado pelos ingleses do Watford, apresentou sempre grande disponibilidade física e ofensiva e foi, em muitos jogos, dos melhores elementos do FC Porto em campo. Falta-lhe, contudo, evoluir defensivamente, dado que é aí que tem mais lacunas. Layún teve uma média de 3,7 intercepções/ jogo e 4,2 recuperações bola/ jogo, ficando atrás de Maxi nestes registos (5 intercepções/ jogo e 6 recuperações/ jogo). Estranhamente, e apesar de ser destro, rende mais à esquerda do que à direita, o que nem sempre facilita o jogo em profundidade à equipa, pois a tendência de Layún é de fazer diagonais para o interior do terreno. Cabe agora ao FC Porto decidir se acciona a cláusula de opção de compra do internacional mexicano.

José Ángel (16 J/ 0 GM): Um dos patinhos feios da última época, manteve esse estatuto em 2015/2016. Começou até como 3ª opção para o lado esquerdo da defesa, mas com a saída prematura de Cissokho acabou por ficar como suplente de Layún. Foram raros os bons jogos do espanhol. Destacou-se pela positiva em alguns jogos da Taça de Portugal - naturalmente, com menor grau de dificuldade -, mas não conseguiu manter a regularidade nos jogos a doer. Foi um dos portistas com mais perdas de bola no próprio meio-campo (média de 1,9/ jogo). Defensivamente deixou a desejar (jogo terrível neste campo frente ao Sporting) e a atacar oferece poucas soluções. Dificilmente poderá almejar a titularidade, pelo que o seu futuro deverá passar por um empréstimo ou saída a título definitivo do Dragão.

Cissokho (3 J/ 0 GM): Pouco haverá a dizer em relação ao lateral francês. Esteve a anos-luz daquilo que demonstrou há 8 anos atrás na sua primeira passagem pelo Dragão. Titular na 2ª jornada do campeonato (na 1ª ainda jogou Alex Sandro) frente ao Marítimo, nos Barreiros, foi após uma falha sua que surgiu o golo insular que ditou o empate e a primeira perda de pontos na Liga. Perdeu a titularidade e apenas realizou mais dois encontros de dragão ao peito, sempre sem convencer. Em Janeiro regressou ao Aston Villa, que recentemente viu consumada a descida de divisão.

Maicon (22 J/ 3 GM): Foi, durante 22 jogos, provavelmente o mais fiável dos centrais à disposição de Lopetegui e, posteriormente, de Peseiro. Porém, protagonizou uma das cenas mais lamentáveis do ano portista. Em pleno jogo com o Arouca, no Dragão, onde as coisas não lhe estavam a correr de feição, abandonou o campo durante um lance de perigo arouquense, por suposta lesão (que muitos dizem ter sido simulada). Uma atitude reprovável (um capitão tem de dar o exemplo e não pode abandonar o campo enquanto decorre uma jogada) e que os adeptos não perdoaram. Rapidamente a direcção resolveu o assunto, emprestando o brasileiro ao São Paulo. Atendendo às suas boas exibições no Brasil, o clube paulista pretende ficar com Maicon a título definitivo, pelo que o seu futuro dificilmente passará pela Invicta.

Bruno Martins Indi (34 J/ 0 GM): Época difícil para o internacional holandês. Mais uma vez pecou, e muito, no jogo aéreo. Foram vários os encontros em que expôs o FC Porto nessa vertente. A gota de água surgiu na derrota por 3-1 contra o Sporting, onde Slimani ultrapassou o holandês nascido no Barreiro como se nada fosse. Na verdade, Indi apenas venceu 53% dos lances aéreos disputados. Por outro lado, continuou a acumular erros de posicionamento que custaram pontos aos dragões. Se tivermos em conta que foi titular durante praticamente toda a temporada, não admira que a defesa tenha sido o grande handicap do FC Porto este ano. Destacou-se apenas na capacidade de passe (91% de eficácia neste capítulo).

Iván Marcano (33 J/ 2 GM): Estatisticamente falando, foi melhor que Indi, mas também não está isento de culpas pela má prestação defensiva da equipa. Acumulou erros durante toda a época, em especial no passe (85% de eficácia), principalmente quando se encontra sob pressão adversária. Pelo ar, também não teve um registo admirável (venceu 66% dos lances), mas fez uma média de 8 intercepções por jogo e de 10 recuperações de bola por jogo. Registos bem superiores a Indi (médias de 6 intercepções/ jogo e 7 recuperações/ jogo). Assim como o holandês, não se lhe reconhece qualidade para ser titular numa equipa com aspirações tão grandes como o FC Porto. A final da Taça de Portugal, onde teve claras culpas no 2º golo, só veio confirmar esse facto.

Chidozie (13 J/ 1 GM): Jogou pela equipa "B" e até pelos júniores durante a primeira metade da época. Com a saída de Maicon, subiu ao plantel principal, de forma algo inesperada. Estreou-se frente ao Benfica com uma exibição de luxo, que fez crescer água na boca dos adeptos portistas, rapidamente fazendo esquecer o episódio de Maicon. Mas o jovem nigeriano acabou por não corresponder às altas expectativas iniciais e a qualidade das exibições foi caindo. Acabou por acusar a pressão em alguns encontros, nomeadamente contra o Sporting e frente ao Braga, na Taça de Portugal, onde saiu ao intervalo. Não está preparado para ser titular do FC Porto, pelo que a melhor solução seria um empréstimo, para ganhar rotinas e experiência na alta competição.

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Rúben Neves (38 J/ 2 GM): O "menino de ouro" do Dragão perdeu alguma da importância que lhe foi conferida na época passada, mas ainda assim foi utilizado em 38 partidas ao longo do ano. Autor de um golaço à Académica, apresentou sempre grande qualidade de passe (88% de eficácia) e construção de jogo. Quando a equipa precisava de ter posse, era normalmente ao jovem médio português que Lopetegui ou Peseiro recorriam e Rúben Neves rapidamente fazia questão de justificar a aposta. Muitas vezes utilizado como médio mais recuado, falta-lhe trabalhar alguns aspectos defensivos, em especial ao nível do posicionamento, onde ainda apresenta algumas lacunas (comparando, por exemplo, com Danilo). Fisicamente também pode melhorar - apresenta uma taxa de sucesso nos duelos corpo-a-corpo de 52%. Ainda assim teve um registo médio interessante de 6 recuperações de bola/ jogo, o que diz muito da capacidade de trabalho do #6 portista. Quem diria que ainda só tem 19 anos.

Danilo Pereira (45 J/ 6 GM): O melhor médio defensivo portista, que foi também o melhor central do plantel, quando para tal foi solicitado. De uma fiabilidade fantástica, Danilo foi, sem grandes dúvidas, o jogador do ano no universo futebolístico azul e branco. Ganhou 62% das duelos físicos disputados, interceptou, em média, 6 bolas/ jogo, recuperou uma média de 7 bolas/ partida e teve 88% de acerto no passe. Um verdadeiro "tanque" no miolo. Jogou e fez jogar. Defendeu, recuperou, marcou e correu como ninguém. Também não raras foram as ocasiões em que se viu Danilo chamar a atenção os próprios companheiros de equipa relativamente aos seus erros. Se a época do FC Porto não foi mais desastrosa, muito se deve a Danilo. Tem a titularidade na selecção à sua espera, de forma merecida. E os adeptos portistas fazem figas para que Pinto da Costa segure o ex-Marítimo.

André André (37/ 6 GM): O dínamo do meio-campo portista. Apesar de não ter iniciado a época como titular, teve uma primeira metade da temporada fortíssima. Exibiu-se a grande nível sob a batuta de Julen Lopetegui, com momentos importantes, como o golo da vitória frente ao Benfica, no Estádio do Dragão ou o primeiro golo portista na vitória caseira perante o Chelsea, de Mourinho (2-1). Fruto de alguns problemas físicos, acabou por cair de rendimento na segunda metade da época. Ainda assim, teve prestações de relevo sempre que foi chamado e o jogo portista tinha um claro acréscimo de qualidade com André em campo. Destacou-se na qualidade de passe, onde apresentou uma precisão de 87%.

Sérgio Oliveira (18 J/ 3 GM): Com Lopetegui no comando da equipa, realizou apenas 3 encontros oficiais, nenhum deles para a Liga. Com a chegada de Peseiro e face ao afastamento temporário de André André, ganhou outro estatuto na equipa. Acabou por realizar uma quantidade assinalável de jogos, com algumas exibições agradáveis e com especial notoriedade na marcação de bolas paradas. Pese embora seja um bom distribuir de jogo, falta-lhe ainda assim a intensidade e a capacidade de trabalho (especialmente na fase de pressão à saída de bola adversária) que André, por exemplo, oferece. Com 23 anos, tem tempo para crescer, mas para já parece estar longe daquilo que o FC Porto necessita para ambicionar outros vôos.

Evandro (21 J/ 1 GM): Raramente foi primeira opção dos técnicos portistas, mas sempre que entrou ofereceu algo à equipa. Bom tecnicamente e no passe (89% de eficácia, a mais alta taxa de sucesso a seguir a Hélton e Indi), Evandro entrou sempre que a equipa precisava de baixar o ritmo do encontro e fê-lo com sucesso na maioria das vezes. Contra o Moreirense, deu até a vitória aos dragões (3-2). Apesar de as hipóteses de vir a ser um habitué no onze serem escassas, é daqueles jogadores que qualquer treinador gosta de ter.

Héctor Herrera (38 J/ 9 GM): Ao final da terceira época de azul e branco, ainda não está perto de convencer a 100% os adeptos portistas. É provavelmente dos melhores jogadores do plantel, apesar de nem sempre o demonstrar. Excelente na capacidade de pressão, nos movimentos de ruptura e a aparecer como segundo avançado nas costas do ponta de lança (foi através desses movimentos que marcou boa parte dos 9 golos esta época), continua a pecar em alguns momentos importantes. Por vezes é desesperante a forma como se desleixa no passe (86% de sucesso) ou até na fase de transição defensiva. O mexicano tem capacidade para muito mais. Porém, a direcção e o próprio jogador não descartam uma possível saída no Verão.

Alberto Bueno (8 J/ 2 GM): Infeliz, neste primeiro ano ao serviço dos dragões. Pouco utilizado por Lopetegui, lesionou-se e em 2016 jogou apenas 48 minutos, frente ao Gil Vicente, para a Taça de Portugal. Os dois golos que marcou foram também para a Taça, frente ao Angrense (2-0). No ar ficou sempre a sensação de que, não fossem as lesões, e Bueno podia ter dado muito mais ao FC Porto, face àquilo que são as suas características (rende mais como 2º avançado, na sombra do ponta-de-lança, à semelhança de Jonas, por exemplo) e à capacidade goleadora que se lhe reconhece e que fez estragos em Espanha.


Giannelli Imbula (21 J/ 0 GM): O flop do ano na Liga portuguesa. Contratado por 20 milhões ao Marselha numa transferência-recorde, numa rendeu aquilo que era suposto, apesar das várias oportunidades que lhe foram concedidas. Dono de uma técnica assinalável, protagonizou uma óptima exibição frente ao Chelsea, mas parece ter-se ficado por aí. De resto, raramente foi uma mais-valia no meio-campo portista. Lento e pouco dado às tarefas defensivas, não justificou o valor por ele pago e acabou vendido ao Stoke City, em Janeiro, por 24 milhões de euros. Na turma inglesa, fez 14 jogos consecutivos no campeonato, sempre pelos 90 minutos, conquistando a admiração dos adeptos do Britannia Stadium.

sol.pt

Silvestre Varela (34 J/ 3 GM): De regresso à cidade Invicta após um ano de empréstimo, o internacional português não teve uma época ao nível a que habituou os portistas. Trapalhão, com pouca influência no ataque e sem a explosão de outros tempos, Varela acabou por somar várias exibições que não passaram da mediania. Fez apenas uma assistência durante toda a época e teve uma eficácia de passe de 81%. Perdeu ainda cerca de 13 vezes a bola por jogo (números elevados, mas ainda assim abaixo de alguns dos colegas de sector) e teve uma taxa de sucesso no drible de 63%. Apesar da veterania que já apresenta no balneário, não é certo o seu futuro no plantel.

Jesús Corona (35 J/ 8 GM): Começou em força, com exibições agradáveis e alguns golos. A partir de Janeiro caiu claramente de produção (curiosamente, coincidiu com a saída de Lopetegui do comando dos dragões). Em termos estatísticos, fica a dever em relação a Varela, por exemplo. 79% na eficácia de passe, 14 perdas de bola por jogo (embora Varela tenha 2,2 perdas de bola por jogo no seu meio-campo, contra 1,3 do mexicano) e uma taxa de sucesso no drible de 51%. Fez 4 assistências e facturou por 8 vezes, apresentando maior influência no jogo ofensivo do FC Porto. Corona é um jogador jovem e tem potencial para crescer bem mais. Falta-lhe, contudo, tomar melhores decisões. Erra muito no último passe e na definição das jogadas. Demonstrou, ainda assim, bom entendimento com Maxi Pereira na ala direita do ataque. A rever na época que aí vem.

Yacine Brahimi (44 J/ 9 GM): Protagonista de uma primeira metade da época 2014/2015 fantástica, acabou por cair na segunda metade. Esta época repetiu, de certo modo, a façanha. Igualmente melhor com Lopetegui do que com Peseiro (com quem nem sequer foi titular indiscutível), Brahimi apresentou-se no registo habitual, mas sem a eficácia que se lhe reconheceu. Dotado de um drible curto, destaca-se pela forma serpenteante com que encara as defesas adversárias. Porém, o estilo de Brahimi já não constitui novidade no nosso campeonato e os oponentes parecem ter encontrado o antídoto para travar a magia do argelino. Por outro lado, nem sempre pareceu estar 100% focado no Dragão, com várias polémicas durante a temporada, fosse por atitudes dentro de campo ou declarações à comunicação social. Ainda assim acaba com números que não sendo definidores da sua real qualidade, não deixam de ser interessantes, quando comparados com os companheiros: 86% de sucesso no passe; média de 11 perdas de bola por jogo (1,4 no próprio meio-campo); 71% de eficácia no drible; 6 assistências e 9 golos. Sobre o futuro, já se fala numa eventual transferência para um campeonato superior, satisfazendo os desejos anunciados do argelino.

Moussa Marega (13 J/ 1 GM): Um autêntico desastre. Chegou em Janeiro, proveniente do Marítimo, onde era uma das estrelas da equipa. No Dragão, não só não se adaptou como deixou os adeptos com os cabelos em pé de cada vez que tocava na bola. Tecnicamente fraco, com dificuldades na recepção de bola e muita falta de confiança, deixou muito a desejar nas partidas que efectuou. Ao serviço dos dragões não fez qualquer assistência e marcou apenas um golo, onde só teve de encostar com a baliza aberta, na vitória por 2-0 sobre o Gil Vicente. Durante toda a época (jogos do Marítimo incluídos), teve uma eficácia de passe de 71%, sucesso no drible de 41%, 36% de sucesso nos embates corpo-a-corpo e cerca de 17 perdas de bola por jogo. Números péssimos e que atestam bem que Marega está a mais no plantel azul e branco.

Cristian Tello (20 J/ 2 GM): Herói nalgumas partidas da época passada, não rendeu o que se lhe pedia para este ano desportivo e acabou por rumar à Fiorentina em Janeiro. O estilo vertiginoso adaptava-se melhor às competições europeias do que ao campeonato português, onde evidenciou sempre algumas dificuldades, especialmente frente a defesas em bloco baixa e a oferecer pouca profundidade. Para além dos dois golos marcados, fez ainda uma assistência na Liga. Na Fiorentina, apesar de os números não serem superiores, foi habitual titular na equipa de Paulo Sousa e conquistou os adeptos viola.

André Silva (14 J/ 3 GM): A estrela do fim de época portista. O jovem avançado português tem tudo para ser um avançado de eleição. É inteligente, joga bem de costas para a baliza, recebe bem e é forte no um-para-um. Tem ainda um excelente sentido de jogo colectivo e não larga os centrais adversários durante todo o encontro. Faltava-lhe apenas aquele "clique" que todos os pontas-de-lança precisam relativamente aos golos. E até chegarem, demorou. Só na última jornada, frente ao Boavista, André Silva conseguiu assinalar o primeiro tento na equipa principal. Nesse jogo fez ainda uma assistência. Na final da Taça de Portugal, com o FC Porto a perder por 2-0, empatou a partida com dois golos, tendo o segundo sido uma obra de arte. Na II Liga, pela equipa "B", fez 14 golos. O FC Porto (e Portugal) tem aqui um ponta-de-lança para o futuro.

Suk Hyun-Jun (14 J/ 2 GM): Tal como Marega, deixou a desejar. É um ponta-de-lança trabalhador, que corre do princípio ao fim do jogo e luta por cada bola como se fosse a última. Mas só isso não chega. O sul-coreano, proveniente do Vit. Setúbal (de onde saiu como goleador máximo, com 11 golos marcados em 20 partidas), tem claras lacunas ao nível técnico, com especial enfoque na recepção de bola, fundamental num ponta-de-lança. Adivinha-se difícil a vida para o jogador asiático na próxima temporada.

Vincent Aboubakar (42 J/ 18 GM): O goleador da equipa, que ainda assim passou por altos e baixos. Teve um início de época prodigioso, com muitos golos e exibições de encantar. A herança de Jackson Martínez era pesada, mas o camaronês fez questão de demonstrar que não tinha quaisquer problemas com a mesma. Depois, passou por um período de seca e com José Peseiro as exibições começaram a ser cada vez mais irregulares, bem como as presenças no onze inicial. Ainda assim, quando entrou proveniente do banco de suplentes, mostrou sempre qualquer coisa de diferente relativamente aos companheiros de sector. O problema de Aboubakar parece ser mais ao nível mental e na forma como lida com a pressão do que propriamente com a qualidade. Porque essa, o ex-Lorient já deu provas de que a tem. Acabou ainda a época com 3 assistências, 79% de eficácia no passe e uma taxa de sucesso no drible de 55%.

Pablo Osvaldo (12 J/ 1 GM): Pouco ou nada demonstrou nos poucos meses que passou na Invicta. É daqueles jogadores que provavelmente passou ao lado de uma grande carreira no mundo do futebol. A lista infindável de clubes pelos quais passou e de escândalos a ele associados falam por si. O FC Porto foi só mais um desses clubes, apesar de - aparentemente - tudo se ter desenrolado de forma pacífica. Durante os minutos que teve em campo ao serviço do FC Porto, mostrou dotes técnicos, mas pouco se esforçou para ir mais além. Os números acabam por espelhar aquilo que foi a passagem discreta do italo-argentino pelo Dragão.

cmjornal.xl.pt

TREINADORES

Julen Lopetegui (25 J/ 17 V): Depois de um ano em que a equipa teve períodos de bom futebol mas em que não conseguiu trazer qualquer troféu para o museu do Dragão, Lopetegui estava obrigado a apresentar resultados nesta segunda época. E de facto, apesar das várias mexidas no plantel, conseguiu pôr a máquina a trabalhar de forma mais ou menos consistente, apesar de alguns soluços inesperados: empates contra Moreirense e Marítimo (fora) e Braga e Rio Ave (casa); derrotas contra Sporting (fora), Dínamo Kiev (casa) e Chelsea (fora). Em suma: eliminação precoce da liga milionária (em contraste com a boa participação na temporada anterior) e uma distância de 4 pontos do 1º lugar à 16ª jornada, altura em que saiu do comando da equipa azul e branca. A paciência da massa associativa tinha-se esgotado há muito e o basco caminhava constantemente sobre lava. Não havia volta a dar. A solução que se seguiu não veio a surtir melhor efeito, mas Lopetegui há muito que havia deixado de ter condições para treinar na Invicta. Fiel aos seus princípios, continuou a apostar no 4x3x3 com um futebol apoiado, de posse e paciência (até demais), à procura de erros no adversário e expondo-se pouco ao risco nas transições defensivas. De tal modo que os jogadores raramente ensaiavam contra-ataques, preferindo muitas vezes uma estratégia conservadora e de regresso à base, mesmo com o adversário desposicionado. Esta abordagem irritou seriamente os adeptos portistas e deixava antever um final de época semelhante ao anterior. Lopetegui ainda testou um plano "B", especialmente talhado para Alberto Bueno, que passava pela inclusão do avançado espanhol nas costas do ponta-de-lança, numa espécie de 4x4x1x1. Porém, esse modelo obrigava a mudanças no plano de jogo, coisa que Lopetegui parecia recusar-se teimosamente a fazer. Acabou por pagar pela impaciência dos adeptos. Se teria feito melhor continuando no cargo, é legítimo discutir, mas nunca saberemos. Sabe-se apenas que, em ano e meio, Lopetegui não mostrou o suficiente.

José Peseiro (22 J/ 13 V): Depois da saída de Lopetegui e de 4 partidas sob a orientação de Rui Barros (2 vitórias e duas derrotas, uma delas para a Liga), Pinto da Costa, num anúncio surpreendente, apresentou José Peseiro como novo treinador do FC Porto. O técnico ex-Al Ahly, assinou por uma época e meia, ainda que fosse do conhecimento geral que o que fizesse até final de 2015/2016 seria decisivo para a continuidade na temporada desportiva seguinte. Peseiro prometeu um futebol diferente, de maior envolvência dos jogadores na fase ofensiva e mais presença na área contrária. O primeiro encontro correu-lhe de feição, com uma vitória de 1-0 sobre o Marítimo. Mas duas jornadas depois e o FC Porto voltava a perder pontos, no famoso jogo caseiro frente ao Arouca (derrota por 1-2). Seguiu-se um período turbulento. Entre vitórias sofridas e derrotas que deixavam a nu as fragilidades defensivas da equipa, Peseiro nunca encontrou um verdadeiro equilíbrio e acabou a época de forma trágica. Sem ganhar nada (a Taça de Portugal era a última oportunidade, mas desperdiçou-a) e a 15 (!) pontos do 1º lugar. A obsessão pela mudança e a tentativa de praticar um futebol que agradasse aos adeptos e garantisse, ao mesmo tempo, vitórias, acabou por trair Peseiro. O FC Porto evidenciou graves lacunas defensivas, com espaços enormes entre-linhas, erros constantes de posicionamento e uma permeabilidade confrangedora aos contra-ataques adversários. A atacar, também nunca deslumbrou, apesar de praticar um futebol bem mais objectivo que Lopetegui (o que lhe permitiu algumas remontadas, coisa que com o espanhol não acontecia). Peseiro teve tempo para mais. O plantel era diferente daquele que começou a época e apresentava menos qualidade, é certo. Apanhou os jogadores numa fase decrescente de confiança e quando assim é, não é fácil inverter a situação. Mas com 4 meses no Dragão, já se esperava algo mais e o que é facto é que a equipa nunca deu sinais de melhoras, bem pelo contrário. Para o ano, dificilmente ficará pela Invicta.

desporto.sapo.pt

DISTINÇÕES

Melhor marcador: Vincent Aboubakar (18 golos)
Melhor assistente: Miguel Layún (18 assistências)
Jogador da época para o PD: Danilo Pereira
Jogador revelação para o PD: André Silva
Jogador desilusão para o PD: Giannelli Imbula

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OBS/ NOTA: Dados estatísticos fornecidos pelo InStat, tendo em consideração todos os jogos da época, incluindo amigáveis, até 14.05.2016.

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